{"id":2058,"date":"2022-07-08T06:00:00","date_gmt":"2022-07-08T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2058"},"modified":"2024-09-02T12:44:36","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:36","slug":"entrevista-andrew-dominik-e-o-novo-doc-sobre-nick-cave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/entrevista-andrew-dominik-e-o-novo-doc-sobre-nick-cave\/","title":{"rendered":"Entrevista: Andrew Dominik e o novo doc sobre Nick Cave"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje estreia na plataforma MUBI \u201cThis Much I Know to Be True\u201d, filme-concerto sobre a parceria de Nick Cave e Warren Ellis em dois discos recentes, \u201cGhosteen\u201d (2019) e \u201cCarnage\u201d (2021).<\/p>\n\n\n\n<p>O filme \u00e9 dirigido pelo australiano Andrew Dominik, que j\u00e1 havia feito \u201cOne More Time Time With Felling\u201d (2016), document\u00e1rio que mostra a grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201cSkeleton Tree\u201d, feito logo ap\u00f3s a morte do filho adolescente de Cave, Arthur.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o-f8HDIs6uM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Quando foi convidado por Cave para filmar \u201cThis Much I Know to Be True\u201d, Dominik estava finalizando \u201cBlonde\u201d, filme biogr\u00e1fico sobre Marilyn Monroe, adaptado do livro de Joyce Carol Oates e estrelado por Ana de Armas. A primeira rea\u00e7\u00e3o do diretor foi recusar o convite, mas a possibilidade de voltar a trabalhar com Cave, artista que admira h\u00e1 d\u00e9cadas, foi mais forte. Entrevistei Dominik para a \u201cFolha\u201d, e aqui v\u00e3o as melhores partes da conversa:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Quando voc\u00ea conheceu Nick Cave?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Nos conhecemos na Austr\u00e1lia. Sabe aquela m\u00fasica \u2018Deanna\u2019 (faixa gravada por Cave com a banda The Bad Seeds em 1988, no \u00e1lbum \u201cTender Prey\u201d)? N\u00f3s dois namoramos a Deanna. Ela e Nick j\u00e1 haviam se separado, mas Nick continuava ligando para ela. Um dia, eu atendi o telefone e passamos um temp\u00e3o conversando \u2013 sobre ela! Ficamos amigos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O primeiro trabalho que voc\u00eas fizeram juntos foi \u201cO Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford\u201d (filme que Dominki dirigiu em 2007). Como isso aconteceu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu tinha uma cena em que um homem cantava, num bar, \u201cThe Ballad of Jesse James\u201d, e eu queria que fosse Nick. Liguei pra ele e o convidei a cantar a m\u00fasica no filme. Ele aceitou na hora, mas perguntou se eu deixaria que ele fizesse a m\u00fasica do filme. Fiquei completamente sem rea\u00e7\u00e3o, e imediatamente disse que sim. Foi a melhor decis\u00e3o que tomei na vida.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LGHiew5fDZA\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Voc\u00ea fez um document\u00e1rio sobre Nick, \u201cOne More Time With Feeling\u201d, e agora faz outro, capturando o cantor em outro momento da vida e carreira. Como \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de estar, de certa forma, \u201cperseguindo\u201d Nick Cave?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vejo os dois filmes como um s\u00f3. Um \u00e9 continua\u00e7\u00e3o do outro. O tema do primeiro filme era Nick tentando viver e tirar algo de positivo da trag\u00e9dia da morte de Arthur, mas falhando miseravelmente. Nesse novo filme, temos Nick voltando \u00e0 vida, enriquecido por ela, tentando se encontrar e lidar com a morte de Arthur de uma forma respons\u00e1vel. Filmei tudo muito r\u00e1pido, foram 5 ou 6 dias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O visual do filme \u00e9 muito bonito, as luzes, a loca\u00e7\u00e3o (uma f\u00e1brica antiga abandonada em Bristol)&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como n\u00e3o t\u00ednhamos muito tempo para filmar, eu precisava de uma loca\u00e7\u00e3o onde podia controlar totalmente a luz. De dia, a luz entrava pelas grandes janelas do lugar, e pegamos um senso de onde o sol estaria em ada hora do dia. Eu desenhei toda a ilumina\u00e7\u00e3o do filme no computador, tentei criar uma luz que estivesse em sync com m\u00fasica, colocamos muitas luzes atr\u00e1s de Nick e Warren, e filmamos muito r\u00e1pido. Eu dividi as can\u00e7\u00f5es em se\u00e7\u00f5es e decidi que tipo de movimentos de c\u00e2mera usar\u00edamos em cada tomada: grua, trilhos, steadycam. Fizemos tudo muito r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Quando voc\u00eas filmaram, \u201cGhosteen\u201d (2019) j\u00e1 tinha sido lan\u00e7ado, mas e \u201cCarnage\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Os dois discos j\u00e1 estavam prontos. Eu vi partes da grava\u00e7\u00e3o de \u201cGhosteen\u201d e conhecia profundamente aquele disco. Sobre \u201cCarnage\u201d, Warren ficava me mandando as vers\u00f5es mixadas das m\u00fasicas \u00e0 medida que eles iam terminando, ent\u00e3o eu cheguei conhecendo bem as can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; \u201cThis Much I Know to Be True\u201d \u00e9, na verdade, um filme-concerto sem plateia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quando Nick me chamou, ele queria fazer um filme-concerto grande, com p\u00fablico, algo bem ambicioso. Eu disse que dever\u00edamos fazer o show com a Sinf\u00f4nica de Melbourne, e ele adorou a ideia. Mas a\u00ed veio a pandemia, e a ideia mudou. Eu sugeri que nos concentr\u00e1ssemos nos dois \u00faltimos discos, para termos um registro de como foram esses dois ou tr\u00eas anos mais recentes na parceria de Nick e Warren.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Claro que houve um grande trabalho de edi\u00e7\u00e3o, mas o filme, quando mostra o processo criativo dos dois, faz parecer que eles comp\u00f5em de improviso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eles fizeram \u2018Carnage\u2019 em dois dias. Mas \u00e9 preciso dizer que, antes disso, Nick passou tr\u00eas meses escrevendo letras e Warren ficou um temp\u00e3o criando bases e arranjos. O que eles fizeram foi pegar trechos do que cada um criou e misturar esses peda\u00e7os, formando algo novo e que tinha um incr\u00edvel ar de improviso e novidade. Era fascinante ver a cara dos dois quando criavam algo que os emocionava.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Nos \u00faltimos quatro discos &#8211; \u201cPush the Sky Away\u201d (2013), \u201cSkeleton Tree\u201d (2016), \u201cGhosteen\u201d e \u201cCarnage\u201d \u2013 Nick e Warren v\u00eam fazendo can\u00e7\u00f5es cada vez mais lentas e atmosf\u00e9ricas&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, eu amo o que eles est\u00e3o fazendo. \u00c9 uma esp\u00e9cie de electro-gospel. Primeiro, ele e Warren tiraram as guitarras, em \u2018Push the Sky Away\u2019. Depois, em \u2018Ghosteen\u2019, abriram m\u00e3o da bateria. Isso deixou a m\u00fasica livre para ser qualquer coisa, sem amarras. O som que eles est\u00e3o fazendo hoje me parece muito mais pr\u00f3ximo de trilhas sonoras. Eu simplesmente amo o caminho que eles tomaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje estreia na plataforma MUBI \u201cThis Much I Know to Be True\u201d, filme-concerto sobre a parceria de Nick Cave e Warren Ellis em dois discos recentes, \u201cGhosteen\u201d (2019) e \u201cCarnage\u201d (2021). 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