{"id":1792,"date":"2022-05-20T06:00:00","date_gmt":"2022-05-20T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1792"},"modified":"2024-09-02T12:44:36","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:36","slug":"portishead-raro-e-intimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/portishead-raro-e-intimo\/","title":{"rendered":"Portishead: raro e \u00edntimo"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 5 de maio, o grupo brit\u00e2nico Portishead subiu ao palco da O2 Arena, em Bristol, cidade natal da banda, e tocou cinco m\u00fasicas. O show todo n\u00e3o levou mais de meia hora e teve por objetivo arrecadar fundos para a entidade War Child, que est\u00e1 fazendo um trabalho de assist\u00eancia a ucranianos prejudicados pelos ataques russos. O Portishead foi a pen\u00faltima banda a se apresentar e tocou antes do Idles. Os 1200 ingressos foram sorteados entre as milhares de pessoas que colaboraram com a campanha.<\/p>\n\n\n\n<p>E por que um show t\u00e3o curto e sem produ\u00e7\u00e3o \u2013 palco espartano, sem o festival de luzes e efeitos visuais que costumam acompanhar a banda &#8211; causou tanto <em>frisson<\/em> entre f\u00e3s do Portishead?&nbsp; Simples: porque foi a primeira vez em sete anos que Beth Gibbons (voz), Adrian Utley (guitarra) e Geoff Barrow (bateria) tocaram juntos em sete anos. E da \u00faltima vez que isso aconteceu \u2013 um show do Portishead depois de sete anos \u2013 em 2005, prenunciou o lan\u00e7amento de um novo disco, \u201cThird\u201d (2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que vem disco novo por a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 sem tempo. Quem acompanha o Portishead sabe que \u00e9 um grupo t\u00e3o genial quanto seletivo em seus lan\u00e7amentos. Numa carreira de 31 anos, lan\u00e7ou apenas tr\u00eas discos de est\u00fadio, mas tr\u00eas obras-primas: \u201cDummy\u201d (1994), \u201cPortishead\u201d (1997) e \u201cThird\u201d (2008), al\u00e9m de um lindo disco a vivo, \u201cRoseland NYC Live\u201d (1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 14 anos, desde \u201cThird\u201d, a fissura por novos trabalhos da banda foi, em parte, aplacada por trabalhos solo dos integrantes: Utley tocou com o grupo de jazz Stonephace, fez trilhas de filmes e produziu e tocou em discos de Anna Calvi, Perfume Genius e Algiers; Barrow lan\u00e7ou tr\u00eas \u00e1lbuns fabulosos com o grupo de rock eletr\u00f4nico BEAK&gt; (aten\u00e7\u00e3o, eles v\u00eam para o Primavera em S\u00e3o Paulo!), enquanto Beth \u00e9 a mais sumida, tendo colaborado em discos de Kendrick Lamar e cantado \u2013 em polon\u00eas! &#8211; uma sinfonia do compositor Henryk G\u00f3recki, gravada com a Orquestra Sinf\u00f4nica da R\u00e1dio Nacional da Pol\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi emocionante ver os tr\u00eas juntos num palco de novo. Eles tocaram apenas cinco m\u00fasicas \u2013 \u201cMysteroons\u201d, \u201cMagic Doors\u201d, \u201cWandering Star\u201d, \u201cThe Rip\u201d e \u201cRoads\u201d, mas deixaram os f\u00e3s com esperan\u00e7a de ouvir novas m\u00fasicas em breve. Assista:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FLX8LRILfj0\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>E sempre que penso em Portishead, lembro uma declara\u00e7\u00e3o de Serge Pizzorno, guitarrista do grupo Kasabian, depois que viu um show do grupo em 2007, no festival All Tomorrow\u2019s Parties, em que a banda estreou faixas do at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito disco \u201cThird\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fui ao show e algu\u00e9m me deu ketamina, que eu nunca havia experimentado. Foi insano. Eles tocaram \u2018Machine Gun\u2019 e eu tive um momento de: \u2018Isso \u00e9 o futuro!\u2019. Era tudo t\u00e3o minimalista, com aquele incr\u00edvel som de sintetizador de John Carpenter. Meus joelhos tinham virado gel\u00e9ia, havia luzes estrobosc\u00f3picas. Eu pude vislumbrar um som, e precisava daquele \u00e1lbum naquele minuto, mas tive de esperar seis meses, e quando chegou, ficou no repeat por um temp\u00e3o. \u00c9 uma aventura, e muito assustadora. Geoff Barrow \u00e9 um produtor de extremo bom gosto, que sempre toma as decis\u00f5es corretas. Ali posso ouvir Lalo Schifrin, Silver Apples, Hawkwind, coisas e atmosferas que amo. Tudo cria essa sensa\u00e7\u00e3o e essa atmosfera: a edi\u00e7\u00e3o angulosa, o uso de sintetizadores modulares, as afina\u00e7\u00f5es bizarras (\u2026) E a voz de Beth Gibbons \u00e9 a pe\u00e7a que torna tudo t\u00e3o \u00fanico. Ela \u00e9 como um anjo-folk-druida. Voc\u00ea sente a dor naquilo, sua voz \u00e9 uma arma, \u00e9 puro mist\u00e9rio (\u2026) O disco \u00e9 uma obra de arte e uma afirma\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito, uma li\u00e7\u00e3o para voc\u00ea nunca se desviar de seu caminho (\u2026) O disco me amedronta, e eu o amo por isso.\u201d Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 5 de maio, o grupo brit\u00e2nico Portishead subiu ao palco da O2 Arena, em Bristol, cidade natal da banda, e tocou cinco m\u00fasicas. 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