{"id":1634,"date":"2022-03-21T06:00:00","date_gmt":"2022-03-21T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1634"},"modified":"2024-09-02T12:44:37","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:37","slug":"cuidado-com-ginger-baker","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/cuidado-com-ginger-baker\/","title":{"rendered":"Cuidado com Ginger Baker!"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma alma aben\u00e7oada subiu no Youtube, legendado em portugu\u00eas, um dos document\u00e1rios musicais mais divertidos e reveladores dos \u00faltimos anos: \u201cBeware of Mister Baker\u201d, sobre o genial e pol\u00eamico baterista Ginger Baker.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, escrevi sobre o filme:<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que sabia pouco sobre Ginger Baker. Sabia que ele era um grande baterista, que tinha tocado no Cream e no Blind Faith, claro, e passado algum tempo com o grande Fela Kuti na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, foi um choque t\u00e3o grande assistir a \u201cBeware of Mr. Baker\u201d, document\u00e1rio do americano Jay Bulger. Foi uma revela\u00e7\u00e3o. Ginger Baker surge como um dos personagens mais fascinantes \u2013 e irritantes \u2013 da m\u00fasica pop dos \u00faltimos 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Rebelde precoce, perdeu o pai na Segunda Guerra, aos quatro anos de idade, uma trag\u00e9dia que marcaria o menino para sempre. Ginger cresceu obcecado por jazz e pelo som das big bands americanas. Aos 15, conheceu o grande baterista ingl\u00eas Phil Seamen, que o apresentou a duas companheiras que o acompanhariam por toda a vida: percuss\u00e3o africana e hero\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de tocar com o blueseiro Alexis Korner \u2013 onde tirou o lugar de um baterista \u201ccom o qual ningu\u00e9m estava muito satisfeito\u201d, um tal de Charlie Watts \u2013 Ginger passou alguns anos no grupo Graham Bond Organisation, onde ganhou fama de ex\u00edmio instrumentista e de encrenqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1966, juntou-se a dois outros monstros instrumentistas, Eric Clapton e Jack Bruce, no Cream.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista de Eric Clapton \u00e9 reveladora. Ele diz que se sentia tolhido \u2013 e estamos falando de Eric Clapton, o \u201cDeus\u201d &#8211; tocando entre dois g\u00eanios eg\u00f3latras como Baker e Bruce, que ficavam o tempo todo tentando superar um ao outro e chegavam a sair na porrada no palco.&nbsp; Nenhum grupo era grande o suficiente para tanta genialidade \u2013 e tanto ego.<\/p>\n\n\n\n<p>As imagens de arquivo do Cream s\u00e3o impressionantes. A plat\u00e9ia parece sempre embasbacada com tanto virtuosismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Santana diz que o Cream foi uma das melhores bandas que viu ao vivo: \u201cEles chegaram, ligaram os instrumentos, e tocaram o que s\u00f3 posso chamar de \u2018m\u00fasica supers\u00f4nica\u2019\u201d, diz o guitarrista mexicano. \u201cE por \u2018supers\u00f4nica\u2019, quero dizer m\u00fasica que voc\u00ea toca sem saber de onde veio, que s\u00f3 pode ter vindo de algum lugar misterioso dentro da alma. Foi um choque.\u201d N\u00e3o \u00e0 toa, diz outro entrevistado, o Cream era a \u00fanica banda com quem Jimi Hendrix gostava de fazer \u201cjams\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o entrevistador pede a Eric Clapton para comparar Ginger Baker a dois outros bateristas frequentemente citados como os melhores do rock, John Bonham (Led Zeppelin) e Keith Moon (The Who), a cara de espanto de Clapton diz tudo: \u201cN\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o. Esses dois s\u00e3o grandes bateristas, mas Ginger habita outra esfera. \u00c9 um m\u00fasico completo, um grande arranjador, n\u00e3o d\u00e1 para compar\u00e1-lo a ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Ginger, sem nenhuma mod\u00e9stia, esclarece: \u201cBonham tinha grande t\u00e9cnica, mas n\u00e3o tinha suingue. Se Bonham e Moon estivessem vivos, eles mesmos diriam que n\u00e3o chegavam perto de mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Bateristas como Neil Peart (Rush), Stewart Copeland (The Police), Nick Mason (Pink Floyd), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e Lars Ulrich (Metaliica) falam do choque que foi ouvir Ginger Baker pela primeira vez. E quando Ulrich diz que o Cream \u201cajudou a inventar o heavy metal\u201d, Baker retruca: \u201cHeavy metal? Aquela merda deveria ter sido abortada!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Baker sempre se viu como um baterista de jazz. Para provar que n\u00e3o devia nada a nenhum percussionista, promoveu duelos inesquec\u00edveis com lend\u00e1rios bateristas de jazz como Art Blakey, Elvin Jones, Max Roach, e com o amigo Phil Seamen. As imagens de arquivo desses duelos s\u00e3o de chorar.<\/p>\n\n\n\n<p>De chorar tamb\u00e9m s\u00e3o imagens em que Baker aparece chapado e delirante. Numa delas, em um programa de TV ao vivo, est\u00e1 t\u00e3o anestesiado de hero\u00edna que cai de costas do banquinho da bateria e levanta \u00e0s gargalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1970, depois do fim do Blind Faith, supergrupo que montou com Clapton e Steve Winwood, Ginger simplesmente desaparece da Inglaterra. Sem avisar a ningu\u00e9m \u2013 nem \u00e0 mulher e aos filhos \u2013 ele decide explorar a m\u00fasica africana e se muda para a Nig\u00e9ria, onde conhece Fela Kuti, astro do \u201cAfrobeat\u201d e ativista pol\u00edtico. Ginger passa os seis anos seguintes em Lagos, anestesiado de drogas, m\u00fasica e \u201cgroupies\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Baker gravou discos com m\u00fasicos africanos e gastou uma fortuna montando o primeiro est\u00fadio de 16 canais da Nig\u00e9ria, mas precisou sair correndo de Lagos depois de brigar com Fela. O motivo? Sua obsess\u00e3o por cavalos e p\u00f3lo, esporte que Fela via como passatempo das corruptas elites do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ginger volta \u00e0 Inglaterra e \u00e0 fam\u00edlia, para depois abandonar tudo de novo por uma amante de 18 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O produtor Bill Laswell, que recebera de John Lydon a miss\u00e3o de encontrar Baker e convid\u00e1-lo a tocar no Public Image Ltd., lembra que encontrou o baterista morando em um casebre perdido numa regi\u00e3o montanhosa da It\u00e1lia. \u201cO lugar era um barraco\u201d, lembra Laswell. \u201cN\u00e3o tinha luz, n\u00e3o tinha \u00e1gua, n\u00e3o tinha nada. Ginger s\u00f3 tinha uma bateria, que tocava e cujo som ecoava por milhas e milhas naquelas montanhas. Ele tocava, e logo depois voc\u00ea ouvia a voz de um campon\u00eas, gritando, ao longe: \u2018Ginger! Toca \u2018White Room\u2019!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio encontra Ginger Baker, em 2008, morando na \u00c1frica do Sul. Parece um velhinho inofensivo, caminhando pelos jardins e afagando os cavalos que cria. Mas basta o entrevistador fazer uma pergunta que o desagrada, que o velho Ginger ressurge, e simplesmente ataca o jornalista com uma bengala. Assustador.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1, na \u00edntegra, \u201cBeware of Mister Baker\u201d:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y8FBax_CHcE\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>E um lembrete: hoje, \u00e0s 19h, acontece o \u201cEncontro com Guilherme Arantes\u201d, aberto a todos os assinantes do site. O link ser\u00e1 enviado pelo chat. Participe, vai ser muito legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma alma aben\u00e7oada subiu no Youtube, legendado em portugu\u00eas, um dos document\u00e1rios musicais mais divertidos e reveladores dos \u00faltimos anos: \u201cBeware of Mister Baker\u201d, sobre o genial e pol\u00eamico baterista Ginger Baker. Em 2012, escrevi sobre o filme: Confesso que sabia pouco sobre Ginger Baker. Sabia que ele era um grande baterista, que tinha tocado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1635,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1357,1343,1342],"tags":[422,301,423],"class_list":["post-1634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusivo","category-filme","category-musica","tag-beware-of-mr-baker","tag-documentario-musical","tag-ginger-baker"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}