{"id":1580,"date":"2022-03-02T06:00:00","date_gmt":"2022-03-02T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1580"},"modified":"2024-09-02T12:44:46","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:46","slug":"lou-reed-80-anos-um-top-10-da-carreira-solo-do-transformer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/lou-reed-80-anos-um-top-10-da-carreira-solo-do-transformer\/","title":{"rendered":"Lou Reed, 80 anos: um Top 10 da carreira solo do \u201cTransformer\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje, 2 de mar\u00e7o, Lou Reed completaria 80 anos. Em tributo, fiz uma lista de minhas dez m\u00fasicas prediletas da carreira solo dele. N\u00e3o inclu\u00ed nenhuma can\u00e7\u00e3o que ele comp\u00f4s durante o per\u00edodo em que esteve no Velvet Underground e escolhi apenas uma m\u00fasica por disco, para dar um panorama mais amplo da carreira de Reed.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ordem cronol\u00f3gica:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perfect Day (Transformer, 1972)<\/strong> Eu teria inclu\u00eddo \u201cSatellite of Love\u201d, minha predileta do \u00e1lbum \u201cTransformer\u201d, mas \u201cSatellite\u201d foi gravada numa demo pelo Velvet Underground em 1970, ent\u00e3o est\u00e1 fora. \u201cTransformer\u201d \u00e9 o segundo disco solo de Reed, mas deveria ser considerado o primeiro, j\u00e1 que o \u00e1lbum anterior, \u201cLou Reed\u201d, cont\u00e9m nada menos de oito faixas que Reed fizera com o Velvet. \u201cPerfect Day\u201d, produzida por David Bowie (ajudando o amigo e \u00eddolo) e Mick Ronson (que fez o bonito arranjo de cordas e tocou piano na faixa) \u00e9 a trilha sonora de um domingo passeando pelo Central Park, ainda chapado de hero\u00edna: \u201cVoc\u00ea me faz esquecer eu mesmo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lady Day (Berlin, 1973)<\/strong> Devo ser um dos poucos f\u00e3s de Lou Reed que n\u00e3o curte \u201cBerlin\u201d. Acho um disco mais cultuado do que bom e n\u00e3o curto esse conceito de discos feitos sobre a mesma tem\u00e1tica. \u201cBerlin\u201d \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u00f3pera <em>junkie<\/em> sobre dois amantes e foi inspirado por um desafio feito a Reed pelo produtor Bob Ezrin (Kiss, Aerosmith), que disse que gostava das letras de Reed, mas que elas n\u00e3o tinham fim, citando \u201cBerlin\u201d, faixa do primeiro disco solo do compositor. Mas \u201cLady Day\u201d, uma baladona dram\u00e1tica com um piano que parece sa\u00eddo de algum cabar\u00e9 vienense, \u00e9 muito forte.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kill Your Sons (Sally Can\u2019t Dance, 1974)<\/strong> Est\u00e1 a\u00ed uma m\u00fasica que n\u00e3o consigo ouvir sem ficar com l\u00e1grimas nos olhos. Descreve os eletrochoques que Reed sofreu em hospitais psiqui\u00e1tricos na adolesc\u00eancia, com anu\u00eancia dos pais, para cur\u00e1-lo de tend\u00eancias \u201cbizarras\u201d. Reed canta com um ar meio blas\u00e9, sem nenhum tipo de inflex\u00e3o dram\u00e1tica, o que adiciona um tom sombrio \u00e0 can\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma paulada. O v\u00eddeo a seguir \u00e9 de 1984, mas traz uma vers\u00e3o matadora da can\u00e7\u00e3o. Lou est\u00e1 acompanhado por uma banda fora de s\u00e9rie, que inclui o guitarrista Bob Quine e o baixista Fernando Saunders.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qe5juZHhPWo\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crazy Feeling (Coney Island Baby, 1975)<\/strong> Nunca achei que diria isso, mas esse disco de Lou Reed \u00e9 perfeito para ouvir numa manh\u00e3 ensolarada de domingo. Um LP apaixonado, alegre, totalmente fora do universo escuro e melanc\u00f3lico que se espera de Lou. Na \u00e9poca, ele estava vivendo um romance com Rachel Humpries, uma mulher trans que viria a morrer de AIDS em 1990, e o amor transborda de todas as faixas, em especial da que abre o disco, \u201cCrazy Feeling\u201d: \u201cVoc\u00ea \u00e9 o tipo de pessoa por quem eu sempre esperei \/ Voc\u00ea \u00e9 o tipo de pessoa que eu sempre sonhei amar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>City Lights (The Bells, 1979)<\/strong> \u201cThe Bells\u201d \u00e9 um disco muito estranho na discografia de Lou. Parece uma tentativa de imitar Bowie e fazer um \u00e1lbum pop, mas Lou est\u00e1 visivelmente desconfort\u00e1vel no universo <em>disco<\/em> e da m\u00fasica de FM. \u00c9 um LP que eu detestei quando ouvi pela primeira vez, mas agora amo. E essa faixa, \u201cCity Lights\u201d, uma parceria com Nils Lofgren (Crazy Horse), \u00e9 muito engra\u00e7ada: Lou em modo Tony Bennett.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>My Old Man (Growing Up in Public, 1980)<\/strong> Falando em discos estranhos de Lou Reed, \u201cGrowing Up in Public\u201d est\u00e1 no topo da lista: \u00e9 marcado por um power pop animado por baixo de algumas das letras mais diretas e confessionais de um compositor conhecido exatamente por sua sinceridade. Lou fala de fama (\u201cGrowing Up in Public\u201d), de sua rela\u00e7\u00e3o com a bebida (\u201cThe Power of Positive Drinking\u201d) e, em \u201cMy Old Man\u201d, descreve, quase que em prosa, mem\u00f3rias dos dias numa escola p\u00fablica do Brooklyn e da rela\u00e7\u00e3o conturbada com o pai. \u00c9 uma obra de arte.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>My House (The Blue Mask, 1982)<\/strong> Depois de um per\u00edodo pop, Lou fez um disco mais l\u00fagubre e minimalista. Juntou uma banda pequena e genial, com o ex\u00edmio guitarrista Robert Quine, o baixista Fernando Saunders (que se tornaria parceiro por muitos anos) e o baterista Doane Perry (do Jethro Tull), e gravou \u201cThe Blue Mask\u201d, um de seus melhores trabalhos. \u201cMy House\u201d \u00e9 uma delicada homenagem ao poeta Delmore Schwartz (1913-1966), \u00eddolo de Lou, na qual o compositor descreve uma sess\u00e3o de bruxaria em que invocou o esp\u00edrito de Delmore, que aparece na sala de Lou.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Endlessly Jealous (New Sensations, 1984) <\/strong>Lou claramente copia a fase \u201cLet\u2019s Dance\u201d do amigo Bowie, fazendo um disco pop dan\u00e7ante que teve at\u00e9 \u2013 n\u00e3o me matem \u2013 uma tentativa de emplacar um clipe na MTV, com \u201cI Love You Suzanne\u201d. Mas a melhor do disco \u00e9 \u201cEndlessly Jealous\u201d, que n\u00e3o faria feio no repert\u00f3rio de arena de Bruce Springsteen na fase \u201cBorn in the USA\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Romeo Had Juliette (New York, 1989)<\/strong> Eu disse ali atr\u00e1s que n\u00e3o curtia discos conceituais, mas abro uma exce\u00e7\u00e3o para \u201cNew York\u201d, uma obra-prima do in\u00edcio ao fim, ode \u00e0 cidade que Lou amava acima de qualquer coisa. Periga ser o melhor disco solo de Lou, melhor at\u00e9 que \u201cTransformer\u201d. \u00c9 dif\u00edcil escolher uma faixa, mas o riff de guitarra de \u201cRomeo Had Juliette\u201d e versos como \u201cUm crucifixo de diamante em sua orelha esquerda \/ \u00e9 usado para dispersar o temor \/ de que ele pode ter deixado sua alma num carro alugado\u201d fazem dessa can\u00e7\u00e3o um dos grandes momentos da carreira de Lou.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DTcLSFqGMfE\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Open House (Songs for Drella, 1990) <\/strong>Em 1987, Andy Warhol, o artista pl\u00e1stico, fot\u00f3grafo, celebridade e mentor do Velvet, morreu depois de uma cirurgia. Lou Reed e John Cale, que n\u00e3o se viam h\u00e1 anos, se encontraram no vel\u00f3rio e, por sugest\u00e3o do pintor e cineasta Julian Schnabel (de \u201cBasquiat\u201d e \u201cO Escafandro e a Borboleta\u201d, se reuniram para fazer um show de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas em homenagem a ele. O show foi filmado (e exibido no Brasil, pasme, na TV Bandeirantes!) e depois virou um disco maravilhoso. Poderia escolher v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es, mas fico com a sombria \u201cOpen House\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 2 de mar\u00e7o, Lou Reed completaria 80 anos. Em tributo, fiz uma lista de minhas dez m\u00fasicas prediletas da carreira solo dele. N\u00e3o inclu\u00ed nenhuma can\u00e7\u00e3o que ele comp\u00f4s durante o per\u00edodo em que esteve no Velvet Underground e escolhi apenas uma m\u00fasica por disco, para dar um panorama mais amplo da carreira de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1357,1342],"tags":[394,395,396],"class_list":["post-1580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusivo","category-musica","tag-lou-reed","tag-melhores-musicas-de-lou-reed","tag-transformer"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1580\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}