{"id":1433,"date":"2021-12-31T14:16:45","date_gmt":"2021-12-31T14:16:45","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1433"},"modified":"2024-09-02T12:44:47","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:47","slug":"como-tony-visconti-produziu-heroes-de-bowie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/como-tony-visconti-produziu-heroes-de-bowie\/","title":{"rendered":"Como Tony Visconti produziu &#8220;Heroes&#8221;, de Bowie"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Publicado originalmente em 12 de fevereiro de 2016<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Escrevi aqui no blog sobre a s\u00e9rie \u201cMusic Moguls\u201d, da BBC Four.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos trechos mais interessantes mostra o produtor Tony Visconti contando como gravou \u201cHeroes\u201d (1977), a faixa cl\u00e1ssica de David Bowie, no est\u00fadio Hansa, em Berlim.<\/p>\n\n\n\n<p>Achei no Youtube uma vers\u00e3o estendida do papo com Visconti.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sEJBahUugVM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>&#8211; Ele come\u00e7a contando que a fita original da sess\u00e3o est\u00e1 muito velha e corre o risco de quebrar se usada repetidas vezes, por isso todas as pistas foram copiadas digitalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Visconti mostra a \u201cbacking track\u201d, a base da m\u00fasica, apenas com George Murray no baixo, Carlos Alomar na guitarra, Dennis Davis na bateria, Bowie tocando piano e Brian Eno fazendo \u201clindos barulhos espaciais\u201d com um pequeno sintetizador. \u201cAqui est\u00e3o os cinco m\u00fasicos tocando juntos\u201d, diz Visconti. \u201cA can\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tinha vocal, melodia, forma ou estrutura. N\u00e3o t\u00ednhamos nem o nome para ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Murray usa no baixo um flanger, uma esp\u00e9cie de eco. Visconti diz que os produtores costumam gravar instrumentos \u201climpos\u201d, sem efeitos, e adicionar os efeitos depois, mas que ele e Bowie sempre preferiram gravar o instrumento com o efeito, para que isso n\u00e3o pudesse ser mudado depois.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Visconti mostra sons feitos por Brian Eno em seu pequeno sintetizador e por Bowie num velho sintetizador chamado Selena: \u201cUm som meio brega\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Uma semana depois, eles chamaram Robert Fripp, guitarrista do King Crimson, para colaborar. Fripp gravou tr\u00eas solos, todos usando microfonia, que ele obtinha se aproximando e se afastando do amplificador, enquanto Brian Eno manipulava o som com um sintetizador. \u201cN\u00e3o existe um pedal de guitarra que fa\u00e7a esse som. Ele \u00e9 resultado de dois caras muito espertos trabalhando em conjunto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Visconti diz que os tr\u00eas pequenos solos de Fripp eram muito bonitos e marcantes, mas que n\u00e3o funcionavam na can\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que ele te a ideia de juntar os tr\u00eas. \u201cE a\u00ed veio aquele som celestial de Fripp!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Bowie tinha um Chamberlin, um antigo synth com diferentes timbres. Ele tocou um \u201criff\u201d que, segundo o produtor, lembrava as can\u00e7\u00f5es da gravadora norte-americana Stax, meca da soul music dos anos 60, e usou o timbre de \u201cNaipe de Metais\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 um bom som de metais, mas est\u00e1 na mixagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u201cBowie \u00e9 muito impaciente no est\u00fadio. Se queremos um cowbell (esp\u00e9cie de agog\u00f4) e n\u00e3o tiver nenhum, ele sai batendo em qualquer peda\u00e7o de metal at\u00e9 conseguir o som que deseja. Esse sou eu batendo com uma baqueta de bateria ou um garfo, n\u00e3o lembro bem, em um rolo met\u00e1lico de uma fita.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Visconti diz que Bowie n\u00e3o tinha a letra da m\u00fasica e escrevia no pr\u00f3prio est\u00fadio. Um dia, incapaz de se concentrar, pediu a Visconti e \u00e0 cantora Antonia Maass, com quem Visconti estava namorando, que sa\u00edssem por algum tempo do est\u00fadio para ele poder se concentrar. Tony e Antonia foram dar um passeio pr\u00f3ximo ao Muro de Berlim, que ficava ao lado do est\u00fadio, e se beijaram. Bowie viu a cena da janela e a incorporou na letra:<\/p>\n\n\n\n<p>I can remember \/ standing, by the wall \/ and the guns, shot above our heads \/ and we kissed, as though nothing could fall<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me lembro \/ de p\u00e9, pr\u00f3ximo ao muro \/ e as armas disparando sobre nossas cabe\u00e7as \/ e nos beijamos, como se nada pudesse cair<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Visconti conta que, ao fim das grava\u00e7\u00f5es, s\u00f3 tinha uma pista (\u201ctrack\u201d) livre para gravar os vocais. Ele e Bowie queriam que os vocais, do meio da can\u00e7\u00e3o para a frente, tivessem um grande eco. \u201cSe eu tivesse tr\u00eas pistas poderia gravar os trechos separadamente, mas s\u00f3 havia uma pista, ent\u00e3o tivemos de ser criativos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o foi colocar tr\u00eas microfones no est\u00fadio. Bowie ficou de um lado da grande sala do est\u00fadio Hansa, com um microfone \u00e0 sua frente. No meio da sala, a cerca de sete ou oito metros, Visconti colocou o segundo microfone, e na outra extremidade do est\u00fadio, a uns 18 metros de Bowie, o terceiro. O segundo e terceiro microfones foram conectados a um dispositivo que os ligava de acordo com o volume da voz de Bowie. Se ele cantasse baixinho, sua voz s\u00f3 seria captada pelo microfone \u00e0 sua frente. Se aumentasse o volume da voz, o segundo microfone ligaria e captaria a voz de Bowie com um pouco de eco. Se Bowie gritasse, o terceiro microfone dispararia e gravaria a voz com muito eco. O resultado est\u00e1 na can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por fim, Visconti mostra os \u201cbacking vocals\u201d (\u201cvocais de apoio\u201d) que ele e Bowie gravaram para a m\u00fasica. \u201cSe voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, vai ouvir um sotaque brit\u00e2nico e um do Brooklyn\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, amigos, \u00e9 um produtor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 12 de fevereiro de 2016 Escrevi aqui no blog sobre a s\u00e9rie \u201cMusic Moguls\u201d, da BBC Four. Um dos trechos mais interessantes mostra o produtor Tony Visconti contando como gravou \u201cHeroes\u201d (1977), a faixa cl\u00e1ssica de David Bowie, no est\u00fadio Hansa, em Berlim. 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