{"id":1336,"date":"2021-11-29T06:00:00","date_gmt":"2021-11-29T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1336"},"modified":"2024-09-02T12:44:48","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:48","slug":"para-rever-o-profeta-de-jacques-audiard","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/para-rever-o-profeta-de-jacques-audiard\/","title":{"rendered":"Para rever: \u201cO Profeta\u201d, de Jacques Audiard"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das vantagens de fazer esse blog \u00e9 lembrar filmes que merecem uma revis\u00e3o. Ao fazer a lista de melhores cenas do cinema policial, que publiquei semana passada, lembrei um deles: \u201cO Profeta\u201d (2009), de Jacques Audiard. N\u00e3o vejo desde a estreia e agora preciso ver de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, escrevi na \u201cFolha\u201d sobre o filme, que est\u00e1 dispon\u00edvel na Apple TV, HBO e Claro Video:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se nenhuma grande surpresa ocorrer nos pr\u00f3ximos seis meses, o melhor filme do ano estr\u00e9ia amanh\u00e3: \u201cO Profeta\u201d, do franc\u00eas Jacques Audiard. \u00c9 uma dessas ocasi\u00f5es, cada vez mais raras, em que se sai do cinema com um impulso irresist\u00edvel de voltar \u00e0 sala e ver o filme novamente, s\u00f3 para relembrar algumas sequ\u00eancias particularmente geniais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO Profeta\u201d conta a hist\u00f3ria de Malik El Djebena (Tahar Rahim), um jovem criminoso \u00e1rabe que chega a uma pris\u00e3o francesa. Malik \u00e9 analfabeto e assustado. Anda pelos corredores de cabe\u00e7a baixa e olhando para os lados, como se esperasse ser esfaqueado a qualquer momento. Mas logo vai se acostumar com o lugar. A \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d criminal de Malik \u00e9 o mote de \u201cO Profeta\u201d: como a pris\u00e3o transforma jovens fracos em Corleones. O tema j\u00e1 foi explorado diversas vezes, mas nunca com tanto talento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hRhea5lt1u4\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;\u201cO Profeta\u201d n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um grande filme de g\u00e2ngster, com algumas das cenas mais inventivas e tensas do g\u00eanero, mas tamb\u00e9m um relato cir\u00fargico das maquina\u00e7\u00f5es e da pol\u00edtica interna dos pres\u00eddios, de como os preconceitos sociais e raciais se manifestam tamb\u00e9m dentro de seus muros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pouco tempo depois de chegar \u00e0 cadeia, Malik tem um encontro com Cesar Luciani (o \u00f3timo Niels Arestrup), um temido chef\u00e3o c\u00f3rsico que, embora preso, controla todo o local. A oferta de Niels \u00e9 simples: ou Malik mata um informante \u00e1rabe, ou morre. \u00c9 o primeiro assassinato de Malik, e um que vai assombr\u00e1-lo para sempre.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dali em diante, Malik vira um p\u00e1ria: a gangue c\u00f3rsica o renega por ser \u00e1rabe, os presos \u00e1rabes o renegam por sua liga\u00e7\u00e3o com os c\u00f3rsicos. Escorra\u00e7ado por todos, o jovem aprende a sobreviver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Luciani manda Malik em miss\u00f5es fora da cadeia, aproveitando as folgas por bom comportamento do jovem. Essas miss\u00f5es incluem pagar o resgate de um bandido c\u00f3rsico, negociar um trato com um mafioso rival e assassinar um g\u00e2ngster em Paris. Esse tiroteio, no meio da rua, \u00e9 uma das sequ\u00eancias mais espetaculares e assustadoras do cinema nos \u00faltimos anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO Profeta\u201d tem qualidades que faltam \u00e0 maioria dos filmes do g\u00eanero: os personagens secund\u00e1rios s\u00e3o complexos e interessantes, n\u00e3o apenas alvos de tiros; o roteiro \u00e9 t\u00e3o bem escrito que consegue ser claro sem ser did\u00e1tico. A hist\u00f3ria d\u00e1 mil voltas, mas tudo \u00e9 bem amarrado e o espectador pode acompanhar com clareza todas as subtramas. O filme n\u00e3o tenta explicar nada. N\u00e3o h\u00e1 grandes tratados sociol\u00f3gicos ou an\u00e1lises; as coisas s\u00e3o o que s\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A viol\u00eancia em \u201cO Profeta\u201d n\u00e3o \u00e9 estilizada ou glorificada, mas exposta de uma forma crua que a torna ainda mais impactante. O assassinato do informante \u00e1rabe, em especial, \u00e9 prova disso: Malik \u00e9 novato no crime, e a maneira atrapalhada e nervosa com que comete o assassinato multiplica a tens\u00e3o. E o ator Tahar Rahim, um jovem franc\u00eas de origem argelina, consegue dar a Malik um misto de fragilidade e viol\u00eancia que faz o personagem ainda mais marcante e surpreendente. Enfim, \u201cO Profeta\u201d \u00e9 um desses filmes que renovam a f\u00e9 no cinema e d\u00e3o g\u00e1s a um g\u00eanero que anda afogado em clich\u00eas e f\u00f3rmulas. Imperd\u00edvel.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das vantagens de fazer esse blog \u00e9 lembrar filmes que merecem uma revis\u00e3o. Ao fazer a lista de melhores cenas do cinema policial, que publiquei semana passada, lembrei um deles: \u201cO Profeta\u201d (2009), de Jacques Audiard. N\u00e3o vejo desde a estreia e agora preciso ver de novo. 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