{"id":1125,"date":"2021-10-06T06:00:00","date_gmt":"2021-10-06T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1125"},"modified":"2024-09-02T12:44:49","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:49","slug":"samuel-fuller-vai-mudar-sua-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/samuel-fuller-vai-mudar-sua-vida\/","title":{"rendered":"Samuel Fuller vai mudar sua vida"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 cineastas que fazem filmes, e h\u00e1 cineastas que fazem o <em>seu<\/em> cinema. S\u00e3o artistas de estilo t\u00e3o pessoal e inconfund\u00edvel que basta ver alguns segundos do filme para saber quem o dirigiu. Samuel Fuller \u00e9 um desses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, fiz um perfil de Fuller para a \u201cFolha\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Samuel Fuller (1912-1997) foi um dos maiores subversivos do cinema. Fez filmes esteticamente inovadores e tematicamente corajosos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que foi perseguido e expulso de Hollywood.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fuller foi rep\u00f3rter policial, cobriu assassinatos, fotografou brigas de g\u00e2ngsteres e chafurdou no submundo. Lutou na Segunda Guerra e ajudou a libertar campos de concentra\u00e7\u00e3o dos nazistas. Essa experi\u00eancia marcou sua vida e seu cinema. Quando virou cineasta, no fim dos anos 1940, levou uma linguagem de tabloide sangrento para as telas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/samuel-fuller.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1127\" srcset=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/samuel-fuller.jpg 1000w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/samuel-fuller-600x600.jpg 600w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/samuel-fuller-300x300.jpg 300w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/samuel-fuller-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Sam Fuller em foto de Jean Ber<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fuller fez faroestes, policiais \u201cnoir\u201d, dramas e filmes de guerra, sempre com um estilo direto e pessoal. Odiava a assepsia do cinema comercial, que julgava \u201ccoisa de crian\u00e7a\u201d. Influenciou a Nouvelle Vague (Godard o escalou para uma ponta em \u201cPierrot Le Fou\u201d), Scorsese (os closes das lutas de boxe em \u201cTouro Indom\u00e1vel\u201d s\u00e3o puro Fuller) e Wim Wenders (Fuller fez um papel em \u201cO Amigo Americano\u201d). No Brasil, Rog\u00e9rio Sganzerla era fullerman\u00edaco de carteirinha, e \u201cO Bandido da Luz Vermelha\u201d, com sua est\u00e9tica de \u201cNot\u00edcias Populares\u201d, \u00e9 a maior prova disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Muitos chamaram Fuller de primitivista. E n\u00e3o deixa de ser verdade: seu cinema \u00e9 primitivo, no sentido de ser rude e grosseiro, e de provocar no espectador rea\u00e7\u00f5es instintivas. Seus filmes podem ter defeitos, podem ser desiguais e repetitivos, mas nunca s\u00e3o sup\u00e9rfluos. Samuel Fuller n\u00e3o \u00e9 um burocrata.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A melhor introdu\u00e7\u00e3o a Samuel Fuller \u00e9 \u201cShock Corridor\u201d (1963), que no Brasil foi batizado \u201cPaix\u00f5es Que Alucinam\u201d. Est\u00e1 numa linda caixa de DVDs da Vers\u00e1til, com mais tr\u00eas filmes (incluindo o soberbo \u201cnoir\u201d \u201cO Beijo Amargo\u201d, de 1964), e tamb\u00e9m est\u00e1 no Youtube, em \u00f3tima qualidade e legendas em portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hBFBl_oP68c\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>\u201cShock Corridor\u201d \u00e9 um filme seminal do cinema alternativo norte-americano. Mistura drama, policial e terror, numa hist\u00f3ria que \u00e9 pura paranoia: um jornalista (Peter Breck) se finge de esquizofr\u00eanico para ser internado num manic\u00f4mio e investigar o misterioso assassinato de um paciente. Dentro do hospital, ele encontra ninfoman\u00edacas, racistas, psicopatas, homens que sofreram lavagem cerebral para virar comunistas, e todo tipo de pervertidos. A investiga\u00e7\u00e3o do crime demanda entrevistas com v\u00e1rios pacientes, e cada um conta uma vers\u00e3o diferente do ocorrido, numa narrativa que lembra muito as hist\u00f3rias cruzadas de \u201cRashomon\u201d (1950), cl\u00e1ssico de Akira Kurosawa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cShock Corridor\u201d marca a vida de qualquer cin\u00e9filo e muda sua concep\u00e7\u00e3o de \u201cbom\u201d cinema. Lembra a primeira vez que assistiu aos filmes da fase mexicana de Bu\u00f1uel? Quando viu o menino de rua jogando o ovo na c\u00e2mera em \u201cOs Esquecidos\u201d? Ou quando viu Jodorowsky? Paradjanov? Mojica? Ken Russell? \u00c9 dif\u00edcil assistir a filmes comerciais depois de conhecer esses cineastas, porque tudo parece bobo e inofensivo. E Samuel Fuller \u00e9 um dos pioneiros dessa turma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cineastas que fazem filmes, e h\u00e1 cineastas que fazem o seu cinema. S\u00e3o artistas de estilo t\u00e3o pessoal e inconfund\u00edvel que basta ver alguns segundos do filme para saber quem o dirigiu. Samuel Fuller \u00e9 um desses. 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