{"id":1066,"date":"2021-09-10T06:00:00","date_gmt":"2021-09-10T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=1066"},"modified":"2024-09-27T17:31:05","modified_gmt":"2024-09-27T20:31:05","slug":"buena-vista-25-anos-de-um-disco-classico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/buena-vista-25-anos-de-um-disco-classico\/","title":{"rendered":"\u201cBuena Vista\u201d: 25 anos de um disco cl\u00e1ssico"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos grandes \u00e1lbuns do fim do s\u00e9culo passado est\u00e1 fazendo 25 anos: \u201cBuena Vista Social Club\u201d. Gravado em Cuba em 1996 pelo m\u00fasico norte-americano Ry Cooder com ajuda do \u201cbandleader\u201d cubano Juan de Marco Gonz\u00e1les, o disco reuniu um grupo extraordin\u00e1rio de m\u00fasicos da ilha, muitos deles esquecidos h\u00e1 anos: &nbsp;Compay Segundo, Eliades Ochoa, Omara Portuondo, Ibrahim Ferrer, Rub\u00e9n Gonzales e v\u00e1rios outros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBuena Vista\u201d foi um fen\u00f4meno. Vendeu oito milh\u00f5es de c\u00f3pias e \u00e9 o \u00e1lbum mais popular da \u201cworld music\u201d em todos os tempos. O document\u00e1rio, lan\u00e7ado em 1999 pelo cineasta alem\u00e3o Wim Wenders, foi indicado a um Oscar e tornou os m\u00fasicos cubanos ainda mais famosos em todo o mundo (o filme est\u00e1 dispon\u00edvel na plataforma Belas Artes \u00e0 La Carte).<\/p>\n\n\n\n<p>Para celebrar os 25 anos da grava\u00e7\u00e3o, o disco ser\u00e1 relan\u00e7ado em 17 de setembro em edi\u00e7\u00e3o especial, com as 14 faixas do disco original remasterizadas e um CD extra com 19 faixas in\u00e9ditas, incluindo dez can\u00e7\u00f5es que ficaram de fora do original e vers\u00f5es diferentes de can\u00e7\u00f5es famosas como \u201cChan Chan\u201d e \u201cCandela\u201d, al\u00e9m de um livreto com fotos e biografias. Ou\u00e7a aqui a lind\u00edssima \u201cVicenta\u201d, uma das faixas in\u00e9ditas:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DWH8VKnFfSc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Em entrevista recente a Graeme Thomson para a revista \u201cUncut\u201d, Ry Cooder contou a hist\u00f3ria das grava\u00e7\u00f5es de \u201cBuena Vista\u201d. \u00c9 impressionante descobrir que aquele \u00e1lbum t\u00e3o importante nasceu do improviso e s\u00f3 existe porque Cooder e sua trupe deram muita sorte.<\/p>\n\n\n\n<p>A g\u00eanese do \u00e1lbum aconteceu nos anos 70, quando Cooder e a esposa, Susie, viajaram de barco a Cuba e ficaram encantados com a m\u00fasica local. Eles compraram algumas fitas cassete de m\u00fasica cubana, mas n\u00e3o tinham informa\u00e7\u00e3o sobre os autores e instrumentistas que participaram das grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 20 anos depois, o produtor brit\u00e2nico Nick Gold convidou Cooder para ajud\u00e1-lo em um projeto ambicioso: Gold queria ir a Havana gravar cl\u00e1ssicos da m\u00fasica cubana e tentar achar alguns dos grandes m\u00fasicos dos anos 1940 e 1950. Como n\u00e3o sabia se encontraria algu\u00e9m, Gold montou uma banda de apoio com m\u00fasicos da \u00c1frica Ocidental que haviam sido influenciados pela m\u00fasica cubana.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1996, Cooder e o filho, Joachim, um grande baterista e percussionista, estavam em Havana esperando Gold e os m\u00fasicos. Mas s\u00f3 o produtor apareceu. \u201cPor alguma raz\u00e3o de vistos, os m\u00fasicos ficaram retidos em Paris e n\u00e3o vieram\u201d, lembra Cooder. \u201cN\u00f3s est\u00e1vamos em Havana, sem m\u00fasicos e sem repert\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ajuda do m\u00fasico e \u201cbandleader\u201d cubano Juan de Marco Gonz\u00e1les, Cooder saiu pela cidade procurando m\u00fasicos. E n\u00e3o demorou a achar alguns instrumentistas extraordin\u00e1rios, como o contrabaixista Orlando \u201cCachaito\u201d L\u00f3pez, o violonista Eliades Ochoa, o pianista Rub\u00e9n Gonz\u00e1les (que n\u00e3o encostava num piano havia mais de 10 anos) e Barbarito Torres, um \u00e1s do ala\u00fade cubano.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a banda de apoio montada, a tarefa agora era achar cantores e cantoras. Cooder e equipe sa\u00edram por Havana perguntando e come\u00e7aram a encontrar gente como Compay Segundo, um cantor de 89 anos que fizera sucesso em Cuba nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, e a sensacional vocalista Omara Portuondo, que n\u00e3o gravava um disco desde 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>No porto de Havana, algu\u00e9m esbarrou num homem franzino de quase 70 anos, que fizera sucesso como cantor da banda Los Bocucos, mas que estava aposentado e vivendo de engraxar sapatos. Era Ibrahim Ferrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista \u00e0 \u201cUncut\u201d, Ry Cooder diz que a maioria dos artistas reunidos para o disco era de veteranos da m\u00fasica cubana dos anos 1940 e 1950 que haviam sido praticamente esquecidos depois da Revolu\u00e7\u00e3o comunista de Fidel Castro, em 1959: \u201cA m\u00fasica deles passou a ser considerada burguesa, provavelmente fascista, e explorada por g\u00e2ngsteres americanos e corpora\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento do disco \u201cBuena Vista Social Club\u201d \u2013 batizado em homenagem a um clube onde os m\u00fasicos se reuniam para beber e conversar \u2013 mudou a vida de todos os participantes, que tiveram, no fim de suas carreiras, o reconhecimento merecido. E mostrou a beleza da m\u00fasica cubana para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois, o document\u00e1rio de Wim Wenders deu ainda mais visibilidade ao projeto. E o filme tamb\u00e9m foi feito na base do improviso: Wenders conta que, em 1997, trabalhava com Ry Cooder na trilha do filme \u201cThe End of Violence\u201d (Cooder j\u00e1 havia gravado para o cineasta a memor\u00e1vel trilha de \u201cParis, Texas\u201d, em 1984), quando sentiu que o amigo n\u00e3o estava focado no trabalho. \u201cSabe o que \u00e9, Wim\u201d, disse Ry, \u201cEu acabo de voltar de Cuba e acho que gravei o disco mais importante de minha carreira. S\u00f3 penso nisso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cooder deu a Wenders uma fita com as grava\u00e7\u00f5es, e o alem\u00e3o surtou. Cooder disse que iria voltar a Cuba para mais grava\u00e7\u00f5es em poucos dias. Wenders n\u00e3o perdeu a chance: montou uma pequena equipe e foi junto para Havana, levando uma c\u00e2mera digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a filmagem de \u201cBuena Vista Social Club\u201d n\u00e3o levou mais de uma semana. A equipe de Wenders penou com os seguidos e longos blecautes, e \u00e9 por isso que quase todas as entrevistas s\u00e3o realizadas \u00e0 luz do dia. No fim, conseguiram emprestado um gerador a diesel, que possibilitou filmar dentro do est\u00fadio EGREM, onde o disco foi gravado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o disco quanto o filme de \u201cBuena Vista Social Club\u201d foram, portanto, projetos realizados de improviso e sem grana. Mas o talento envolvido \u2013 os m\u00fasicos cubanos, Ry Cooder, Wim Wenders \u2013 era tanto, que ambos se tornaram cl\u00e1ssicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes \u00e1lbuns do fim do s\u00e9culo passado est\u00e1 fazendo 25 anos: \u201cBuena Vista Social Club\u201d. Gravado em Cuba em 1996 pelo m\u00fasico norte-americano Ry Cooder com ajuda do \u201cbandleader\u201d cubano Juan de Marco Gonz\u00e1les, o disco reuniu um grupo extraordin\u00e1rio de m\u00fasicos da ilha, muitos deles esquecidos h\u00e1 anos: &nbsp;Compay Segundo, Eliades Ochoa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1357,1342],"tags":[92,95,94,96,93],"class_list":["post-1066","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusivo","category-musica","tag-beuan-vista-social-club","tag-compay-segundo","tag-ibrahim-ferrer","tag-oomara-portuondo","tag-ry-cooder"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1066","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1066"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1066\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}