ago/2021

Cinco discos para conhecer o rock do Saara

Por André Barcinski

Cinco discos para conhecer o rock do Saara

Por André Barcinski

Já ouviu Rock Tuareg?

Os Tuaregs são um povo nômade do Níger, Mali, Burkina Faso e outros países africanos que habitam o norte do Saara. Há pelo menos três décadas, alguns dos grupos de blues-rock mais interessantes do planeta vêm de lá.

Misturando os mantras da tradicional música do deserto com guitarras, nomes como Tinariwen, Songhoy Blues e Bombino vêm fazendo uma música empolgante, também chamada de “Blues do Deserto”.

Aqui vai uma lista de cinco discos fabulosos para começar a explorar esses sons hipnóticos:

“AFRIQUE VICTIM”- MDOU MOCTAR (2021)

Moctar é um extraordinário guitarrista canhoto do interior do Níger, cuja música tem uma pegada psicodélica e viajandona. Seu mais recente disco, “Afrique Victime”, saiu nos Estados Unidos pelo cultuado selo de “indie rock” Matador. Veja Moctar e sua banda tocando diante de seus compatriotas num terreno baldio em Niamey, capital do Níger:

“AMAN IMAN” – TINARIWEN (2007)

O Tinariwen é uma espécie de Beatles do Rock Tuareg: formado há mais de 40 anos, é uma referência para todos os grupos da região e tem uma carreira longa em festivais de música na Europa e Estados Unidos. Vi um show do Tinariwen na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, que foi uma experiência marcante, com o som hipnótico e grooveado do grupo botando todo mundo para dançar.

“AT PIONEER WORKS” – LES FILLES DE ILLIGHADAD (2021)

Liderado pela guitarrista e cantora Fatou Seidi Ghali, Les Filles de Illighadad é uma banda feminina formada em um vilarejo do centro do Níger. O som é tranquilo e meditativo, incorporando cantos tradicionais do país. O disco “At Pioneer Works”, lançado recentemente, é de uma beleza rara.

“NOMAD” – BOMBINO (2013)

Bombino é o nome artístico do guitarrista Omara Moctar, 34. Moctar nasceu num acampamento Tuareg no deserto perto de Agadez, no Níger, e toca profissionalmente desde adolescente.  Quando Dan Auerbach, guitarrista e cantor do grupo de rock norte-americano Black Keys, viu vídeos de Bombino no Youtube, imediatamente o convidou para ir a Nashville gravar um disco. O resultado foi “Nomad”, um discaço. Tive a sorte de ver Bombino ao vivo (aliás, é exatamente o show abaixo!) e foi dos mais empolgados e dançantes.

“MUSIC IN EXILE” – SONGHOY BLUES (2015)

Oriunda do Mali, Songhoy Blues tem uma pegada mais pesada e influências de Hendrix e, como o nome diz, blues tradicional. O grupo foi forçado a deixar o norte do país, onde os integrantes viviam, devido à guerra civil no país, que instalou a Sharia islâmica e proibiu a música. Recomendo procurar o emocionante doc “They Will Have to Kill Us”, produzido pela BBC, que trata de músicos do Mali que sofreram com o conflito.

Outras bandas Tuaregs que vale a pena ouvir: Tamikrest, Terakaft, Imarhan e Etran Finatawa.

19 comentários em "Cinco discos para conhecer o rock do Saara"

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    André , estava no mesmo show do Tinariwen que vc citou na fundição progresso , queria falar com vc mas fiquei sem graça rsrsrsrr
    Acompanho vc desde a Bizz e são incontáveis os discos , livros e filmes que você indicou e que passei a conhecer ! Parabéns pelo no blog!

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    OFFTOPIC:
    Resolvi acompanhar o noticiário ontem à noite. Desanimado com a espiral de absurdos sem fim que desfilava na tela, saí zapeando e, incrédulo, parei no Multishow, que é apenas uma RedeTV com orçamento mais generoso. O programa com o sádico nome de “Música Boa” trazia Wesley Safadão se contorcendo todo e cantando uma terrível letra trogloditeana. Uma balada pretensamente sensual, em que ele relatava como difícil era ver de roupa alguém que antes já havia visto pelada. Ao fundo, Ivete Sangalo fazia questão de demonstrar que conhecia toda a letra. Irreconhecível, ostentava a face customizada por plásticas, remendos e óleos diversos, além dos cabelos extremamente esticados e amarrados, como se seu couro cabeludo estivesse sendo sugado por um super aspirador. Sua caricata expressão facial me lembrou o Geleia dos Caça-Fantasmas.
    Termina o número do Safadão e logo entra um esfuziante Thiaguinho, se remexendo como quem sofre com uma pulga na cueca. Batizei sua música de “samba atropelado”, um eufemismo para samba mutilado ou samba esquartejado. Quadradíssima, difícil de dançar, a atabalhoada levada ia sendo preenchida com uma esparsa e confusa melodia, vez ou outra tonificada por agudos desafinados do cantor. A letra ininteligível era despejada quase que na velocidade de um hardcore, acompanhada de gestos e sorrisos estranhamente catárticos.
    Todos esses palhaços me faziam rir bastante, mas era um riso recheado de tristeza.
    Voltei para o noticiário de Brasília. A vida é sonho. Melhor sonhar com a derrocada do golpismo tabajara do que constatar a solidez da ditadura consolidada há mais de década na música brasileira.

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      hahahaha bela descrição da tragédia cultural que vivemos atualmente, onde o senso crítico há muito pulou a janela e música virou apenas um bem de consumo como um milk-shake do McDonald’s. Tristes tempos….

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      Um relato sensacional do nosso atual “Panorama Cultural Brasileiro”, e o pior é que tem coisa muito pior do que o Safadão, Thiaguinho e Ivete Sangalo e que, ultimamente, está mais estourado nas paradas jabazeiras do que eles….

      E realmente, chamar esse programa de Música Boa é de um sadismo enorme!!!!

      E muito obrigado pelas dicas André, os sons do Saara já entraram em alta rotação aqui em casa!!!

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    Eu conheci o Bombino por uma dica sua. E passei a acompanhar.
    Fui em um show com minha esposa e meu filho, no Sesc.
    Emocionante!!!
    Valeu pela dica!!!
    Abraço.

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    Bicho, sou fã de touareg rock há um bom tempo.
    Acho que desde que vc publicou um texto sobre o Bombino há alguns anos.
    Tinariwen, Bombino, Songhoy, tudo embalado pelo velho Fela Kuti (aí já é Nigéria…).
    Som da Africa é bom demais.

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