Filme revela os demônios de Daniel Johnston, gênio “naif” do rock
Escondido sob o insosso título de “Loucuras de um Gênio”, a plataforma MUBI exibe o ótimo documentário “The Devil and Daniel Johnston”, sobre o genial e problemático músico Daniel Johnston.
Lançado em 2006 e dirigido por Jeff Feuerzeig, o filme ajudou a estabelecer a fama de Johnston como um artista adorado no circuito do “indie rock”, autor de canções simples e até “naifs” em sua ingenuidade e tons infantis, que atraíram a atenção de Kurt Cobain, Sonic Youth, Yo La Tengo, Half Japanese e Matt Groening, criador do “Simpsons”.
O filme conta a triste e fascinante vida de Johnston: filho caçula de uma família extremamente religiosa da Virginia, começou a gravar, em seu quarto, canções em fitas cassete. Eram músicas muito simples, que descreviam seus amores frustrados, sonhos e visões de personagens de gibis como Gasparzinho e Capitão América.
A vida “normal” nunca atraiu Johnston. Não se adaptou à escola e acabou morando com um irmão em Austin, no Texas, onde trabalhava no McDonald’s e começou a atrair a atenção da cena musical. Em meados dos anos 1980, dois acontecimentos mudariam sua vida: o primeiro foi uma entrevista na MTV, que fazia um programa especial sobre a música de Austin. A aparição de Johnston foi tão marcante que chamou a atenção de bandas como Sonic Youth e Half Japanese.
O segundo acontecimento teve efeitos trágicos: num show do alucinado grupo texano Butthole Surfers, Johnston começou a usar ácido e nunca mais parou. Somado à maconha e remédios, que ele consumia diariamente, o coquetel tirou Johnston definitivamente do prumo, e ele foi internado com sintomas de esquizofrenia e desordem bipolar. Não vou estragar as muitas surpresas do filme, mas é comovente ver o esforço de Dale e Mabel, pais de Daniel, para ajudar o filho.
No início dos anos 90, Kurt Cobain começou a usar uma camiseta com o desenho da capa do disco “Hi, How Are You?”, e isso multiplicou o interesse pela obra de Daniel Johnston. Além da música, o público passou a consumir suas pinturas e desenhos, e renomadas galerias de arte começaram a vender suas obras.

O documentário fez bastante sucesso no circuito alternativo. Feuerzeig ganhou o prêmio de melhor diretor no festival de Sundance e se estabeleceu como um cronista da vida de personagens interessantes e um tanto enigmáticos, trabalhando em projetos sobre Jeff Dowd, inspiração para o personagem principal do filme “O Grande Lebowski”, o boxeador Chuck Wepner, que inspirou “Rocky”, e o autor JT Leroy.
Quanto a Daniel Johnston, passou a década seguinte ao filme excursionando pelo mundo e exibindo sua arte em galerias. Em 2017, anunciou a aposentadoria dos palcos, em uma turnê em que foi acompanhado por fãs como Jeff Tweedy (Wilco) e Built to Spill. Em 2019, morreu de um aparente ataque do coração, enquanto dormia. Tinha 58 anos.
21 comentários em "Filme revela os demônios de Daniel Johnston, gênio “naif” do rock"
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Fala Barça! Cheguei tarde no texto, acabei de rever o doc e fiquei entre maravilhado e paralisado com os fatos narrados no filme. Uma bela obra, sem dúvidas. E o mais importante: Focaram em sua música e sua arte, não apenas em “papos de janela” e seus distúrbios. Além disso estou ouvindo direto o álbum da K.M, a amiga do Daniel que fez uma curadoria de suas canções preferidas e lançou naquela época do doc um álbum de tributo lindo, deixo o link: https://open.spotify.com/album/2FBS1xdsbeWBfCKFgowqag. Abraços!
Sim, até falam dos problemas mentais dele, mas não achei a abordagem sensacionalista. Abraço!
A música mais triste já feita por um ser humano é dele, me lembra “Camarim” do Nelson Ned e se chama Daniel Johnston – Story of an Artist https://www.youtube.com/watch?v=FKW2H0WBqW8
Essa é de matar mesmo. Bem lembrado.
André, parabéns pelo teu site, te acompanho desde o blog da Folha e ouvindo o B3 fiquei sabendo que vc está de volta de forma independente!!!
E vou dar minha contribuição no Apoia-se, pois posso ficar um pouco mais pobre, mas não ficarei mais burro te apoiando!!!!
E apesar do insuportável do Benja, o B3 também é muito legal, parabéns e vê se não some dessa vez!!!!
Hahahahahahaha, paciência com o Benja, ele é gente finíssima!
um dos motivos que também me fizeram parar de ouvir o B3 é o bobalhão do Benja, que cara tonto, não sei como você aguenta Barça….gente finíssima até começar a falar de política, futebol e música….kkkkk
Hahahahahaha! É gente fina!
Esse doc é incrívelmente triste e maravilhoso, assim como a obra do Daniel Johnston
Sensacional esse doc Barsa. Sabe se tem algum doc sobre o Rocky Erickson do The 13th Floor Elevators?. Esse também não teve uma vida fácil Abraço
Tem, “You´re Gonna Miss Me”, e é bem legal. Vi o Erykson ao vivo algumas vezes, a última com o Back Angels de banda de apoio, tocando só 13th Floor Elevators, foi espetacular.
Fala Barça, assistiu o “Nina Simone, Uma Lenda” está no Now e no film&arts. Achei bem legal. Abraço!
Bom saber que tá no streaming. Vi esse doc num Festival do Rio muito tempo atrás.. Passou da hora de rever.
André, você ja viu 1971, documentário em 8 episódios da Apple TV sobre o panorama musical desse ano? Baseado no livro 1971: Never a Dull Moment e dirigido pelo Asif Kapadia (Amy, Senna, Maradona). Tô gostando muito,.
Vi os dois primeiros episódios, tava gostando muito também, as imagens de arquivo são demais…
barca,
fiz a assinatura do pacote do meio. bom demais ter vc de volta. nao conhecia o daniel johnston.
abracos de Burgenland
Depois me diz o que achou…
Esse documentário ficou 01 ano no Netflix, aliás eu assisti por lá. Uma época que tinha mais documentários legais na plataforma.
Sim, mas sumiu logo.
Massa! Já vi e verei novamente. Muito bom! Que figura esse cara!.
Barça, um doc sensacional.
Um gênio improvável fazendo de sua loucura e sensibilidade uma fonte poderosa de belas músicas. DJ, penso, seja um símbolo bem representativo dos dias bonitos, estranhos e dissonantes dos anos 90.
Nos dias de hoje seria massacrado pelo anonimato…
Outra época, deu sorte de ir pra Austin e ter sido abraçado pela comunidade musical local, que sempre foi muito forte…