jan/2025

Charles Bronson e os anos 70

Por André Barcinski

Charles Bronson e os anos 70

Por André Barcinski

Charles Bronson teve uma carreira curiosa: apareceu com destaque nos anos 1960 em filmes como “Era Uma Vez no Oeste” e tornou-se um astro internacional na década de 1980, quando seus filmes viraram coqueluche nas videolocadoras. Para mim, seus melhores filmes como protagonista foram feitos nos anos 70. E três deles estão disponíveis no streaming no Brasil.

No início daquela década, Bronson era um dos atores mais famosos na Europa e na Ásia, mas nos Estados Unidos, onde nasceu, não tinha a mesma fama. Era considerado um ator ultrapassado e canastrão. Até que, em 1974, aos 53 anos, o ator ganhou o papel de Paul Kersey, o arquiteto que se torna matador de bandidos em “Desejo de Matar”.

O filme foi um sucesso de bilheteria, mas foi tão violentamente rechaçado pela crítica, que o considerou apologia à violência, que o produtor Dino De Laurentiis não quis fazer uma continuação.

Hoje pouca gente lembra, mas entre o primeiro e o segundo “Desejo de Matar”, houve um intervalo de oito anos. E o segundo filme da série só aconteceu porque o original foi “redescoberto” no início dos anos 1980, com a explosão do mercado de videocassetes nos Estados Unidos.

“Desejo de Matar” tornou-se um filme dos mais procurados em videolocadoras. Isso levou dois produtores espertíssimos, os israelenses Menahem Golan e Yoram Globus, da produtora Cannon, a comprar os direitos da franquia e fazer outros quatro filmes da série, terminando em 1994, com o quinto “Desejo de Matar”, último filme de Charles Bronson no cinema.

Devido a essa “ressurreição” do interesse pelos filmes de Charles Bronson nas videolocadoras, o auge da fama do ator se deu nos anos 1980. Mas foi na década anterior, a de 1970, que ele fez alguns de seus melhores filmes. Aqui vão três deles, em ordem cronológica:

Desejo de Matar (Michael Winner, 1974) – Junto com o “Dirty Harry” de Clint Eastwood, a série “Desejo de Matar” foi um marco do “cinema de justiceiro”, com personagens isolados em um mundo violento e que decidem fazer justiça com as próprias mãos. O primeiro “Desejo de Matar” é muito bom e tem Bronson no papel de um pacato arquiteto, Paul Kersey, que se vinga dos bandidos que mataram sua esposa e violentaram sua filha.  Disponível na Oldflix e para locação na Amazon. Também pode ser visto no Youtube.

Lutador de Rua (Walter Hill, 1975) – Estreia de Walter Hill (“Warriors – Os Selvagens da Noite”) na direção. Bronson faz um desempregado que chega em New Orleans no meio da Grande Depressão e ganha a vida em lutas de rua. Seu agente é o sempre fantástico James Coburn. Filmão. Disponível no Max ou para locação na Apple TV e Amazon.

Telefone (Don Siegel, 1978) – Um dos grandes filmes de espionagem dos anos 1970. Nos Estados Unidos, um homem misterioso telefona para algumas pessoas e declama um poema de Robert Frost. As pessoas imediatamente ficam hipnotizadas – na verdade, eram agentes da KGB inflitrados – e cometem atos de terrorismo. O homem que dá os telefonemas é Donald Pleasence (“Halloween”, “Fuga de Nova York”). Bronson faz um militar russo que vai atrás do criminoso. Para melhorar, Lee Remick faz uma sensual agente da CIA, e a direção é do fantástico Don Siegel (“Vampiros de Almas”, “Dirty Harry”). Disponível na Oldflix.

Um ótimo dia a todas e todos.

19 comentários em "Charles Bronson e os anos 70"

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