Filme celebra (sem parar!) John Williams
A Disney + exibe “A Música de John Williams”, filme dirigido por Laurent Bouzereau e coproduzido por Steven Spielberg sobre o compositor John Williams, célebre pela trilha de hits monstruosos do cinema como “Guerra nas Estrelas”, “Tubarão”, “E.T.”, “Caçadores da Arca Perdida”, “Jurassic Park”, “A Lista de Schindler”, “Super-Homem” e “Esqueceram de Mim”, além de vários filmes das séries “Harry Potter” e “Indiana Jones”. Williams é, sem dúvida, o mais famoso e celebrado compositor de trilhas sonoras da história do cinema.

“A Música de John Williams” não é um documentário, mas um tributo, com uma procissão de amigos e colaboradores disputando para ver quem fala a frase mais elogiosa e cheia de sacarina. A lista é imensa: os cineastas Steven Spielberg, George Lucas, JJ Abrams, Ron Howard, James Mangold, instrumentistas e regentes como Anne-Sophie Mutter, Yo-Yo Ma, Itzhak Perlman e Gustavo Dudamel, e críticos como Alex Ross e Elvis Mitchell se revezam explicando por que John Williams é o que é.
Se você não sofre de diabetes e consegue aguentar 105 minutos disso, parabéns. Para mim, o filme vale mesmo pelas revelações sobre a carreira de John Williams pré-Spielberg e pelas imagens de arquivo de gravações de suas trilhas com algumas das orquestras mais importantes do mundo.
John Williams e Steven Spielberg começaram a trabalhar juntos em 1974 em “Louca Escapada”, estreia do cineasta no cinema (antes ele havia dirigido vários filmes para TV, incluindo “Encurralado”). No ano seguinte, Williams fez o minimalista e marcante tema de “Tubarão”, primeiro grande sucesso da carreira de Spielberg. Desde então, Williams só não trabalhou em cinco filmes dirigidos por Spielberg.
Quando conheceu Spielberg, John Williams já tinha uma carreira de sucesso na TV e no cinema. Ele havia gravado discos de jazz nos anos 1950, composto temas para séries famosas da TV como “Perdidos no Espaço” e “Terra de Gigantes” e levado um Oscar pelo filme “Um Violinista no Telhado” (1971). Mas as parceria com Spielberg e depois com George Lucas mudariam sua carreira. “Tubarão” lhe valeu o segundo Oscar, seguido por outra estatueta por “Guerra nas Estrelas”. Até hoje, John Williams foi indicado ao Oscar 54 vezes, só perdendo para Walt Disney. Ganhou cinco Oscars e 26 Grammys.
O filme mais marcante da carreira de John Williams foi “Guerra nas Estrelas”. O compositor diz que, até então, não havia conseguido gravar uma trilha sonora com uma orquestra completa, mas que o produtor Gary Kurtz decidiu arriscar e contratou os serviços caríssimos da Orquestra Sinfônica de Londres. O documentário mostra uma cena maravilhosa de Williams regendo a Sinfônica na gravação do famoso tema de abertura de “Guerra nas Estrelas”. A trilha sonora chegou ao topo das paradas e, desde então, John Williams nunca mais teve de pedir nada. O que ele quer, os produtores dão um jeito de conseguir.
“A Música de John Williams” vale pelo rico material de arquivo de Spielberg e George Lucas. É muito legal ver imagens de bastidores da composição e gravação de alguns dos temas musicais mais famosos do cinema. E quando os elogios e confete começarem a desafiar sua paciência, sugiro adiantar o filme até a cena de arquivo seguinte.
Um ótimo dia a todas e todos.
10 comentários em "Filme celebra (sem parar!) John Williams"
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Barça, vc acha Steven Spielberg um cineasta superestimado ? Vi pouca coisa dele recente, meu preferido (dos que assisti dele) continua sendo Duel.
Mesma coisa que acho do John Williams: é mestre no que faz, mas eu não sou fã do que ele faz. Spielberg quando dá pra ser meloso, sai de baixo.
Sim, o filme é muito meloso. Concordo 100%.
Williams teve a sorte de nascer americano e fazer cinema americano pop, pop é a grande características da maioria dos filmes que ele musicou. Sem sombra de dúvidas ele é um compositor, orquestrador da pesada, mas tanto quanto ele também foram Elmer Bernstein, David Raksin,
Erich Korngold e muitos outros… isso pra não citar os europeus.
A música de Williams é tão grande quanto os orçamentos e campanhas publicitárias dos filmes que ele fez.
#polemico
Acho que ele faz muito bem o que faz. Eu é que não gosto muito do que ele faz, mas isso é uma questão pessoal minha. Não dá pra negar o talento dele.
Pessoal, um filme chapa branca? Sim. Mas estamos falando de John Willians. Mas do que todas as trilhas com Spilberg e Lucas, John fez brilhar no cinema Um violinista no Telhado. Inova no que já era um clássico da Broadway. Ganha o Oscar de Melhor Canção Original e Trilha Sonora Adaptada. ET tem uma trilha que estimula e comovo, como deveria ser para um filme que trata do encontro entre o diverso e as tensões geradas. Schindler’s List nos faz morrer várias vezes ao longo do filme. Sim, é açucarado, mas é para John Williams. Vale a glicose e algumas lágrimas.
Claro que o cara é o rei de cocada preta, mas até pra nível de sacarina do Spielberg o filme é meloso.
Agora de manhã baixei o documentário ‘The life and deaths of Christopher Lee’, sobre meu ator favorito. Na descrição já achei que esse filme do John Williams ia ser, digamos, laudatório demais para ser objetivo. Mas é só eu ter um sábado ou domingo de manhã livres que eu não resisto e acabo vendo. Como comparação, é tão bom quanto o documentário do Morricone, que é quase 100% elogioso mas pelo menos contextualiza o que ele faz?
Sim, parece bastante o do Morricone, no sentido de que é um apanhadão da carreira.
Realmente, o filme é celebratório demais, mas algumas cenas salvam. Muito legal o Spielberg dizendo que achou que o John Williams estava brincando com ele quando mostrou a trilha de Tubarão com apenas 2 notas…rs
Muito legal mesmo!