Entrevista: Jerry Cantrell (Alice in Chains)
Um nome fundamental do rock das últimas quatro décadas está voltando ao Brasil: Jerry Cantrell, guitarrista e cantor da banda norte-americana Alice in Chains, fará show único na Audio, em São Paulo, em 12 de novembro. A apresentação faz parte da turnê de lançamento do mais recente álbum solo de Cantrell, “I Want Blood”. É o quinto disco que o guitarrista lança fora do trabalho com o Alice in Chains e o primeiro em três anos (“Brighten”, é de 2021). “Entre ‘Brighten’ e o disco anterior, foram quase 20 anos”, diz Cantrell, “Mas assim que eu terminei a turnê de ‘Brighten’, imediatamente comecei a trabalhar no novo disco. Não sei o que aconteceu, eu me senti numa fase muito criativa e praticamente emendei um disco no outro. Foi excelente”.
Cantrell tem 58 anos e é um baluarte do movimento “grunge”, a notável geração de bandas que surgiu no fim dos anos 1980 na região de Seattle, estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos, que revelou, além do Alice in Chains, nomes como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Mudhoney. “Era uma cena muito ativa e amigável”, lembra Cantrell. “Todo mundo tocava com todo mundo e era amigo. Íamos aos mesmos shows e ouvíamos as mesmas coisas: punk, metal, rock de garagem. Cada um, à sua maneira, fez o seu estilo de rock pesado. Não podemos esquecer que Seattle tem uma grande tradição de bandas de rock, de Hendrix a Heart, passando por The Sonics e Queensryche. Tínhamos um legado imenso para continuar”.
No show de São Paulo, Cantrell vai tocar várias músicas do disco novo, mas não deixará de lado clássicos do Alice in Chains. “Sei que nossa música marcou muita gente, e as pessoas que vão a meus shows gostam de ouvir suas músicas prediletas do Alice. Mas tenho tocado as músicas novas ao vivo, e a reação tem sido extraordinária, com todo mundo curtindo e ouvindo com atenção meu novo trabalho. Não é aquele momento do show para ir ao banheiro ou pegar cerveja, pode estar certo! (Risos)”
Cantrell já tocou algumas vezes com o Alice in Chains no Brasil, mas apenas uma com a formação clássica da banda. Foi em 1993, quando o grupo veio com o cantor Layne Staley, o baixista Mike Inez e o baterista Sean Kinney. Staley morreu em 2002, aos 34 anos, de uma overdose de heroína e cocaína. Não foi a única tragédia com integrantes de banda: em 2011, o ex-baixista do grupo, Mike Starr, também morreu de overdose, aos 44 anos.
Cantrell diz ser grato pela obsessão que os fãs demonstram pelo Alice in Chains. “Acho que somos uma banda que sempre se arriscou musicalmente. Fizemos discos diferentes e inesperados. Não é toda banda que lança dois EPs acústicos como nós (“Sap”,de 1992, e “Jar of Flies”, de 1994). Isso poderia parecer suicídio comercial e não fazer muito sentido no papel, mas era o que queríamos fazer na época. Acho que isso nos libertou para tentar coisas diferentes. O público aprendeu a curtir nosso lado pesado junto com nossa faceta mais acústica. Nossos fãs nos viam de um jeito mais amplo e não sabiam o que esperar. Muita gente pegou o bonde com a gente e embarcou em nossa viagem”.
O músico diz que não pode esperar até subir no palco na América do Sul (ele toca em 8/11 em Santiago, no Chile, 10/11 em Buenos Aires, na Argentina, e dia 12 em São Paulo): “Não há nada como tocar aí. Sabe, não é em todo lugar do mundo que você ouve os fãs cantando todas as notas do seu solo de guitarra, é uma coisa muito especial. Eu não vejo isso acontecendo muito nos Estados Unidos, talvez porque eu toque muito aqui e os fãs já estejam um pouco entediados de me ver! (Risos) Mas falando sério, a conexão que temos com o público brasileiro e sul-americano em geral é uma coisa única”.
Um ótimo fim de semana todas e todos!
15 comentários em "Entrevista: Jerry Cantrell (Alice in Chains)"
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Eu estava na aponteose Hollywood rock…foi massa pra……c@@@@@….. Grande saudade do layne mas vida que segue. William é muito importante pra banda muito mais ajudando o Jerry na guitarra do que vocais. É controverso mas ele ajuda muito a manter a banda viva…..sou muito fã.
Perdi esse show, mas vi no exterior.
Uma entrevista dessa me deixa muito satisfeito. É gratificante ver o Jerry firme e forte, tanto na carreira solo quanto com o AIC, que, por sinal, já está com essa formação atual há mais tempo do que a clássica durou. Os três álbuns dessa “nova” fase são de altíssimo nível, assim como os trabalhos solos do Jerry Cantrell. Muito bom!
Valeu demais!
Gostei bastante do I Want Blood. André, você curte o Alice in Chains com o William DuVall nos vocais?
Confesso que não prestei muita atenção aos discos pós-Staley. Valem?
Gosto bastante do The Devil Put Dinosaurs Here e do Rainier Fog.
Boa, ouvirei.
Jerry parece ser um cara super tranquilo e gente boa, além de um puta guistarrista. Sou muito fã do AIC e tenho toda a discografia (acho os álbuns mais recentes excelentes).
Tu estava no show de 93, André?
Não, eu morava em Los Angeles. Mas vi AIC ao vivo várias vezes, tem uma foto do Cantrell no meu livro “Barulho 30 Anos”.
Tomara que ele foque na carreira solo que é acima da média das coisas que saem por aí…
Para escutar AIC, aguardem a vinda da banda para estes lados.
Junto com o Nirvana, o AiC foi a banda que eu mais ouvi e ouço daquela época. O acustico deles na MTV foi o melhor da série.
Disco novo está muito bom, e certamente estarei no show!!
André, eu sempre achei o Alice in Chains a banda mais Heavy Metal do Grunge, tanto no som quanto na temática das letras, gosto muito do grupo e vou fazer uma audição do trabalho solo do Jerry, que merece!!!!
Também acho a banda mais “metal” daquela turma.