“O Jogador”: jóia esquecida da Nova Hollywood
Lá vou eu de novo elogiar a plataforma Filmicca (sem nenhum tipo de relação comercial, claro!), mas a programação deles merece aplausos: acaba de entrar um filme tão raro quanto sensacional: “O Jogador” (“The Gambler”), que Karel Reisz dirigiu nos Estados Unidos em 1974. É um dos grandes filmes esquecidos da Nova Hollywood, embora o diretor seja um tcheco-britânico que fazia sua estreia no cinema norte-americano.
Reisz (1926-2002) tem uma história de vida incrível: perdeu os pais no campo de concentração nazista de Auschwitz e foi uma das 669 crianças judias salvas em 1938 pelo filantropo Sir Nicholas George Winton, que financiou o transporte delas de trem e barco até a Inglaterra. Reisz tinha 12 anos e não falava uma palavra de inglês. Uma década depois, no fim dos anos 1940, já era um nome de destaque na crítica de cinema britânica, tendo fundado a influente revista “Sequence”.

Reisz foi um dos maiores teóricos do cinema documental na Europa. Seu livro “O Guia da Montagem de Filmes”, lançado em 1953, influenciou incontáveis cineastas a tentar seus primeiros filmes. Reisz fundou, com Lindsay Anderson e Tony Richardson, o movimento do “Cinema Livre” na Inglaterra, que defendia um cinema barato, anticonvencional e sem amarras comerciais (o Dogma 95, de Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, claramente se inspirou neles).
Em 1960, Reisz dirigiu “Saturday Night and Sunday Morning”, um marco do cinema realista inglês e o filme que revelou ao mundo o talento dramático de Albert Finney, que também atuou no segundo filme do cineasta, o drama criminal “Night Must Fall” (1964).
A exemplo de outros talentosos diretores europeus, como Roman Polanski, John Schlesinger e Milos Forman, Karel Reisz foi seduzido por Hollywood com a promessa de trabalhar em melhores condições financeiras, e em 1974 filmou “The Gambler”, primeiro roteiro de James Toback (que depois seria indicado a um Oscar pelo roteiro de “Bugsy”, de Barry Levinson).
O filme tem uma das melhores atuações de James Caan. Ele faz Axel Freed, um professor de literatura em Nova York que sofre de um incontrolável vício em jogo. Axel deve uma grana preta a um agiota (Paul Sorvino) e recorre à família rica para pagar suas dívidas, para consternação da namorada, Billie (Lauren Hutton). “O Jogador” foi refilmado em 2014, com Mark Wahlberg, mas não vi essa belezinha. James Caan sempre disse que o original era um de seus filmes favoritos entre os títulos em que atuou. Simplesmente ASSISTA.
Depois de “O Jogador”, Reisz ainda fez em Hollywood “Who’ll Stop the Rain” (1978), drama de guerra em que Nick Nolte faz um fuzileiro naval que contrabandeia heroína para os Estados Unidos. Eu gosto desse filme, mas devo ser a única pessoa no mundo, porque afundou na bilheteria e fez Reisz voltar à Europa, onde teve seu grande momento comercial com “A Mulher do Tenente Francês” (1981), com Meryl Streep.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
25 comentários em "“O Jogador”: jóia esquecida da Nova Hollywood"
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Fala André, que filmaço!
Não tinha assistido, mas gostei demais. Tem o jovem James Woods fazendo uma ponta no filme.
Se em Thief, o James Caan arrebenta, nesse não deixa por menos. Agora é correr atrás de mais filmes com ele
Abraço!
Que bom que gostou, amo esse filme.
Fala, xará! Parabéns pelo site novo!
Peguei de você o vício na Nova Hollywood. Tenho visto muitas das dicas suas nos últimos anos.
Um dia, se der, escreva sobre o NIGHT MOVES (1975), do Arthur Penn, com um sempre espetacular Gene Hackman. Um filmaço (im)perfeito em suas (im)perfeições… como (quase) toda a Nova Hollywood…
Abraço!
Tenho o DVD desse filme, adoro.
Filmaço mesmo, Barcinski!
Tá numa das caixas de cinema policial da Versátil. Agora vou ver Who´ll Stop the Rain.
Site novo tá um espetáculo. Parabéns!
Legal que tá gostando!
O site novo ficou ótimo, André! Só uma pequena correção: quem dirigiu Bugsy foi Barry Levinson. Warren Beatty estrelou o filme e foi um dos produtores.
Putz, verdade, tem razão, não sei por que achei que era do Beatty.
André, ainda não vi o filme, mas pretendo fazê-lo depois de cumprir com minhas obrigações de cidadão no próximo domingo, até porque ver o James Caan em cena é sempre muito bom!!!!
Talvez O jogador tenha ficado meio de lado por causa da concorrência pesada na época, em termos de quantidade e qualidade no Cinema, tivesse sido feito há uns seis ou sete anos mais tarde, talvez tivesse mais sorte, pelo menos nas grandes premiações…
Cara, muitos filmes sensacionais desse período foram ignorados. Muito filme bom junto!
Filmaço! A Versátil lançou esse filme na caixa Cinema Policial, volume 7.
Que legal, não lembrava.
James Caan era demais… quero muito ver esse e também “Profissão Ladrão”.
Teria o livro ‘O Guia da Montagem de Filmes” inspirado a grande Thelma Schoonmaker, Scorsese e Coppola? Aposto que sim.
Cara, acho que sim, a literatura sobre o tema era bem escassa nos anos 50.
Fala Barça.
Parabéns pelo novo site, está bem bonito abs.
Que bom qu está gostando, Bruno, fico feliz!
Já anotado pra assistir final de semana.
Depois diz o que achou!
André, então tem duas pessoas que gostam de Who’ll Stop The Rain, pois eu também gosto (tenho ele no Box 3 da Nova Hollywood da Versátil). Quanto a The Gambler é maravilhoso (uma vez o remake apareceu em algum streaming como sugestão, mas só de ver a cara do Mark Wahlberg já dispensei).
Não lembrava que a Versátil tinha lançado.
Jóia pura!!! Um clássico com argumento atemporal!
Vale lembrar que o filme é inspirado no livro “O jogador” (1867), do escritor russo Fiódor Dostoiévski.
Então, muitos dizem que sim, mas tenho dúvida se o Toback confirma isso. Mas lembra muito sim.
Muito legal o site novo, André!!
Aos poucos, tô curtindo os cursos que não vi ao vivo.
E o fds vai ser com James Caan 🙂
Que legal, Marcia, depois diz o que achou do filme!