Devo: 50 anos à frente de todo mundo
Hoje, às 20h, teremos um debate imperdível com o grande jornalista e DJ Tom Leão sobre a história do grupo Devo, que anunciou a aposentadoria depois de mais de 50 anos. Sugiro que você não perca, vai ser legal demais.
Queria aproveitar a oportunidade para falar de dois discos que estão completando meio século e são os meus favoritos da banda: falo dos dois volumes de “Hardcore Devo 74-77”.
Os discos saíram em 1990 pela gravadora Rykodisc e reúnem as demos que o Devo registrou num rudimentar gravador Teac de quatro canais no porão do local de ensaio da banda em Akron, estado de Ohio.
Várias faixas foram regravadas depois em discos “oficiais” da banda, como “Mongoloid”, “Jocko Homo”, “Be Stiff” e a robótica versão de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Stones. Mas o Devo nunca conseguiu replicar, em seus LPs, o poder dessas versões minimalistas e abrasivas.
Uma de minhas faixas favoritas é a que abre o primeiro volume: “Mechanical Man”:
Mark Mothersbaugh e Gerald Casale, dois nerds que se encontraram na universidade de Kent State, em Ohio, já tinham a estética e a filosofia do Devo prontas antes mesmo de gravar a primeira música. Essas demos mostram o desejo de criar um tipo de som novo, trilha sonora do conceito da “De-Evolução” que a banda sempre explorou.
O primeiro LP oficial do grupo é o clássico “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!”, gravado na Alemanha em 1977, lançado no ano seguinte e produzido por Brian Eno, depois que David Bowie, que havia se oferecido para produzir, pulou fora do projeto e só passou no estúdio para dar uns pitacos.
É um disco maravilhoso, um marco da new wave, mas quem ouve os dois volumes de “Hardcore Devo” percebe como essa nova sonoridade, por mais estranha que pudesse soar em 1978, era mais polida e comercial que as fitas que a banda gravara no porão.
Não perca o debate de hoje, vamos falar bastante sobre a gênese da banda, suas inspirações e legado. Aguardo vocês!
P.S.: Amanhã publico um texto sobre a grande Gena Rowlands, que se foi semana passada.
Uma ótima semana a todas e todos!
15 comentários em "Devo: 50 anos à frente de todo mundo"
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Ouvi o Hardcore 1 e 2 na sequência e gostei muito, algumas faixas me fizeram lembrar do Sleaford Mods.
Olha, nunca tinha feito essa associação, mas faz sentido.
Bom dia Barça. De uma olhada na página deste loko http://www.devobrasil.com.br/resenhaHC1.php
Que demais que ele gosta do “Hardcore Devo Volume 1” tanto quanto eu.
Acabou de sair (9/Ago) DEVO no Tiny Desk Concert: https://www.youtube.com/watch?v=VKvYRDhPt_0
Tá na fila, não consegui ver ainda!
Barcinski, infelizmente perdi o debate com o Tom Leão. Vai disponibilizar lá no seu canal do YouTube?
Bom dia. Sim, entra em 15 dias, foi super legal. Abraço!
Fala, Barcinski! Esse primeiro álbum do Devo foi produzido pelo Brian Eno no estúdio do Conny Plank em Colônia. Aliás, recomendo demais o documentário “Conny Plank: The potential of noise”, feito pelo filho desse gênio da produção. Inclusive o Gerald Casale é um dos entrevistados!
Sim, falamos bastante sobre esse disco e o Plank na live com o Tom Leão. Abraço!
Adoro DEVO, como diria Zé Ramalho: “Vanguarda da porra!”.
Barça, um OT: Comecei a assisitr “O Rei da TV”, e estou gostando muito… mas cara, aquela cena que o Silvio engana o Manoel de Nóbrega e começa a vender carnês do Baú (cena que deixou o Carlos Alberto indignado), realmente aconteceu?
Adoraria saber se o Sílvio assisitu a série… as filhas assistiram e reclamaram.
Os dois tiveram muitos problemas no início por causa do Baú, e o Silvio tomou decisões à revelia do Nóbrega. Sobre familiares e amigos não gostarem da série, acho normal, eu estranharia se eles não reclamassem. Abraço.
Imaginei… e é como tu disse uma vez, o Sílvio controlou a história da vida dele, e como todo cara poderoso, tentou reescrevê-la.
A série é muito boa, e as atuações estão demais… o Chachá está muito bem, e a atriz que interpretou a dona que casa qua vai pagar a prestação do carnê e implora pro Sílvio não acabar com o Baú foi arrasadora.
Existe a possibilidade de uma terceira temporada?
Infelizmente, acho que não, a Disney nunca mencionou a possibilidade de uma terceira temporada. Eu adoraria fazer um spin-off do Gugu, por exemplo, imagina?
Bah… seria incrível!