ago/2024

Vamos celebrar Gena Rowlands!

Por André Barcinski

Vamos celebrar Gena Rowlands!

Por André Barcinski

Gena Rowlands se foi, aos 94. E para todos nós que admiramos o cinema autoral e alternativo, ela foi uma heroína.

Junto com John Cassavetes – com quem foi casada por 35 anos, até a morte dele, em 1989 – e uma trupe fabulosa de atores que incluía Ben Gazarra, Peter Falk, Seymour Cassell e outros, Gena ajudou a inventar o cinema independente norte-americano.

John e Gena

Cassavetes pegava a grana que ganhava atuando em grandes produções como “Os Doze Condenados” e “O Bebê de Rosemary” e financiava filmes baratos e que revolucionaram o cinema americano.

Gena atuou em dez filmes dirigidos por John. Infelizmente, apenas um deles, “Uma Mulher Sob Influência” (1974) está disponível no streaming no Brasil, nas plataformas Looke e Netmovies. Achei três filmes no Youtube, com legendas em português, e recomendo que você assista para conhecer aquela que foi certamente a mais inovadora e influente parceria criativa entre um cineasta e uma atriz no cinema.

Em ordem cronológica:

Faces (1968)

Cassavetes importa para a América o estilo documental dos filmes que Godard, Chabrol, Rivette, Varda e Truffaut estavam fazendo na Nova Onda do Cinema Francês e faz um relato doloroso de um casamento em ruínas. John Marley – sim, o produtor de cinema que acorda e descobre a cabeça decepada de seu cavalo premiado em “O Poderoso Chefão” – e Lynn Carlin interpretam o casal que não consegue mais viver junto. Carlin era secretária de Robert Altman, quando foi vista por Cassavetes e convidada para o principal papel feminino do filme. Acabou se tornando a primeira não-profissional a receber uma indicação ao Oscar. “Faces” recebeu duas outras indicações ao Oscar: a de melhor ator, para Seymour Cassel, e melhor roteiro, para Cassavetes.

Minnie and Moskowitz (1971)

Um de meus filmes prediletos, é uma comédia romântica com toques sombrios sobre um improvável romance entre uma mulher classuda e culta, curadora de um museu (Gena Rowlands) e um pobretão que trabalha no estacionamento de um restaurante (Seymour Cassel). Foi um dos poucos filmes de Cassavetes que não foi bancado do próprio bolso dele, mas pela Universal, tentando repetir o sucesso que obtivera com o baratíssimo mas ultralucrativo “Sem Destino”. O estúdio bancou alguns filmes de orçamentos abaixo de 1 milhão de dólares, incluindo “Minnie and Moskowitz” e “Taking Off”, primeiro filme norte-americano do tcheco Milos Forman. Atenção: a legenda do filme não está perfeita, mas dá para assistir:

Uma Mulher Sob Influência (1974)

Rowlands tem uma as maiores atuações da história do cinema nesse drama pesado sobre uma mulher desequilibrada e cheia de problemas com bebida que tenta, à maneira dela, não deixar ruir o casamento com um operário de construção civil, interpretado por Peter Falk. Cassavetes escreveu a história originalmente para uma peça, mas o texto era tão pesado que Gena se disse emocionalmente incapaz de interpretar aquela personagem toda noite num palco, e Cassavetes adaptou a trama para um filme. Nenhum estúdio quis tocar naquele material, e o casou hipotecou a própria casa para bancar parte da produção. O restante foi emprestado pelo ator Peter Falk. Quando o filme ficou pronto, nenhuma distribuidora quis lançá-lo, forçando Cassavetes a ir pessoalmente de cinema em cinema, implorando para que o exibissem. “Uma Mulher Sob Influência” foi mostrado em cinemas de arte e cineclubes universitários, mas depois entrou em várias listas de melhores filmes do ano e acabou indicado a dois Oscar (melhor atriz e melhor diretor) e quatro Globos de Ouro, com Gena Rowlands levando o troféu de melhor atriz.  

Um ótimo dia a todas e todos.

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