ago/2024

Cinco grandes filmes de locais vs. forasteiros

Por André Barcinski

Cinco grandes filmes de locais vs. forasteiros

Por André Barcinski

Ótima dica do assinante Ira Carlovich: a plataforma MUBI exibe “As Bestas” (2022), do espanhol Rodrigo Sorogoyen, um comovente suspense sobre um casal de agricultores franceses que é alvo de preconceitos e violência de seus vizinhos espanhóis na região da Galícia, na Espanha.

A história gira em torno de um casal de meia-idade, Olga (Marina Foïs) e Antoine (Denis Ménochet) que se muda para um vilarejo na Espanha com a ideia de plantar tomates e criar ovelhas (você conhece Ménochet da antológica cena inicial de “Bastardos Inglórios”, de Tarantino, ele é o camponês francês que esconde a família judia).

Antoine é muito diferente dos habitantes locais. Culto e bem educado, tem dificuldade para se relacionar com os vizinhos, homens brutos e sem estudo, que carregam velhos preconceitos contra “forasteiros”. A pobreza da comunidade colabora para o acirramento das tensões, especialmente depois que Antoine e Olga têm sucesso em suas colheitas.

“As Bestas” é um filme especial. Extremamente bem escrito, dirigido e atuado, traz um clima de tensão crescente e consegue traçar um panorama muito rico de uma localidade e seus habitantes. É um dos melhores filmes espanhóis que vejo em muito tempo.

Também é representante de um subgênero cinematográfico que sempre rendeu bons filmes: o de “forasteiros” em conflito com “locais”. Selecionei outras quatro grandes obras que exploram o mesmo tema. Curiosamente, os quatro filmes foram produzidos na mesma época, entre 1971 e 1973. Não é coincidência: naquele período, auge da Guerra do Vietnã, o mundo discutia questões de “civilização” vs. “barbárie”, e o cinema explorou bastante o tema de pessoas supostamente “civilizadas” às voltas com mundos hostis e que não aceitavam suas presenças.

Em ordem de lançamento:

Pelos Caminhos do Inferno / Wake in Fright (Ted Kotcheff, 1971) Filme marcante da Nova Onda do Cinema Australiano dos anos 70, que revelou diretores que depois fariam sucesso em Hollywood, como Peter Weir e George Miller, “Wake in Fright” é muito, mas muito perturbador e violento. Conta a história de um professor que chega a uma cidade aparentemente pacata, mas que se revela uma meca de psicopatas. Kotcheff deois faria o primeiro “Rambo” e, acredite, a comédia “Um Morto Muito Louco”. “Wake in Fright” está inteiro no Youtube, legendado em português.

Sob o Domínio do Medo / Straw Dogs (Sam Peckinpah, 1971) Dustin Hoffman faz um pacato matemático que se muda com a jovem esposa (a linda e sexy Susan George) para uma isolada vila na Cornualha, extremo sudoeste da Inglaterra, terra natal da esposa. A presença do casal atiça os locais, especialmente um brutamontes, ex-namorado da esposa. A coisa não acaba nada bem. Um dos filmes mais pesados de Sam Peckinpah, o que não é pouca coisa. Só achei numa cópia dublada (a voz de Hoffman tá engraçada demais) e cortada:

Amargo Pesadelo / Deliverance (John Boorman, 1972) O australiano Boorman acabou com as férias de várias gerações ao dirigir esse filme pesadíssimo sobre quatro amigos que decidem acampar nas florestas da Geórgia, sul dos Estados Unidos, e acabam alvos do sadismo de alguns locais. Está no Max, Looke e Netmovies, e pode ser alugado na Apple TV e Google Play.

O Homem de Palha / The Wicker Man (Robin Hardy, 1973) Um policial (Edward Woodward) vai de hidroavião a uma remotíssima ilha na costa da Escócia para investigar o desaparecimento de uma menina. A paz e beleza do local escondem, no entanto, muitos mistérios: o policial percebe que os habitantes dessa sonolenta ilha praticam rituais antigos de paganismo, liderados por uma figura esquisitíssima chamada Lord Summerisle, interpretada por ninguém menos que Christopher Lee. Uma obra-prima. Disponível na Oldflix.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

14 comentários em "Cinco grandes filmes de locais vs. forasteiros"

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