jul/2024

Aventuras e comédias pra ver nas férias

Por André Barcinski

Aventuras e comédias pra ver nas férias

Por André Barcinski

O jornal “Gazeta do Povo” pediu que eu listasse três grandes filmes de aventura e três ótimas comédias para ver com família nessas férias. O desafio foi pensar em seis filmes que pudessem ser apreciados por toda a família, sem restrição de idade. Acho que cheguei a uma seleção muito boa:

FILMES DE AVENTURA

Dersu Uzala (Akira Kurosawa, 1975)

No início dos anos 70, o grande mestre do cinema japonês, Akira Kurosawa, estava numa pior. Seus filmes eram considerados “ultrapassados” pelo público japonês, e ele tinha cada vez mais dificuldade em conseguir financiamento no Japão. A solução foi buscar dinheiro na União Soviética, que financiou boa parte de “Dersu Uzala”, único filme de Kurosawa não falado em japonês, um clássico sobre a amizade entre um cartógrafo do exército, Vladimir Arsenyev (Yuri Solomin), e um humilde caçador, Dersu Uzala (Maxim Munzuk), no início da década de 1900. Cheio de imagens deslumbrantes das estepes russas e sequências de aventura de tirar o fôlego (especialmente uma tempestade de neve que está entre as coisas mais lindas já filmadas por Kurosawa), “Dersu Uzala” é garantia de diversão e emoção.

Disponível: Belas Artes à la Carte, Youtube

Lawrence da Arábia (David Lean, 1962)

Ninguém filmou épicos como o inglês David Lean. De “Doutor Jivago” a “A Ponte do Rio Kwai”, passando por “A Filha de Ryan” e “Passagem para a Índia”, Lean tem uma destreza impressionante para combinar histórias comoventes com paisagens inesquecíveis. E “Lawrence da Arábia” é sua obra-prima, um filme grandioso que conta a história de T.E. Lawrence (Peter O’Toole), um arqueólogo e militar britânico que ajuda o Príncipe Faisal (Alec Guiness) em suas batalhas contra os turcos, na época da Primeira Guerra Mundial, em meio aos cenários desérticos do Norte da África e Oriente Médio. O filme tem quase quatro horas de duração, mas você nem sente o tempo passar, de tantas sequências lindas e emocionantes.

Disponível para locação na Apple TV, Google Play, Microsoft, Amazon

Conta Comigo (Rob Reiner, 1986)

Em 1959, numa área rural do Oregon, noroeste dos Estados Unidos, quatro crianças, amigos do bairro, saem pela floresta numa expedição para tentar achar outro menino, desaparecido. É assim que começa “Conta Comigo”, um dos mais comoventes filmes feitos sobre a amizade juvenil. Adaptado de uma história de Stephen King, o filme emocionou plateias em todo o mundo e revelou atores que marcariam época, como River Phoenix, Corey Feldman e Jerry O’Connell. O filme combina aventuras à Mark Twain, com crianças explorando a natureza misteriosa, e uma pitada de humor sombrio, marca das histórias de Stephen King. Um grande filme que a família toda pode curtir.

Disponível na Netflix, e para locação na Claro Video, Amazon, Google Play e Microsoft

COMÉDIAS

Os Safados (Frank Oz, 1988)

Um dos filmes mais engraçados já feitos. Michael Caine faz Lawrence Jameson, um picareta de alta classe especializado em dar golpes em idosas milionárias que passam as férias na Riviera Francesa, quando tem sua vida atrapalhada pela chegada em cena de Freddy Benson (Steve Martin), um trambiqueiro de terceira categoria que ameaça os negócios de Jameson. Os dois fazem uma aposta: quem conseguir arrancar uma grana de uma rica herdeira de um império de fábrica de pastas de dente, Janet Colgate (Glenne Headley), fica com a Riviera toda para si.

“Os Safados” é refilmagem de “Bedtime Story” (Ralph Levy, 1964), em que David Niven e Marlon Brando faziam os papéis que depois ficariam, respectivamente, com Michael Caine e Steve Martin. Mas a refilmagem – caso raro – é infinitamente mais engraçada, até pela química impressionante entre Caine e Martin.

Disponível no MGM+ e para locação na Apple TV, Google Play e Amazon

O Circo (Charles Chaplin, 1928)

Escolher o melhor filme de Chaplin é difícil, tantas são as obras-primas dirigidas por ele. Se você quer se emocionar, não é fácil superar “O Garoto” (1921) ou “Luzes da Cidade” (1931). Se quiser rir, “Em Busca do Ouro” (1925) é uma ótima opção. Um filme menos falado, mas que certamente figura entre os grandes feitos de Chaplin é “O Circo”. Periga ser a sua obra mais engraçada, e é um prodígio de técnica e inventividade cinematográfica.

“O Circo” foi a filmagem mais atribulada da carreira de Chaplin. Um incêndio no estúdio, a morte da mãe de Chaplin, e o pedido de divórcio da atriz Lita Grey, segunda esposa do cineasta, atrasaram o fim das filmagens em quase um ano. Mas o resultado compensou: o filme tem algumas das sequências mais hilariantes criadas pelo gênio, e o número em que ele tenta se equilibrar numa corda suspensa enquanto é atacado por um exército de macacos figura em qualquer antologia de melhores cenas do cinema mudo.

Disponível na Globoplay e Telecine

Um Peixe Chamado Wanda (Charles Crichton, 1988)

Em 1969, John Cleese era integrante da trupe cômica britânica Monty Python e Michael Crichton era um cineasta consagrado e conhecido por dirigir inúmeras comédias para os estúdios Ealing, incluindo “O Mistério da Torre”, com Alec Guinness. Os dois eram amigos e queriam fazer um filme juntos.

O desejo só se concretizou quase vinte anos depois, quando Crichton já tinha 78 anos e não dirigia um filme há mais de uma década. Mas a espera valeu a pena: “Um Peixe Chamado Wanda” era uma joia rara.

O filme parodiava os “thrillers” ingleses dos anos 1960 e 1970 sobre assaltos engenhosos, como “Um Golpe à Italiana” (1969), com Michael Caine, contando a história de uma gangue de bandidos que executa um perfeito roubo de joias e depois se esfacela quando todos começam a trair os companheiros.

Cleese escalou para o papel de um dos bandidos seu chapa no Monty Python, Michael Palin (que faz um delinquente gago e amante de animais), e também chamou o engraçadíssimo Kevin Kline (que ganhou um Oscar pelo filme) e a sensual e divertida Jamie Lee Curtis. Kline e Curtis interpretam um casal de amantes que tenta ficar com as joias. Cleese faz Archie Leach, um advogado careta que cai de amores pela personagem de Curtis (“Archie Leach” é o nome verdadeiro de Cary Grant, ator que Cleese quis homenagear nesse filme).

Extremamente bem escrito e atuado, “Um Peixe Chamado Wanda” é um deleite, uma comédia para adultos que mistura comédia física (Cleese está engraçado DEMAIS) com um texto irretocável.

Disponível na MGM+ e para locação na Apple TV e Amazon.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

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