A explosão do movimento grunge, no início dos anos 90, foi tão avassaladora que abarcou bandas que não tinham nada a ver com o som de Nirvana, Pearl Jam ou Soundgarden. E o Buffalo Tom é um dos maiores exemplos.
Cansei de ver o BT incluído em listas de “grandes bandas do grunge”. Tudo bem, os caras usavam camisa de flanela e estouraram na mesma época do Mudhoney, mas as semelhanças param por aí.
Se o grunge surgiu na região de Seattle, costa oeste dos Estados Unidos, o Buffalo Tom nasceu do outro lado do país, em Boston, na costa leste. E o som não devia tanto às bandas que influenciaram o grunge, como o Black Sabbath e o Black Flag, mas bebia da fonte do punk emo de Hüsker Dü e Replacements.
A turma que nasceu com o Buffalo Tom na região de Boston e adjacências incluía grandes bandas como Pixies, Dinosaur Jr., Lemonheads e Bullet Lavolta. Em seu início, o BT fazia, basicamente, um hardcore melódico com refrãos para cantar junto, mas a banda foi incorporando elementos do rock rural americano (Tom Petty, Creedence) e criou um som único, que deve tanto ao punk rock quanto a John Fogerty. O nome da banda é uma brincadeira com a obsessão do baterista, Tom Maginnis, com o Buffalo Springfield, banda de country-rock que tinha Neil Young e Stephen Stills.
O Buffalo Tom tem, desde 1986, a mesma formação: além do já citado Tom na bateria, o vocalista e guitarrista Bill Janovitz e o baixista e cantor Chris Colbourn. Os três se conheceram na Universidade de Massachusetts. Até meados dos anos 90, a banda emplacou vários hits em rádios alternativas, como “Tailights Fade”, “Sodajerk” e “Summer”, passou dez anos sem gravar, ressuscitou no fim da década de 2000 e agora lança o décimo álbum da carreira – e um de seus melhores: “Jump Rope”.
Veja o clipe do single “Helmet”:
Buffalo Tom faz parte de uma lista de bandas que nunca explodiram comercialmente, mas que têm carreiras longas, um repertório vasto e um fã-clube seleto e obsessivo. Coloco nessa lista nomes como Teenage Fanclub, New Model Army e Mudhoney. São bandas que não enchem estádios, mas têm grande relevância artística e histórica.
Tenho ouvido “Jump Rope” sem parar, e minha música predileta, por enquanto, é “Pine for You”, uma baladona folk que deixaria Tom Petty ou o REM orgulhosos. Ouçam:
Um ótimo dia a todos.
27 comentários em "Buffalo Tom lançou um discaço"
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Logo quando saiu no Brasil, ouvia o Smiteen o tempo todo. Músicas como Rachael e Scottish Windows são dois exemplos de canções que expressam o mix de bons riffs com reforões pop ganchudos.
Boa tarde, André. Uma banda das mesma época e que nunca vi você falar sobre é o Guided By Voices. Não gosta do som deles? Até hoje os caras lançam dois, três discos por ano, e estão cada vez melhores.
Gosto muito, apesar de o Bob Pollard ser um mala sem alça.
Já que o assunto é “Buffalo”, queria muito ver um texto seu sobre o Grant Lee Buffalo, uma das bandas da década de 90 mais altamente subestimadas, com uma discografia de qualidade altamente fodástica. Meu favorito é o álbum “Mighty Joe Moon”, clássico esquecido dos anos 90
Ótima sugestão, vou pensar em algo sobre bandas desconhecidas dos 90, que tal?
Excelente ideia! Aguardarei ansiosamente, obrigado
Até hoje o povo confundo os Buffalos, tava falando sobre o Mighty Joe Moon pruns amigos esses dias e um deles achou que eu tava falando de Buffalo Tom, rará
Por sua indicação, comprei ontem a coletâena “A – Sides” do Buffalo Tom, por inacreditávies R$15,00. Não ouvi ainda, mas estou ansioso.
Que pechincha!
Barça, há muitos anos não ouvia o Buffalo Tom, boa lembrança 😉
Na linha das baladas folk, vc lembra (ou conhece) a “My Friend the Sun”, do Family, uma banda inglesa do início dos 70, com o incrível Roger Chapman nos vocais e o fantástico futuro King Crimson John Wetton no baixo? Deliciosa música.
Não conheço, muito obrigado pela dica, ouvirei.
Reto percussivamente… sonzinho de guita fender enqto o sol vai se pondo… uma melodia gostosinha nas linhas de voz…massa a dica. Vlw – bom som pra dançar sozinho.
Bem isso mesmo.
Banda como nome Buffalo só faz música boa.
Bem lembrado.
comecei a ouvir e gostei bastante.
[off-topic] nunca li nada seu sobre a banda TOOL. fui ao show deles anteontem e tô chapado até agora. um espetáculo audiovisual, obra de arte!
escrevi algumas linhas e se nao for permitido aqui, pode deletar: https://aleajactaest.substack.com/p/tool
o que vc acha deles? gosta do estilo?
abracao Barca!
Admiro DEMAIS o Tool, especialmente o batera, o Danny Carey, mas não é muito a minha praia. Mas tenho um primo que é fanático pelos caras, entendo a obsessão. Vou ler seu texto, muito obrigado.
leu mesmo? hehe, o que achou?
Cara, ficou ótimo. Eu nunca vi o Tool ao vivo e deu pra ter uma boa ideia de como é. Quer dizer que o Carey põe uma câmera na bateria pra mostrar como toca bem?
Carey fez isso só em uma música e a sensacao de estar tocando junto ficou muito bem feita. valeu!
Quem é muito fã e sabe tudo de Tool é a Veronica, ex-colaboradora do programa Garagem, do qual Barça fez parte da equipe, e dona do perfil faxinaboa no Instagram. Ela já viu os caras ao vivo várias vezes.
Obs.: ah, Buffalo Tom é maravilhoso!
Fato. Veronica é “a” expert em Tool.
Ouvi o disco todo. Podia ter menos baladas… do meio pro fim ficou um pouco cansativo. Mas é um bom disco sim! E como é bom ver que tem gente das antiga se preocupando em lançar coisa nova com qualidade. Chega dar uma esperança…
Gozado, já eu adorei as baladas. Essa “Pine for You” não para de tocar aqui e casa.
Excelente banda. Barça quando você vai comentar sobre as atrações do IN-EDIT 2024?
Buffalo Tom no Brasil em 2025, eu acredito!
Calmaaaaaaaa!!!!