maio/2024

Um faroeste à frente de seu tempo

Por André Barcinski

Um faroeste à frente de seu tempo

Por André Barcinski

Uma boa alma colocou no Youtube, em ótima qualidade de imagem e com legendas em português, um dos faroestes mais inventivos e surpreendentes feitos em Hollywood: “Consciências Mortas” (“The Ox-Bow Incident”), dirigido por William A. Wellman em 1943.

Revi o filme esses dias e é impressionante que tenha sido feito há mais de 80 anos. É um dos maiores títulos do chamado “faroeste psicológico”, subgênero de filmes que tinham, além das tradicionais cenas de tiroteios e perseguições a cavalo, uma preocupação com o aspecto psicológico dos personagens e em contar histórias com fundo social.

“Consciências Mortas” conta a história de três homens que são acusados de matar um rancheiro e sentenciados à morte por uma turba de caubóis enfurecidos. O elenco é grandioso: Henry Fonda, Dana Andrews e Anthony Quinn, entre outros. O filme lida com questões profundas como racismo, preconceito e o perigo de julgamentos fora da lei. Além de um ótimo filme de ação, é um drama psicológico arrasador.

Vale a pena falar um pouco sobre William A. Wellman: quando fez o filme, ele já era um veterano em Hollywood e dirigia filmes desde o início da década de 1920, ainda no cinema mudo. Aproveitando a experiência como piloto de combate na Primeira Guerra Mundial, Wellman fez o clássico filme de aviação “Wings”, de 1927, vencedor do primeiro Oscar de melhor filme, antes de ficar famoso ao dirigir “Inimigo Público” (1931), com James Cagney, e a primeira versão do musical “Nasce Uma Estrela” (1937).

Wellman sempre fez questão de usar filmes de gênero para tratar de questões sociais, e isso ia de encontro ao que outros cineastas estavam fazendo nos anos 1940, quando vários filmes hollywoodianos passaram a mostrar uma preocupação maior em lidar com questões sociais e humanas. Foi a era do chamado “filme social”, com títulos como “Farrapo Humano” (Billy Wilder, 1945), sobre alcoolismo, ou “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (William Wyler, 1946), sobre a dificuldade de adaptação de veteranos que acabavam de voltar da Segunda Guerra Mundial. Mas o que Wellman fez em “Consciências Mortas” foi impressionante: ele pegou um gênero à época conhecido basicamente como diversão escapista e criou um drama intenso e comovente, que elevou o faroeste a um nível de densidade dramática poucas vezes – talvez nunca – visto antes.

Aqui está, na íntegra, “Consciências Mortas”.

Uma ótima semana a todas e todos.

5 comentários em "Um faroeste à frente de seu tempo"

  • Cara, eu amo o Cine Antiqua! Dias atrás, vi “Máscra de Fgo”, com Peter Lorre. Algum comentário sobre esse filme?
    Vou ver “Consciências Mortas”, o quanto antes.

    RIP Pereio.

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    Joao Gilberto Monteiro

    André, um triste OT: Fiquei sabendo pelo seu Instagram do cancelamento do Maraty, pôxa vida, seria ótimo para a cidade e para o setor cultural como um todo, no que poderia estimular outras iniciativas de tal quilate Brasil afora!!!!
    Imagina o que outros produtores culturais sofrem por aí quando não querem colocar os artistas e ritmos da moda, e sim, dar chances à novos artistas!!!!

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