Morreu esses dias, aos 88 anos, o grande ator M. Emmet Walsh, mais conhecido por papeis coadjuvantes – mas sempre inesquecíveis – em filmes como “Blade Runner” e “Serpico”.
Com sua cara de vilão, Walsh atuou em cerca de 200 filmes, incluindo um de meus prediletos da “Nova Hollywood”: “Straight Time” (1978), de Ulu Grosbard, em que faz um corrupto oficial que cuida da liberdade condicional do detento interpretado por Dustin Hoffman. Achei no Youtube a cena mais incrível do filme (veja até o final!):
Walsh teve papel importante no início da carreira dos Irmãos Coen e atuou nos dois primeiros filmes da dupla: “Gosto de Sangue” (“Blood Simple”, 1984) e “Arizona Nunca Mais” (“Raising Arizona”, 1987). Não via os filmes há mais de 30 anos e fiz uma sessão dupla no fim de semana. Os dois estão no streaming e valem muito seu tempo.
“Gosto de Sangue” é um neo noir de orçamento minúsculo e inventividade em ebulição. Conta a história de um barman (John Getz) que tem um caso com uma mulher (Frances McDormand, grande atriz e esposa de Joel Coen), casa com o dono do bar (Dan Hedaya). Este contrata um detetive particular (M. Emmet Walsh) para matar os dois.
A primeira vez que vi “Gosto de Sangue” foi inesquecível: uma sessão de meia-noite lotada no Rio Cine Festival, em 1985. O filme parecia tão novo e criativo que deixou todo mundo extasiado. A cena capital então, uma sequência sanguinolenta envolvendo uma janela e uma faca, fez o cinema irromper em gritos de aprovação. Bons tempos. O filme está no MUBI.
“Arizona Nunca Mais” está no Star+ e contra a história de um casal (Holly Hunter e Nicolas Cage) que, impossibilitados de ter filhos, decidem sequestrar o bebê de um ricaço. É uma comédia absurda com alguns truques visuais completamente novos em 1987.
Ambos os filmes utilizam bastante um recurso inventado pelos Coen e por um parceiro deles, o ótimo cineasta Sam Raimi (“Evil Dead”): a chamada “Shaky Cam” (“Câmera Sacolejante”), uma câmera montada em cima de uma tábua e carregada por duas pessoas. Na ausência de uma caríssima Steadycam, eles inventaram esse artifício, que possibilitava filmar longos planos-sequência de imagens fluidas e elegantes. Achei no Youtube um vídeo que conta a história da “Shaky Cam” e mostra sequências filmadas pelos Coen e por Sam Raimi.
Enfim, se você gosta de clássicos dos Coen, como “Fargo” e “Onde os Fracos Não Têm Vez”, vale muito a pena conhecer esses dois filmes do início da carreira deles.
Um ótimo feriado a todas e todos. O blog volta segunda, 1º de abril.
5 comentários em "Os primórdios dos Irmãos Coen"
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No Star Plus está disponível Ajuste Final, o terceiro filme dos irmãos Coen. Esse M. Emmet Walsh não atua, mas vale muito a pena assistir.
André, assistiu algum show do Lollapalooza?
Inteiro, só o King Gizzard, achei ótimo.
Assisti GOSTO DE SANGUE em um cineclube em São Paulo e o filme me impressionou demais! Alguns anos depois o revi em casa, acompanhado do meu filho de 10 anos na época, e ele também gostou bastante. A cena que você citou o deixou muito assustado, Barça, mas ele ficou com medo mesmo foi do enterro do cadáver que ainda não era cadáver, uma cena simplesmente sensacional. Meu filho, na sua inocência perspicaz, durante o filme soltou o comentário certeiro com sua voz infantil: “mas esse velho é um FDP, pai!!!”, se referindo ao personagem do grande EMMET. Quanto à LIBERDADE CONDICIONAL, neste filme não tenho olhos para mais nada a não ser para a espetacular THERESA RUSSELL.
Ninguém liga.