jan/2024

“Druk”: beba sem moderação

Por André Barcinski

“Druk”: beba sem moderação

Por André Barcinski

A Netflix e Globoplay exibem um dos filmes mais interessantes e diferentes dos últimos anos: “Druk: Mais Uma Rodada” (2020), do dinamarquês Thomas Vinterberg.

Vinterberg tem 54 anos e fundou, nos anos 90, com o compatriota Lars Von Trier, um movimento cinematográfico chamado Dogma 95, que defendia a volta a um cinema baseado puramente em história e atuações, sem uso de efeitos especiais e tecnologia.

“Druk” é seu 11º longa-metragem, e seus melhores trabalhos tratam das mazelas escondidas por trás do verniz de progresso e “normalidade” da sociedade dinamarquesa.  “Festa de Família” (1998, disponível na plataforma MUBI) conta a celebração do aniversário de um patriarca ricaço que vira um conflito familiar depois que um dos filhos faz um discurso sobre o pai. Em “A Caça” (2012, disponível na Amazon Prime), Mads Mikkelsen interpreta um professor de jardim de infância que é acusado por uma aluna de seis anos de molestá-la sexualmente. São filmes extraordinários e merecem ser vistos.

Em “Druk”, Vinterberg retoma a parceria com Mads Mikkelsen, novamente na pele de um professor, dessa vez de uma escola para adolescentes.  Entediado com o trabalho e com a vida de casado, ele decide, junto a três outros professores da mesma escola, testar na prática a tese de um pesquisador dinamarquês que defende o uso de bebidas alcoólicas para relaxar a mente e o corpo e, assim, melhorar o desempenho profissional e as relações familiares.

Os quatro amigos passam a beber durante o dia e, anotando os níveis de álcool no sangue, analisam a relação entre essas medições e seus desempenhos na escola. Os resultados são surpreendentes.

A exemplo dos outros dois filmes que citei, “Druk” parte de uma situação “normal” – uma escola abonada num bairro de elite na Dinamarca – para falar de questões profundas, como a infelicidade profissional, o tédio da confortável vida escandinava, e a necessidade de uma certa dose de “loucura”, nem que seja para sair da mesmice do dia a dia. É um grande filme e venceu vários prêmios, incluindo o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Um detalhe chocante sobre o filme: durante a pré-produção, Vinterberg perdeu a filha, Ida, morta num acidente de carro. Ele dedicou o filme a ela e rodou-o na escola onde ela estudava, usando vários colegas de classe dela no elenco.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

18 comentários em "“Druk”: beba sem moderação"

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    Marlons De Almeida E Silva

    Filmão. Esse diretor é f*. Já pensou, aqui no brasilzão nosso de cada dia, o povão no geral enchendo a cara para suportar “o tédio de uma vida confortável”? Só tomando umas mesmo pra imaginar isso.

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    Anderson Chalegre

    Gosto muito do Vinterberg. “Festa de Família” é um dos 5 a 10 filmes que, assim como “Incêndios”, “Martyrs” e “Kill List”, adorei, mas nunca mais quero assistir de novo. Acho que os filmes pós-Dogma 95 são meus preferidos. Ele segue um caminho mais universal, muito menos hermético que o Lars Von Trier, por exemplo.

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    Apesar de seu verniz intelectual, DRUK se assemelha muito a um livro de auto ajuda. Sua mensagem moralista é clara: se enquadre na sociedade em que você vive e não questione muito, senão seu destino será a desgraça, a tragédia ou o copo transbordando de cachaça. O único personagem humano do filme, percebendo que para se viver em uma sociedade tão limitante e castradora só enchendo o copo até a boca mesmo, tem um fim nada digno ou digno demais, dependendo de quem vê. Na Dinamarca me parece que o alcoolismo é uma questão de saúde pública no que diz respeito à meia idade e DRUK, bem a calhar, parece ser uma campanha institucional do Governo do país nórdico para tentar conscientizar sua população sobre o problema. VINTERBERG merece perdão por ter feito este abacaxi por causa do espetacular A CAÇA, citado pelo Barça e uma pequena obra-prima desconhecida…

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      Andre Barcinski

      Acho que vimos filmes diferentes. Com exceção do professor de educação física, que não segura a onda e leva a bebedeira a extremos todos os dias, os outros três personagens saem melhores do “experimento”. O professor de música, inclusive, ajuda um aluno tenso a passar de ano ao sugerir que ele tome uma dose pra fazer os exames finais.

      Os personagens TERMINAM o filme numa louca cena de dança, festiva e catártica, com todos bebendo. O Mads Mikkelsen, que consegue a esposa de volta no fim, termina se jogando ao mar, e a imagem congelada dele, ao fim, simboliza, no meu entender, que é preciso uma dose de aventura e risco nessa vida. Não vi absolutamente nada de moralista.

      E “A Caça” não é um “filme desconhecido”. Foi indicado ao Oscar e ganhou o Globo de Ouro, Mikkelsen ganhou melhor ator em Cannes.

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        Cleibsom Carlos Alves Cabral

        Barça, pelo que você descreve, vimos o mesmo filme, sim. O que você disse cabe perfeitamente em um roteiro lacrimejante de campanha institucional contra o alcoolismo, o que DRUK, em minha modesta opinião, é.

        Quanto a cena final, que coisa constrangedora! Me lembrei da dança final de DIRTY DANCING quando a vi, só que enquanto os requebros de JENNIFER GREY e PATRICK SWAYZE, apesar de bregas, eram pelo menos sinceros, na tal cena “catártica” de DRUK só consegui ver artificialidade, forçação de barra e cinismo.

        Já o filme A CAÇA, apesar dos detalhes que você cita, permanece um tesouro desconhecido. As pessoas não sabem quem foi indicado ao Oscar no ano passado e muito menos quem ganhou a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes na última premiação, imagina em uma premiação de mais de 10 anos atrás! Então isso aí não quer dizer nada. O que é uma pena, pois o filme é uma pequena obra-prima e quanto mais pessoas o verem, melhor.

        Vou dar um crédito para VINTERBERG, pois alguém que faz um filmaço como A CAÇA, mesmo que faça uma fuleiragem como DRUK depois, não pode ser de todo ruim e sem talento…

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          Andre Barcinski

          Alguns “Detalhes”: o filme foi indicado ao Oscar e ganhou o Globo de Ouro e prêmios em Cannes.

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    Luiz Santos Resende

    Porra o filme, “A caça” foi power para mim, eu com pai, tio e padrinho que sempre cuidei e cuido até hoje da meninada ao meu redor. Esta menina podia participar de boa de uma nova versão do “Exorcista” nem ia precisar de maquiagem. Excelente “Druk”, mas o álcool é cruel não admiti experimentos sócio psicológicos.

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