nov/2023

Crítica: “Albert Brooks: Rindo da Vida”

Por André Barcinski

Crítica: “Albert Brooks: Rindo da Vida”

Por André Barcinski

Há 50 anos, a HBO vem se notabilizando por produzir e exibir shows de comédia “stand-up”, e nos últimos anos tem tem lançado excelentes documentários sobre alguns dos maiores nomes do humorismo, como Robin Williams, George Carlin, Garry Shandling e Nora Ephron. Some a esses “Albert Brooks: Rindo da Vida”, documentário sobre o genial humorista, ator e roteirista Albert Brooks, que acaba de estrear na HBO Max.

Brooks tem 76 anos e não é tão famoso quanto outros astros da comédia norte-americana (ao menos sua voz é conhecida do grande público americao, depois de fazer Marlin em “Procurando Nemo”), mas, para muitos, é um dos maiores talentos do humor nos últimos 50 anos. Tô com Sharon Stone: “Albert é o caviar da comédia”.

“Rindo da Vida” foi dirigido por outro cara que entende só um pouquinho de comédia: Rob Reiner, diretor de filmes como “Isso é Spinal Tap” e “Harry e Sally: Feitos Um para o Outro”, e filho do lendário Carl Reiner, colaborador e amigo de vida de Mel Brooks. Albert e Rob são chapas há 60 anos e se conheceram na escola, quando Albert ainda usava seu nome de batismo – acreditem, Albert Einstein!

Aos 16 anos, o geniozinho Al foi para a casa dos Reiner e, sem se intimidar, improvisou um esquete cômico que deixou Mel Brooks e Carl Reiner se dobrando de rir. Nascia um mito. Filho de um comediante famoso nos anos 1940 e 1950, conhecido por Parkyakarkus (e que morreu de forma incrível, segundos depois de quase matar o público de rir numa festa que tinha, entre os convidados, ícones do humor como Milton Berle e Lucille Ball), Brooks desenvolveu um estilo próprio, em esquetes que dissecavam e questionavam o próprio humor.

Nenhum comediante foi tão corajoso quanto Albert Brooks. Enquanto seus colegas aperfeiçoavam suas apresentações em pequenos clubes de comédia, testando piadas e esquetes, Brooks não via problema algum em se apresentar nos programas mais populares da TV, como o de Johnny Carson, fazendo quadros quase improvisados e sem ensaio.  “Até ver Albert, eu não sabia que era possível fazer comédia daquela maneira”, diz o humorista Jon Stewart. “Ele é um pensador”, diz Chris Rock. “Um dos maiores da comédia, sem dúvida alguma”.

Albert Brooks não é apenas um grande humorista, mas também um dos atores mais completos do cinema, capaz de fazer papéis dramáticos em grandes filmes como “Taxi Driver”, “Drive” e “Nos Bastidores da Notícia” (este lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante). Também escreveu comédias que influenciaram gerações, como “Real Life” (1979) e “Modern Romance” (1981). Quando viu este filme, Stanley Kubrick ligou para Albert: “Você fez o filme sobre ciúme que eu sempre quis fazer!”

Se você se interessa por comédia, assista a “Rindo da Vida” e, depois, mergulhe nos filmes, discos e aparições de TV de Albert Brooks. É um daqueles raros artistas que revolucionaram sua arte.

Uma ótima semana a todas e todos.

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