Do Arquivo: Alguém aí viu Jaz Coleman?
Jaz Coleman está sumido. De verdade.
O líder e vocalista do Killing Joke não é encontrado há semanas. Preocupados, seus companheiros de banda acabam de cancelar uma turnê com The Cult e The Mission, e dizem estar fazendo de tudo para encontrá-lo (veja aqui a matéria do Pitchfork sobre o sumiço).
Torço para que seja apenas mais uma das maluquices de Coleman e nada mais sério que isso.
Em 2010, quando ele foi condecorado pelo governo francês com a Medalha do Cavaleiro de Artes e Letras, publiquei aqui no blog uma entrevista antiga que havia feito com ele. Confira:
O ano: 1994. O Killing Joke acaba de reformar para alguns shows nos Estados Unidos. A banda estava lançando “Pandemonium”, seu primeiro disco em quatro anos, que marcava a volta do baixista original, Youth.
Na sede da gravadora, encontro o vocalista Jaz Coleman para uma entrevista. Na mesma noite, o grupo faria o primeiro show da turnê americana, no Ritz.
Quem já viu o Killing Joke ao vivo sabe que Coleman é uma presença e tanto. É um sujeito grande, fala alto, e ilustra cada frase com algum gesto de efeito.
Dizem que ele tem um QI quase sobrenatural. Aprendeu a tocar violino aos seis anos, ganhou prêmios como cantor de coros aos 10, e não ouviu rock até os 15. Segundo o próprio, estudou finanças na Suíça e hoje é padre numa igreja na Nova Zelândia.
Nos anos 80, prevendo o apocalipse, Jaz abandonou a Inglaterra e se mudou para a Islândia, onde conheceu alguns locais que, reza a lenda, tentavam criar uma máquina para “filtrar a energia espiritual de multidões”. Algumas dessas pessoas estavam numa banda chamada Theyr, entre elas uma menina chamada Bjork.
Além de inventar o pós-punk e criar a trilha sonora para o fim do mundo com o Killing Joke, banda que influenciou todo o rock industrial e gótico, Coleman tem um trabalho vasto como compositor clássico e gravou diversos discos com orquestras tocando músicas de Led Zeppelin e The Doors.
Coleman está animado: “O show de hoje à noite será uma celebração. Vamos bater os tambores e conclamar os espíritos de nossos ancestrais para um ritual de purificação. Vamos nos purificar de todos os sons nocivos!”
“E o que você considera som nocivo, Sr. Coleman?”, perguntei.
“Ah, tudo que ouvimos por aí hoje em dia… especialmente o britpop!”
“Britpop? É verdade que você se mudou da Inglaterra para fugir do britpop?”
“Não, na verdade eu saí da Inglaterra há mais de dez anos, quando me mudei para a Islândia e depois para a Nova Zelândia. A Inglaterra não me interessa mais há muito tempo. Tem tanta coisa melhor em outras partes do mundo.”
“O que te levou à Islândia?”
“Eu era um estudioso do ocultismo e vivia tendo sonhos com uma ilha no fim do mundo. Cheguei à conclusão, junto com Geordi (guitarrista do Killing Joke), de que aquela ilha era a Islândia. Por isso fomos para lá.”
“E a Islândia era, de fato, a ilha de seus sonhos?” “Acredito que sim. Muitas coisas boas aconteceram lá. Mas não dá pra dizer que o sonho era uma coisa literal. Hoje vejo o sonho mais como um chamado, que me incentivou a mudar de vida.”
9 comentários em "Do Arquivo: Alguém aí viu Jaz Coleman?"
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vi esse maluco e o KJ aqui em Viena em 2018 ou 19. o lugar cabia umas 1000 pessoas, se tanto. quase foi a baixo com a banda. muito bom!
Tenho os álbuns Pandemonium e Democracy do KJ e gosto muito. Qual o teu preferido, André?
Gosto demais dos 4 primeiros e do “Pandemonium”, que é mais metal.
King Gizzard em março em SP…..e no Rio, nada??
Acho que não rola, infelizmente. Eu iria.
Tem uma entrevista bem legal do Coleman no canal Gastão.
Ele já aprontou dessas antes…
https://g1.globo.com/musica/noticia/2012/08/apos-sumico-vocalista-do-killing-joke-e-achado-em-deserto.html
Mudando de assunto, O que acha de:
Indicações ao Grammy
pavement de volta ao Brasil
Guardiola vs Diniz
Barça, blz? Acho que tem um erro aqui “O Killing Joke acaba de reformar para “, não seria “retornar”? Adoro seus textos 🙂
Em 94 era “reformar” mesmo.