The Kills: minimalistas geniais
Domingo à noite, procurando algo para ver e relaxar depois de dez dias sem conseguir dormir devido à final da Libertadores (e depois de assistir 150 vezes ao gol de John Kennedy, claro), encontramos esse show sensacional no Youtube. Já vimos três vezes.
The Kills é uma dupla formada pela vocalista norte-americana Alison “VV” Mosshart e o guitarrista britânico Jamie “Hotel” Hince. Chamá-los de “minimalista” é pouco: eles levam o pop-rock ao extremo da simplicidade: no palco, só os dois. Jamie solta bases percussivas e teclados e toca guitarra por baixo do vocal rasgado e cru de Alison.
Parece simplório, mas o efeito é contagiante. Ao vivo, então, The Kills é das bandas mais empolgantes. É impossível tirar os olhos dos dois.
Tive a sorte de trabalhar com eles em 2005, quando trouxemos The Kills para um pequeno festival em São Paulo. Era a primeira apresentação deles no país, e ninguém sabia muito bem o que esperar. “São só dois no palco?” era a frase que mais ouvimos nos dias que antecederam ao show.
Eles acabaram como um dos destaques do festival, uma das bandas mais aclamadas num evento que teve nomes de peso como MC5 (com Mark Arm, do Mudhoney, no vocal!) e o fantástico grupo psicodélico sueco Dungen.
Confesso que havia perdido o contato com a música do The Kills depois do terceiro LP, “Midnight Boom” (2008), e achei até que eles haviam terminado a dupla. Mas esse show, gravado em Paris há poucos dias, renovou meu interesse pela banda, que acaba de lançar “God Games”, seu sexto LP, o primeiro em sete anos.
O cenário do show não poderia ser mais propício ao The Kills: em vez de ter um palco no formato tradicional, de um lado do teatro, com o público concentrado em outro, o lugar tem uma passarela, com o público dividido dos dois lados, o que permite que Alison e VV andem pelo “meio” da plateia. O resultado é diferente e impactante. Deve ter sido incrível ficar, literalmente, a meio metro deles.
Parece que The Kills vai embarcar numa turnê longa de celebração dos 20 anos do primeiro disco, o ótimo “Keep On Your Mean Side”. Em que lugar de São Paulo dá para montar um palco em formato de passarela?
Um ótimo dia a todas e todos.
5 comentários em "The Kills: minimalistas geniais"
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Tenho todos os cd’s da banda, porém como esse ótimo “God Games”, assim como o anterior não saiu por aqui, o jeito foi desembolsar 120 pratas pelo importado, e pra mim valeu cada centavo.
Muito bom.
Se fosse no RJ, podia montar no Ninho do Urubu… não se faz nada praqueles lados… Hehehehe.
André, me matei torcendo pro Fluzão na Libertadores, tu podia devolver a gentileza e torcer pro Grêmio ser campeão brasileiro, né.
É possível montar no “Novo Anhangabaú”. Será que não rola?
Conheci o THE KILLS através do filme TITANE, com a sensacional DOING IT TO DEATH. O filme é bom, apesar de ser uma derivação exagerada e à beira do plágio do grande CRONENBERG, mas a música é maravilhosa.