Adeus, William Friedkin, e obrigado por tudo!
William Friedkin se foi, aos 87 anos. Já escrevi várias vezes sobre ele no blog. Leia aqui um texto que fiz em 2016, quando ele viria à Mostra de Cinema de São Paulo. Nesse texto há links para outros artigos que escrevi sobre filmes dele como “O Exorcista” e “Killer Joe”.
Aqui vão, em ordem cronológica, meus cinco filmes preferidos dirigidos por Friedkin.
Operação França (1971) Até hoje, mesmo com todas as inovações tecnológicas e a computação gráfica, nenhum filme de ação conseguiu superar a maestria da cena da perseguição de carro embaixo dos trilhos suspensos do metrô. Esse é um filme para ver e rever, uma obra-prima do cinema policial, com personagens inesquecíveis, sequências magistralmente filmadas, e um vilão único, interpretado pelo charmoso Fernando Rey. Uma aula de cinema.
O Exorcista (1973) O filme que mudou o cinema de horror. Mais explícito e violento que as produções de grandes estúdios, foi um fenômeno histórico de bilheteria e se tornou um marco, um filme de horror pelo qual todos os outros passaram a ser medidos. “É tão assustador quanto ‘O Exorcista’?” Friedkin criou uma penca de cenas icônicas do cinema, incluindo algumas que não tinham violência e só sugeriam o medo, como esta, em que o Padre Merrin (Max Von Sydow) chega à casa onde está Megan.
O Comboio do Medo (1977) Depois dos sucessos de “Operação França” e “O Exorcista”, Friedkin implodiu a própria carreira com esse fiasco de bilheteria, refilmagem do clássico “O Salário do Medo” (1953), de Clouzot. Roy Scheider lidera uma turma de mercenários e deserdados pela vida que, para sobreviver numa remota vila nas florestas da América do Sul, aceitam transportar, em caminhões, uma carga de nitroglicerina. É de roer as unhas.
Parceiros da Noite (1980) Al Pacino está fantástico, como de hábito, nesse drama policial sobre um agente que se infiltra no submundo do sadomasoquismo gay de Nova York para investigar um assassino serial. Tenso e assustador.
Killer Joe (2011) Bizarra história de humor negro sobre um traficante chamado Chris (Emile Hirsch) que decide dar um golpe no seguro e matar a própria mãe. É uma genial mistura de “Sai de Baixo” com “O Massacre da Serra Elétrica”, mostrando uma das famílias mais grotescas e sombriamente engraçadas do cinema. O pai de Chris é um psicopata chamado Ansel (Thomas Haden Church, de “Sideways”), casado com Sharla, uma periguete safada interpretada pela sensacional Gina Gershon. Mas o melhor personagem do filme é o tal Killer Joe (Matthew McConaughey), um policial e assassino de aluguel que fica babando pela ninfeta Dottie (Juno Temple), irmã de Chris. É ver para crer.
20 comentários em "Adeus, William Friedkin, e obrigado por tudo!"
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Sabia que tu iria escrever sobre ele quando soube do falecimento. Quando li seu texto sobre “Comboio do Medo” fiquei obcecado e procurei até achar em um streaming pirata pra poder ver, e não me decepcionou. Obra-prima total! Friedkin nunca lançou sequer um filme ruim em sua carreira, era um gênio absoluto.
Tem algum filme dele que tu considera fraco, André?
Ele tem uns filmes meia-boca nos anos 90. “Jade” é um deles.
Bem lembrado. Tu chegou a ver “Bug”, ou “Possuídos” com o Michael Shannon e a Ashley Judd? achei aquele filme maravilhoso e perturbador.
Vi sim, gosto dos dois, tem razão.
Mas é o mesmo filme… hehhehe, só coloquei o título em inglês e português.
Sei porque tu está abalado, ficou chateado pela derrota do flazinho ontem, e realmente é uma situação terrível, e eu espero muito que piore.
Desculpe, tô em viagem, respondendo no celular. Confundi o titulo em português com aquele com o Tommy Lee Jones, não é do Freidkin?
Aquele é ‘Caçado”… outro filmaço!
Cara, nunca consigo lembrar os títulos em português!
Só não assisti “O comboio do medo ” , que me parece é dos filmes prediletos do Tarantino e muito difícil de achar para ver ! Todos os outros são sensacionais ! O que dizer do Al Pacino, uma estrela em Hollywood ter a coragem de fazer um filme como Parceiros da Noite.
Queria muito assistir comboio do medo, mas infelizmente ele parece não estar em nenhum streaming
Tem no Youtube legendado https://youtu.be/eEWOMw__K8c?si=3a5c3CJopmzHAAv_
Obrigadíssimo!
André, o Friedkin fez muito pelo cinema, só pelos excepcionais Operação França e O Exorcista, ele já tem o seu lugar entre os cânones do cinema!!!!
Mas vc não acha que o temperamento dele, ao mesmo tempo que contribuiu para a ascensão dele, o puxou para baixo quando o Comboio do Medo flopou?
Depois de Killer Joe eu nunca mais tive coragem de comer coxa de galinha.
Nem se for feita pela Gina Gershon?
Aí são outros 500… André, você sabe se a biografia do Friedkin foi lançada no Brasil?
Acho que não, infelizmente.
Mais um dos grandes se foi… Adoro a filmografia dele e provavelmente os meus 5 favoritos são os mesmos que os seus. Com o To Live and Die in L.A. perto. Vi recentemente o excelente documentário Friedkin Uncut. Além de grande diretor, parecia ser um cara sensacional e extremamente inteligente.
Outro filme dele que é sensacional é viver e morrem em LA, a cena na qual o personagem do Willem Defoe falsifica notas de dólares é espetacular.
É muito bom filme!