Excelente dica do amigo e assinante Renato Duarte: a HBO Max acaba de adicionar ao catálogo “Corpos Ardentes” (“Body Heat”, 1981), de Lawrence Kasdan. Difícil pensar num programa melhor para o fim de semana.
Kasdan já era conhecido por ter escrito o roteiro de dois megassucessos de bilheteria, “O Império Contra-Ataca” e “Caçadores da Arca Perdida” (o primeiro em parceria com Leigh Brackett), quando conseguiu 9 milhões de dólares – uma pechincha – da Warner para dirigir um “thriller” erótico claramente inspirado no clássico “noir” de Billy Wilder, “Double Indemnity” (“Pacto de Sangue”), escrito por Wilder e pelo romancista Raymond Chandler.
Mas “Corpos Ardentes” não é apenas um remake. Kasdan transfere a ação de Los Angeles para a ensolarada Flórida e cria uma teia de traições e maldades repleta de personagens inesquecíveis.
William Hurt faz Ned Racine, um fracassado advogado de porta de cadeia que se envolve com uma mulher tão linda quanto misteriosa, Matty, vivida por Kathleen Turner (em sua estreia no cinema). Claro que o marido de Matty é um ricaço ausente – interpretado pelo inesquecível Richard Crenna, conhecido do grande público pelos filmes de Rambo – e logo surge um plano para eliminá-lo.
Não vou contar mais para não estragar as surpresas, que são muitas, mas dá para dizer que “Corpos Ardentes” é um primor de roteiro, com diálogos muito bem escritos, reviravoltas surpreendentes e personagens secundários marcantes, vividos por Mickey Rourke. J.A. Preston e Ted Danson. É um filme muito sexy e ousado. Na minha opinião, o melhor filme dirigido por Kasdan, que faria depois outros sucessos como “Silverado”, “The Big Chill” e “O Turista Acidental”, e escreveria imensos sucessos de bilheteria, como “O Retorno de Jedi” e “O Guarda-Costas” (este, um roteiro que ele tinha desde os anos 1970, mas que só foi filmado em 1992).
Tenho uma história curiosa sobre Kasdan: em 1991, fui entrevistar Mel Brooks nos estúdios da 20th-Century Fox, em Los Angeles. Depois da entrevista, Brooks, uma das pessoas mais simpáticas e agradáveis do planeta, me convidou para almoçar no restaurante da Fox. Durante o almoço, sentou em nossa mesa um sujeito também muito amigável, que ficou batendo papo com Brooks, falando de um filme que estava fazendo. Eu não tinha a menor ideia de quem era. No fim do almoço, descobri que era Lawrence Kasdan.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
9 comentários em "Corpos Ardentes: “noir” e sexo"
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Mickey Rourke foi um grande ator… pena ter desperdiçado seu talento.
Fala Barça! Obrigado pela citação ao meu nome. hahahaha. Já está agendado para o final de semana.
André um OT que eu acho que vale a pena. Não sei se você já tinha visto, mas anteontem um dos heróis do youtube postou esse dueto do Nelson Ned com o Moacyr Franco, de 1976 e com ótima qualidade
https://www.youtube.com/watch?v=1tziR34DIY4
Ah, já vi isso, é maravilhoso, muito obrigado.
Boa tarde!
Não vejo « Corpos Ardentes » (« Body Heat ») desde o final dos anos 1980, mas sempre que vejo uma menção ao filme me vem logo a lembrança da beleza da Kathleen Turner.
Abraço
André, um OT: Ultimamente a Cultura Pop, especialmente a Música, virou um gigantesco obituário, mais um grande hoje se vai:
https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/07/21/astro-do-jazz-tony-bennett-morre-aos-96-anos.ghtml
Mas viveu bem o Tony: 96!
Acho demais aquela cena que o William Hurt quebra a parede de vidro com a cadeira. E a Kathleen Turner faz a gente suar…
Cena fantástica!