jul/2023

Belchior por Belchior

Por André Barcinski

Belchior por Belchior

Por André Barcinski

O Globoplay exibe o documentário “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias.

Caso raro no cinema documental brasileiro, o filme é composto apenas de cenas de arquivo de entrevistas e shows de Belchior, abrindo mão de depoimentos de parceiros e amigos.

É extremamente difícil, num país sem memória e com dificuldade de acesso a arquivos, fazer um filme apenas com imagens antigas, mas Cavalcanti e Dias conseguem, com a ajuda da montagem do experiente Paulo Henrique Fontenelle (meu amigo e parceiro), construir uma narrativa fluida e jornalisticamente impecável.

Somos apresentados a Antonio Carlos Belchior, um dos 23 filhos de uma família de Sobral, no Ceará. Personalidade fascinante, Antonio Carlos queria ser padre, estudou filosofia e latim, era poliglota, e acabou fascinado pela música.

Nos anos 1970, fez parte de uma notável geração de cantores/compositores nordestinos que estourou em todo o país, a chamada “Turma do Ceará”, que incluía ainda nomes como Fagner, Amelinha, Fausto Nilo e Ednardo. Somados a outros grandes artistas de outros estados do Nordeste, como Zé Ramalho, Alceu Valença, Robertinho de Recife e Elba Ramalho, essa geração uniu a música nordestina ao pop e ao rock, criando uma sonoridade marcante.

Em 1976, depois de passar dificuldades financeiras terríveis no Rio e São Paulo e de ter a carreira praticamente salva por Elis Regina, que em shows cantava “Velha Roupa Colorida” e “Como Nossos Pais”, Belchior lançou o LP “Alucinação”, um dos mais marcantes daquela época de ouro da música brasileira.

É muito interessante ouvir, da boca do próprio Belchior, depoimentos sobre sua trajetória e sobre como ele e seus conterrâneos do Ceará foram recebidos pela “nata” da MPB, primeiro com certa desconfiança, mas logo depois, com o sucesso de composições dele e de Fagner, com mais simpatia. A verdade é que a Onda Nordestina foi responsável por alguns dos discos mais emblemáticos lançados no Brasil nos anos 70 e 80.

O filme tenta desvendar os últimos anos de vida de Belchior, em que ele some da vida pública e deixa um rastro de dívidas e mistérios, até morrer em 2017, aos 70 anos. Vale muito a pena assistir.

Uma ótima semana a todas e todos.

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