In-Edit: o que assistir (parte 1)
Começou esses dias e vai até 25 de junho a 15ª edição do In-Edit Brasil, maior festival nacional dedicado ao documentário musical. O evento rola em São Paulo (veja a programação completa aqui), mas é possível assistir a alguns filmes online (veja a lista aqui).
Tive a chance de ver alguns títulos e, como faço todo ano, recomendarei alguns. Nesse fim de semana verei mais filmes, especialmente os títulos nacionais, aos quais não tive acesso ainda. Na quarta-feira, dia 21, publico uma segunda parte das recomendações, com destaque para filmes brasileiros.
Aqui vai, em ordem crescente de entusiasmo, os filmes que acho que valem seu tempo…
VEJA SE É MUITO FÃ DO ARTISTA OU DO TEMA
CAN AND ME (Michael P. Aust) Perfil de Irmin Schmidt, tecladista do influente grupo alemão CAN. A história desse pioneiro do krautrock é fascinante, assim como suas histórias com Stockhausen, Ligeti e Cage, mas a narrativa é bem enfadonha, centrada numa longa entrevista com ele. Mas as cenas de arquivo valem seu tempo. Ver o Can tocando em 1970 não tem preço.
LA DANZA DE LOS MIRLOS (Álvaro Luque) História de Los Mirlos, mais conhecida e longeva banda da cumbia amazônica psicodélica do Peru. Um filme muito simples e de estrutura narrativa careta, mas que vale pelas imagens das festas populares no interior do Peru nos anos 70 e 80. Loucura.
PERSONALITY CRISIS: ONE NIGHT ONLY (Martin Scorsese, David Tedeschi) Outro filme que, apesar da codireção de Scorsese, vale mesmo é pelas cenas de arquivo: o doc mostra um show intimista (e um tanto chato, pra dizer a verdade) de Buster Poindexter, alter ego do vocalista do New York Dolls, David Johansen, intercalado por incríveis imagens de arquivo contando a vida dele e como ajudou a inventar o punk.
SONIC FANTASY (Marcos Cabotá) O tema é instigante: a criação e gravação de um dos discos mais importantes da história da música pop, “Thriller”, de Michael Jackson. O problema é que, devido a problemas financeiros e jurídicos, o filme não tem um segundo da música do disco e nem depoimentos de Michael Jackson ou do produtor Quincy Jones. A história é toda contada pelo genial engenheiro de som Bruce Swedien, além de outros técnicos e músicos que participaram das gravações. Vale pelas imagens das sessões e algumas histórias muito legais, como o letrista Rod Temperton escrevendo, no táxi a caminho do estúdio, a narração de abertura de “Thriller”, que seria gravada minutos depois por Vincent Price.
ACIMA DA MÉDIA
FIRE MUSIC (Tom Surgal) Um filme de estrutura convencional sobre os pioneiros que acabaram com as estruturas convencionais do jazz, criando o movimento do free jazz. Imagens e depoimentos incríveis de Ornette Coleman, Sun Ra, Cecil Taylor e muitos outros.
GOD SAID GIVE ‘EM DRUM MACHINES (Kristian R. Hill) História de três amigos – Kevin Saunderson, Derrick May e Juan Atkins – que, em meio ao cataclisma financeiro que deixou Detroit literalmente em ruínas nos anos 1980, criaram uma música eletrônica futurista e sombria chamada techno. Cenas de arquivo mostrando as primeiras festas da turma são sensacionais.
CARMINE STREET GUITARS (Ron Mann) Filme muito simples, mas emocionante, sobre Rick Kelly, conhecido luthier nova-iorquino que constrói guitarras usando madeiras tiradas de prédios demolidos em Nova York. É quase um sitcom, em que guitsrristas como Lenny Kaye (Patti Smith), Nels Cline (Wilco), Jim Jarmusch (Sqürl), Bill Frisell e Kirk Douglas (The Roots) entram na loja de Rick, no Village, e conversam sobre música e guitarras.
OS IMPERDÍVEIS
LOOK AT ME: XXXTENTACION (Sabaah Folayan) Confesso que não sabia nada sobre o rapper XXXTentacion, exceto que havia morrido muito jovem em circunstâncias violentas, mas esse filme me deixou no chão. Usando imagens de Internet e vídeos pessoais, o doc conta a vida breve e intensa de Jahseh Dwayne Ricardo Onfroy, um menino que criou um personagem niilista e marcante para a juventude americana. Muito bom.
MUSIC FOR BLACK PIGEONS (Andreas Koefoed, Jørgen Leth) Meu filme favorito do festival até aqui e a prova de que não é preciso um personagem conhecido para se fazer um grande filme. Os diretores seguiram por 14 anos o guitarrista dinamarquês de jazz Jakob Bro, registrando os encontros dele com outros músicos, e o resultado é um filme comovente sobre a experiência de fazer música junto com outras pessoas. Lindo demais.
Um ótimo fim de semana a todas e todos!
4 comentários em "In-Edit: o que assistir (parte 1)"
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André, eu também só ouvi falar o XXXTentacion no dia em que ele faleceu, mas para a molecada nova que acompanha o rap americano, até pela morte violenta, ele é considerado um 2Pac e ao Notorious B.I.G do Século 21…
Opa ! e esse ano, além da plataforma do in edit, tem parcerias com o itau cultural play e com o sesc tv..
O doc do fausto fawcet não é muito dinâmico, mas tem seus momentos. tá no streaming do sesc:
https://sesc.digital/colecao/cinema-em-casa-com-sesc
Bom InEdit a todos!
Muito obrigado pela informação!
Eu vi o documentário. Ele alterna bons e maus momentos. Os bons são imagens de arquivo do show “Básico Instinto”. Aquelas moças eram lindas. Os maus são as apresentações atuais do Fausto Fawcett. Foi dureza ver. O show “Básico Instinto” fez um relativo sucesso no Rio a ponto de ter uma apresentação na Apoteose com transmissão da Globo.