jun/2023

Pequeno guia do cinema iraniano

Por André Barcinski

Pequeno guia do cinema iraniano

Por André Barcinski

Nos últimos 40 anos, o cinema iraniano tem se destacado como um dos mais criativos e emocionantes do mundo. Inspirados principalmente pelo neorrealismo italiano dos anos 1940, cineastas têm realizado filmes baratos e que tratam, quase sempre, de pessoas comuns e histórias simples, mas que relatam grandes dramas humanos.

Aqui vai, sem ordem de preferência, uma lista de seis grandes nomes do cinema iraniano e alguns de seus melhores filmes. Tomei cuidado para indicar títulos que podem ser encontrados no streaming ou Youtube.

ABBAS KIAROSTAMI

Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987) Kiarostami (1940-2016) já tinha quase 50 anos quando despontou como um grande nome do cinema mundial graças a filmes humanistas como esse, inspirados no neorrealismo de De Sica e Rosselini. História simples e comovente sobre um menino que procura o amigo para devolver o caderno que pegou por engano. Disponível no Globoplay e MUBI.

Close-Up (1990) Filmado num estilo documental, conta a história de um cinéfilo tão obcecado pelo trabalho do cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf que se faz passar por ele e acaba preso.

Gosto de Cereja (1997) Obra-prima sobre um homem que procura alguém disposto a enterrá-lo depois que ele cometer suicídio.

JAFAR PANAHI

O Balão Branco (1995) Recentemente, o cineasta foi centro de uma comoção mundial ao fazer greve de fome para protestar contra a sua absurda prisão por “perturbação da ordem pública”. O protesto funcionou e Panahi foi solto. Em sua estreia (com roteiro de Abbas Kiarostami), ele dirigiu essa pequena joia neorrealista sobre uma menina que tenta convencer a mãe a comprar um peixe dourado. Mas a história não importa tanto quanto os personagens e os relatos da vida num bairro pobre de Teerã.

Táxi Teerã (2015) Neste grande e inventivo filme, vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Panahi se finge de taxista e mostra, num estilo que lembra bastante o do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, as reações e opiniões de pessoas comuns.

MOHSEN MAKHMALBAF

Infelizmente, está difícil achar títulos de Makhmalbaf no Brasil. Se conseguir, assista a Kandahar (2001), um dos filmes mais tristes e comoventes que já vi. O único que consegui achar foi O Presidente (2014), espécie de versão iraniana de “O Príncipe e o Mendigo”, de Mark Twain, sobre um presidente ditador que é obrigado a abandonar o poder e, acompanhado do neto, experimenta a vida dura da população. Está na Apple TV, Looke e Google Play.

SAMIRA MAKHMALBAF

A Maçã (1998) Filha do cineasta Mohsen Makhmalbaf, Samira estreou no cinema com essa pequena joia sobre duas irmãs pequenas que são presas por mais de uma década numa casa. Triste e lindo.

MAJID MAJIDI

Filhos do Paraíso (1997) Possivelmente inspirado em “A Árvore dos Tamancos” (1978), espetacular filme do italiano Ermanno Olmi, esse filme, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta a saga de dois irmãos, um menino de nove anos e uma menina de seis, que tentam reaver um par de sapatos levados por engano por um andarilho. Disponível no Youtube em cópia dublada:

Algum iluminado fez uma lista no Youtube com vários filmes de Majidi legendados em inglês (clique aqui). Recomendo “Baran” (2001).

ASGHAR FARHADI

Maior nome do cinema iraniano contemporâneo – e, na minha opinião, um dos maiores cineastas em atividade no mundo – Farhadi faz dramas intrincados e incrivelmente bem escritos, em que acontecimentos banais do dia a dia se transformam em histórias familiares dilacerantes. Meus três prediletos dele são:

A Separação (2011) Disponível no MUBI.

Herói (2021) Disponível no Globoplay, Google Play, Amazon e Apple TV.

O Passado (2013) Disponível no Belas Artes à La Carte

Uma ótima semana a todas e todos.

18 comentários em "Pequeno guia do cinema iraniano"

Deixe seu comentário

Ir para o topo