Crítica: “Anna Nicole Smith: Vocês Não Me Conhecem”
Ótima dica da leitora Renata Teofilo: a Netflix exibe “Anna Nicole Smith: Vocês Não Me Conhecem”, documentário sobre a modelo e atriz que fez fama nos anos 1990 com sua figura voluptuosa e uma vida trágica, amplamente documentada por tabloides sensacionalistas.
O filão de docs sobre figuras femininas sensuais e polêmicas parece não ter fim. Só na Netflix, há títulos sobre Marilyn Monroe, Britney Spears e Pamela Anderson. Mas o filme sobre Anna Nicole Smith, dirigido por Ursula Macfarlane, se destaca por uma preocupação jornalística apurada e por história tão bizarra e cheia de reviravoltas que, por vezes, parece ficção.
Entrevistei Anna Nicole Smith em 1994, durante o lançamento do filme “Corra Que a Polícia Vem Aí 3”, e minha impressão foi a de uma jovem que sabia exatamente o papel que interpretava diante da mídia: o da loura gostosa, clone de Marilyn Monroe, que se fazia de boba, mas não tinha nada de ingênua, e que tentava cavar um lugar como atriz em Hollywood. Vendo o doc, descobri que aquele foi o último período feliz e esperançoso da vida dela. Dali em diante, tudo desmoronou.
O título, “Vocês Não Me Conhecem”, não poderia ser mais adequado. De fato, o filme traz muitas surpresas e revelações. Se um roteirista escrevesse um roteiro sobre a vida de Anna Nicole usando apenas os fatos de sua vida, diriam que ele havia exagerado em alguns momentos, de tão insólitas as situações e tão caricatos os personagens.
Anna Nicole Smith veio de uma pequena cidade do Texas, Amexia. Saiu de casa adolescente e, segundo ela própria, conseguiu emprego como “stripper” em boates em Houston, onde conheceu o magnata do petróleo J. Howard Marshall, então com 86 anos, com quem Anna Nicole iniciou um romance e se casaria três anos depois. Uma sessão de fotos eróticas levou a uma aparição na revista “Playboy”, que por sua vez rendeu à modelo um contrato com a marca de jeans Guess.
A vida de Anna Nicole Smith a partir da segunda metade dos anos 90 parece uma novela mexicana dirigida por Quentin Tarantino: para começar, seu “Sugar Daddy”, o bilionário Howard, morre, aos 90 anos, e a família dele faz de tudo para tirá-la da herança. Ela começa a ter problemas sérios com drogas e entra em relacionamentos com sujeitos de caráter duvidoso, que claramente tentam se aproveitar da fama dela. Os tabloides e programas de fofocas fazem a festa.
Não vou contar mais para não estragar as surpresas, que são muitas, mas posso dizer que o filme parece jornalisticamente bem equilibrado e não tenta “santificar” Anna Nicole que, embora claramente uma vítima das circunstâncias e uma personagem trágica, é mostrada como uma pessoa calculista e manipuladora. O final é chocante.
Um ótimo dia a todas e todos.
7 comentários em "Crítica: “Anna Nicole Smith: Vocês Não Me Conhecem”"
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Eu acabei de ver Showgirls pela primeira vez ontem e isso me fez soar parecido. Aliás, que filmão e que atriz…
Só de ler o verbete dela na Wikipedia eu já fiquei deprimido.
Descabelei muito o palhaço vendo as fotos dela na Playboy.
numa história interessante, em algum momento nic cage aparece. e pro assunto ser relevante, precisamos da opinião de dave grohl.
torcendo
André, infelizmente ainda existem muitas Annas Nicoles Smiths no mundo artístico, mesmo com o avanço dos movimentos dos direitos da mulher…
Botou o trailer dublado, barça.
Segue o legendado: https://www.youtube.com/watch?v=HTmL5DlhIHk
Sim, era dublado, obrigado pelo legendado.