The Young Gods: experimentadores com um pé no Brasil
A dica foi do leitor Pedro Reis Lima, e ele acertou em cheio: o grupo The Young Gods colocou no Youtube um documentário curto e um concerto intimista tocando “In C”, peça minimalista composta em 1964 pelo músico Terry Ryley. Já vi três vezes e não consigo parar.
“In C” (leia aqui um texto em português sobre a peça) é um trabalho precursor do minimalismo na música. É uma obra que pode ser tocada por um número variável de instrumentistas, e cada um(a) pode, a qualquer momento, tocar um trecho diferente da partitura, o que garante que “in C” nunca soe exatamente igual.
The Young Gods é um grupo suíço formado em 1985 e ligado ao som industrial (o nome “Young God” foi tirado de uma canção do Swans, grupo pioneiro do rock industrial). Na verdade, o YG tem uma forte ligação com o Brasil, já que seu líder, o cantor e guitarrista Franz Treichler – nome verdadeiro: Francisco José Conceição Leitão Treichler – é filho de um brasileiro com uma suíça e morou um tempo em Piracicaba.
O vídeo tem legendas em inglês e começa com um breve documentário que mostra o Young Gods – Treichler, o tecladista Cesare Pizzi e o baterista Bernard Trontin – se preparando para gravar “In C”. Em seu estúdio particular (atenção para a bandeira do Brasil que decora o lugar!), Franz/Francisco fala da emoção que sentiu ao ouvir “In C” pela primeira vez, e do desafio de tocar a peça com seus companheiros.
A banda visita o inacreditável SMEM – Museu Suíço de Instrumentos Eletrônicos – um museu criado por um alucinado chamado Klemens Niklaus Trenkle, um ator e colecionador de instrumentos musicais que, há mais de 40 anos, vem reunindo uma das maiores – alguns dizem, a maior – coleção de sintetizadores do mundo. No local há cerca de 1400 sintetizadores, que podem ser usados gratuitamente.
Veja um vídeo de uma visita ao SMEM:
Depois de escolher os instrumentos que gostariam de usar na gravação e samplear os sons de cada um deles, o trio se reúne num estúdio e toca “In C”. A peça dura pouco mais de 50 minutos e é de uma beleza hipnotizante.
Para quem conhece o Young Gods como uma banda de som pesado e performances explosivas, vê-los sozinhos num estúdio tocando uma peça de música clássica pode soar estranho. Mas Treichler e seus comparsas sempre foram experimentadores, sempre buscaram o ousado e diferente. Este é só mais um capítulo na história desbravadora do Young Gods.
Veja “The Young Gods Play Terry Ryley in C”:
Uma ótima semana a todas e todos.
11 comentários em "The Young Gods: experimentadores com um pé no Brasil"
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Documentário muito legal. Mas a música é horrível. Admiro quem gosta, deve ter um gosto muito mais maduro que o meu.
eu AMO sintetizadores. já baixei um aplicativo de um e é complexo pra caramba mas permite um infinito de sons a serem criados
Salve, Barcinski, tirando aqui o atraso de tanto conteúdo sensacional do seu site após contribuir com a campanha do Barulho.
Excelente dica a do documentário do Young Gods, vai para a fila! Falando em YG, seria um show viável (em algum dos formatos possíveis de apresentação deles) pra tocar hoje no Brasil? E bandas dessa linha, como Swans, Neubauten, etc.? Dariam retorno à produtora?
Difícil, só com patrocínio, acredito.
Comecei a ouvir música industrial através da banda Einsturzende Neubaten, e esta imersão sonora me levou a conhecer a obra de Walter Smetak que veio morar e fico até o final de vida em Salvador/BA. Inclusive visitei o museu de instrumentos musicais dele e vi uma apresentação de ex alunos dele. Esta influência me levou ao Uakti de Minas Gerais. Gostei das versões de “In C”. do Young Gods, do Grupo de Mali e de Amsterdam. Valeu.
Não conheço esse museu do Smetak, deve ser demais isso.
https://www.goethe.de/ins/br/pt/sta/sal/ueb/arc/orq.html. Isto foi na decada de 80. Não sei se o Museu ainda existe. Mas foi uma viagem lisérgica ver todos aqueles instrumentos absurdos que geram sons loucos.
Assisti a um show deles no Cine Jóia, há cerca de 5 anos, tocando com o Nação Zumbi. Foi muito bom.
Que baita honra ser citado em seu texto, meu caro. Fico feliz que tenha gostado. Realmente um baita som. Ouço bastante o disco e infelizmente perdi o show deles. Aguardando um próximo q certamente virá. Abração!
Meu Deus…isso é totalmente lindo. E viciante.
Pena que tocaram pouco no Brasil. Fui num show no Sesc Pompéia (!) que foi meio acústico por medo do som da banda comprometer as estruturas do lugar.