abr/2023

Crítica: “Spector” (Star+)

Por André Barcinski

Crítica: “Spector” (Star+)

Por André Barcinski

A plataforma Star+ exibe “Spector”, uma série documental em quatro episódios sobre o produtor musical Phil Spector (1939-2021), um dos maiores inovadores da história da música pop, um gênio que revolucionou técnicas de produção e gravação que resultaram em inúmeros clássicos do pop.

Spector foi uma figura dominante nos anos 1960: entre 60 e 65, teve nada menos de 24 músicas no Top 40, incluindo clássicos como “He’s a Rebel”, “Uptown”, “Then He Kissed Me” e  “Da Doo Ron Ron” (The Crystals), “Be My Baby” e “Walking in the Rain” (The Ronettes) e “Unchained Melody” e “You’ve Lost That Lovin’ Feeling” (The Righteous Brothers). Com Ike e Tina Turner, gravou a obra-prima “River Deep, Mountain High”, um de seus poucos fracassos de venda.

Era também um homem extremamente perturbado e com sérios problemas psiquiátricos, dado a ataques de paranoia e violência. O pai cometeu suicídio quando Phil era adolescente, um fato que marcaria Phil para sempre. E toda a família, incluindo a irmã, Shirley, sofria de graves problemas emocionais.

Phil Spector parou de produzir discos nos anos 1980 e morava num castelo nos arredores de Los Angeles, cercado pelos Discos de Ouro e lembranças dos hits que gravara duas décadas antes.

Foi lá que, em 2003, no mais extremo desses ataques violentos, matou a tiros a atriz Lana Clarkson. Spector foi condenado à prisão e morreu na cadeia, em 2021, de Covid.

Seria impossível contar a história do produtor genial sem falar de seu lado criminoso. E a série faz uma competente mistura de documentário musical com programa de “true crime”. Mesmo quem não é fã do trabalho de Spector e não se interessa pelas inovações que ele trouxe à música pop pode se interessar pela história sombria de um artista mentalmente desequilibrado e conhecido por suas excentricidades.

O filme traz depoimentos marcantes de artistas que trabalharam com Spector, como as cantoras Darlene Love e La La Brooks (The Crystals), além de alguns membros da banda de estúdio que frequentemente tocavam nas produções de Spector, como a baixista Carol Kaye e o tecladista Don Randi. Todos comentam a genialidade de Spector no estúdio, mas recordam histórias tenebrosas sobre seus surtos psicóticos, envolvendo armas, ameaças e tiros no teto do estúdio.

Um dos maiores trunfos da série é dedicar um bom tempo a contar a história da vítima, Lana Clarkson, mostrada como uma atriz promissora que, sem conseguir bons papéis no cinema, acabou estereotipada em papéis de gostosonas e louras burras. Há um depoimento muito bonito do produtor e cineasta Roger Corman sobre Lana.

Não sou grande fã do gênero “true crime” e acho que muitos produtos do estilo acabam resvalando no sensacionalismo. “Spector” não é diferente. Mas os trechos sobre a carreira musical de Phil Spector são bem feitos e amplamente documentados com imagens de arquivo e depoimentos e, só por isso, a série já merece seu tempo. Uma ótima semana a todas e todos.

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