mar/2023

O filme “desaparecido” de Kurosawa

Por André Barcinski

O filme “desaparecido” de Kurosawa

Por André Barcinski

A plataforma Belas Artes à La Carte adicionou recentemente ao catálogo um filme dos mais raros de Akira Kurosawa: “O Idiota”, baseado no romance homônimo de Dostoevsky.

Filmado em 1950 e lançado no ano seguinte, foi concebido pelo cineasta para ser exibido em duas partes, com uma duração total de 265 minutos. Quando os executivos do estúdio Shochiku viram o filme completo, decidiram cortá-lo, e a versão integral nunca foi exibida (a versão disponível no Belas Artes é a maior existente, com 166 minutos).

Assim como todo fã de Kurosawa, sempre sonhei em ver “O Idiota” completo, mas, se não soubesse da história do corte do filme, o admiraria como uma obra da fase mais prolífica da carreira do cineasta.

Começando com o filme anterior, “Rashomon”, lançado em 1950, Kurosawa emendaria o que é certamente uma das mais incríveis sequências da história do cinema, dirigindo 13 filmes em 15 anos, incluindo obras-primas como “Viver” (1952), “Os Sete Samurais” (1954), “Trono Machado de Sangue” (1957), “A Fortaleza Escondida” (1958), “Yojimbo” (1961), “Sanjuro” (1962) e “Céu e Inferno” (1963).

“O Idiota” não figura em nenhuma lista dos maiores filmes de Kurosawa, e nunca saberemos se a versão integral seria merecedora dessa colocação. Mas, para quem admira o cineasta, é um filme obrigatório, que traz as marcas do estilo dele: a precisão dos enquadramentos, uma câmera extremamente criativa, atuações marcantes do elenco e o gosto de Kurosawa por adaptações de clássicos da literatura. Enfim, obrigatório.

Uma ótima semana a todas e todos.

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