mar/2023

“O Belo Antônio” mostra a grandeza do cinema italiano

Por André Barcinski

“O Belo Antônio” mostra a grandeza do cinema italiano

Por André Barcinski

Já escrevi aqui no blog (leia aqui) sobre o incrível canal de Youtube Film & Clips, especializado em cinema italiano.

O canal traz centenas de filmes italianos de todos os tipos, de faroeste “spaghetti” a comédias,  de filmes “espada e sandália” de Maciste e Hércules a clássicos do cinema político dos anos 60 e 70, quase todos legendados em inglês ou espanhol (e uma seção grande com legendas em português também).

Para você ter uma ideia do tamanho do acervo, a playlist de filmes com Sophia Loren tem 15 títulos, a do comediante Totò tem 65, e o acervo de faroestes italianos tem – juro – 715 filmes! Enfim, “Film & Clips” é outro buraco de coelho perigoso e com potencial viciante.

Esses dias, revimos no canal um dos filmes italianos mais marcantes dos anos 60: “O Belo Antônio” (1960), de Mauro Bolognini.

Escrito por Bolognini, Gino Visentini e um então jovem diretor/roteirista chamado Pier Paolo Pasolini, e baseado no livro homônimo de Vitaliano Brancati, o filme é um drama que, sob uma simples história familiar, trata do machismo da sociedade italiana do período e das diferenças culturais e sociais entre o norte e o sul do país.

Marcello Mastroianni faz Antonio, o lindo e culto filho de um rico e poderoso agricultor siciliano que, depois de passar um tempo em Roma, tentando um posto diplomático, volta à Sicília e é praticamente obrigado a casar-se com a beldade local, Barbara, interpretada pela magnífica Claudia Cardinale.

Para desespero do pai e gáudio dos locais, que não falam em outra coisa, o casamento entre Antonio e Barbara não se consuma, e a família de Antonio se vê achincalhada e humilhada.

“O Belo Antônio” foi lançado em 1960, e é impressionante a quantidade de filmes importantes que saíram do país no mesmo ano, como “A Doce Vida” (Fellini), “A Aventura” (Antonioni), “Duas Mulheres” (De Sica) e “Rocco e Seus Irmãos” (Visconti). Foi um período de maturidade do cinema italiano, em que os cineastas locais, já libertos das amarras estéticas do neorrealismo, ainda usavam elementos do gênero neorrealista em seus filmes, mas cercados de uma narrativa e temas que buscavam analisar a Itália contemporânea por outros aspectos, além dos sociais.

“O Belo Antônio” foi um grande sucesso no mundo todo e também no Brasil. Tanto que o título do filme virou um adjetivo por aqui. Lembro minha avó, ao ver algum ator muito bonito na TV, dizendo: “Ih, esse aí é o maior Belo Antônio!”, significando um sujeito muito bonito, mas que, na intimidade, não entregava o que prometia. Eram outros tempos, em que um filme de arte, dirigido por Bolognini e escrito por Pasolini, virava parte do vocabulário da classe média.

Assista aqui, com legendas em português, a “O Belo Antônio”.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

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