“Tudo o que Respira”: beleza no caos
A HBO Max está exibindo, sem nenhum alarde, um dos melhores filmes de 2022: “Tudo o que Respira”, dirigido pelo indiano Shaunak Sen. É um dos documentários mais bonitos e inventivos que vejo em muito tempo.
O filme conta a história de dois irmãos, Saud e Nadeem, e um amigo deles, Nannu, que moram em Nova Dehli, na Índia, e dedicam suas vidas a alimentar milhazes, uma espécie de ave de rapina muito comum no país. Os irmãos são muçulmanos, e o islamismo considera que alimentar um milhaz traz sorte e felicidade.
Saud, Nadeem e Nannu não só alimentam os pássaros, com doações de carne e restos de comida que pegam em lixões, mas também tratam de animais feridos ou que sofrem com a poluição extrema da cidade.
O filme consegue extrair beleza e poesia dos cenários mais nefastos, como depósitos de lixo a céu aberto, canais de esgoto que correm pela cidade, e rios com espumas de poluição e sujeira. “Tudo o que Respira” celebra a natureza que sobrevive em meio a uma metrópole caótica e imunda.
A fotografia do filme é belíssima. Até um terreno baldio coberto de ratos ou poças de água infestadas de moscas se transformam em visuais de tirar o fôlego. O centro do filme é a história dos dois irmãos e suas relações com os pássaros, mas o filme toca em questões muito maiores, como a convivência entre animais e humanos nas grandes cidades, a destruição ambiental e como as espécies animais estão se adaptando à vida nas metrópoles.
Há cenas impressionantes de bichos – vacas, macacos, porcos, tartarugas – vivendo em meio ao caos de Nova Dehli. As imagens são estranhas e impactantes, e nos fazem refletir sobre o desequilíbrio ecológico e o futuro dessas cidades. Mais do que simples protetores de pássaros, Saud e Nadeem são propagadores de uma nova visão sobre a relação do homem com a natureza.
“Tudo o que Respira” ganhou vários prêmios em festivais importantes, incluindo Sundance e Cannes, e está entre os cinco indicados ao Oscar de melhor documentário. Não deixe de assistir.
Uma ótima semana a todas e todos.
3 comentários em "“Tudo o que Respira”: beleza no caos"
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André,
O cinema indiano está aos poucos ocupando seu espaço no mundo ocidental?
Abs
Não sei se ainda é, mas costumava ser o cinema com mais títulos lançados no mundo por ano, a grande maioria para consumo interno.
Realmente o filme e muito bonito e precisa ser visto….