Vale conhecer o John Schlesinger pré-Perdidos na Noite
A plataforma MUBI exibe “Ainda Resta Uma Esperança” (“A Kind of Loving”), dirigido em 1962 por John Schlesinger.
O diretor é mais conhecido pelos filmes que faria depois nos Estados Unidos, como a obra-prima da Nova Hollywood “Perdidos na Noite” (“Midnight Cowboy”, 1969), com Dustin Hoffman e Jon Voight, “O Dia do Gafanhoto” (“The Day of the Locust”, 1975), e o assustador “Maratona da Morte” (“Marathon Man”, 1976), em que Laurence Olivier faz um fugitivo nazista que, em Nova York, barbariza um nerd vivido, de novo, por Dustin Hoffman. Mas a carreira de Schlesinger na Inglaterra é brilhante e merece ser mais conhecida.
“Ainda Resta Uma Esperança” é um drama realista sobre um casal proletário (June Ritchie e Alan Bates, em um de seus primeiros papéis no cinema) que precisa lidar com uma gravidez inesperada. O filme ganhou o Urso de Ouro em Berlim e é um dos grandes títulos da chamada “Nova Onda” do Cinema Britânico, uma vertente que emulava o experimentalismo e a “câmera na mão” da Nouvelle Vague francesa e teve como principais nomes, além de Schlesinger, excelentes cineastas como Tony Richardson (“Look Back in Anger”), Karel Reisz (“Saturday Night and Sunday Morning”) e Lindsay Anderson (“If…” e “This Sporting Life”).
Essa Nova Onda britânica revelou uma penca de atores que sairiam do Reino Unido para fazer sucesso em Hollywood: Terence Stamp, Julie Christie, Richard Burton e Albert Finney, além do próprio Alan Bates.
O filme de Schlesinger também ficou conhecido como um dos maiores exemplos de um movimento artístico que tomou o Reino Unido nos anos 60: o “Kitchen Sink Drama”, ou “Drama da Pia de Cozinha”. As obras dessa turma – peças, livros e filmes – exploravam histórias de pessoas comuns e temas ligados aos conflitos de classe ou de geração.
No cinema, além dos filmes citados acima, outros títulos importantes do movimento foram “The Loneliness of the Long Distance Runner”, de Tony Richardson, “The L-Shaped Room”, de Bryan Forbes, “Up the Junction”, de Peter Collison, “Bleak Moments”, primeiro filme de Mike Leigh, e os primeiros longas de Ken Loach, como “Poor Cow” e “Kes”. Se você gosta do neorrealismo italiano, é um prato cheio.
Vale lembrar que a MUBI exibe também outro filme de Schlesinger, “Darling” (1965), que deu o Oscar de melhor atriz a Julie Christie. É um filme menos “proletário”, passado no mundo da moda e na efervescência da “Swinging London” dos anos 60, mas nem por isso menos realista e marcante. Um ótimo fim de semana!
11 comentários em "Vale conhecer o John Schlesinger pré-Perdidos na Noite"
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Londres dos operários,proletariado,sem glamour!
Não conhecia nada além de “Perdidos na noite “,mas não sei se seria precipitado alguma ilação com o tipo de cinema de outro britânico Ken Loach (mais panfletário).
Ajuda aí Barcinski se eu não viajei demais !
Mas de cara o filme “Ainda resta uma esperança ” como um “Eles não usam Black Tie”!
Deste “movimento” , se é que pode ser chamado assim, gosto muito de “Room at the Top” do Jack Clayton, que logo em seguida emplacou “The Innocents”. Boa sequencia, não ?
Revimos “The Innocents” outro dia, que coisa maravilhosa. Um dos melhores no estilo “Casa mal-assombrada”.
André, um OT total:
Vc acompanhou esta temporada da NFL?
Caso tenha, quem acha que leva a tação no domingo? Águias da Philadelphia ou os Chefes da Kansas City?
Ou só vai ver (se ver) pelo show da Rihanna no intervalo?
Hahahahahaha, não acompanhei, mas verei a final. Torcerei pelos Eagles.
Que legal o post. E é impressão minha ou algumas bandas do brit rock usaram títulos de alguns desses filmes pra batizar discos?
Não é impressão, o movimento foi muito marcante na Inglaterra.
Não só influenciou o brit rock, mas também a geração inglesa dos anos 80: Morrisey, era fã do gênero e cresceu vendo esses filmes. Influenciou até o heavy metal inglês dos anos 80: Iron Maiden tem uma canção chamada “The Loneliness of the Long Distance Runner”.
Sem dúvida.
Eu fiquei anos tentando descobrir que raio de filme de ficção científica era ‘The Loneliness of the Long Distance Runner’, nome de uma música do Iron Maiden… que susto quando descobri que era um filme dessa ‘new wave’ britânica de cinema (e que saiu um par de anos atrás em DVD no Brasil)… os filmes que eu vi dessa época são muito bons…
Cara, os filmes sai excelentes. Neorrealismo proletário britânico.