Robert Downey Jr.: em nome do pai
A Netflix exibe “Sr.”, um documentário produzido pelo ator Robert Downey Jr. sobre o pai, Robert Downey Sr., um importante – embora desconhecido – diretor de cinema alternativo dos anos 1960.
Chamado pelos filhos e netos de “Senior”, Robert Downey é um figuraça: um maluco beleza que odiava o “establishment” e amava o cinema, mas, sem nenhuma vocação para tentar a sorte em Hollywood, criou, em Nova York, uma trupe de atores e técnicos que o acompanhou em alguns dos filmes mais insanos e marginais dos anos 1960.
Sem grana para pagar atores profissionais, Downey recorria à esposa, Elsie, que atuou em muitos de seus filmes, e aos filhos Allyson e Robert Downey Jr., que estrearam como atores com, respectivamente, 7 e 5 anos de idade.
Seus filmes misturavam surrealismo, comédia do absurdo e sátiras políticas e sociais. O título mais conhecido é “Putney Swope” (1969), estupenda gozação com a indústria da publicidade, contando a história de uma agência que é dominada pelo único funcionário negro e tem suas campanhas transformadas em verdadeiros libelos anticonsumistas. O filme está no Youtube, com legendas automáticas em inglês.
O filme funciona muito bem enquanto se limita a contar a vida e carreira de Robert Downey Sr. por meio de entrevistas com parceiros (Alan Arkin), fãs (Paul Thomas Anderson) e familiares, além de ótimas cenas de arquivo e trechos de filmes. Infelizmente, Robert Downey Jr. optou por fazer “mais” que um simples documentário e, seguindo uma lamentável tendência moderna, buscou realizar uma profunda exploração da relação pai e filho, usando a vida do pai para tentar compreender a si mesmo.
Para tornar o enredo ainda mais diabético, Sr. está doente, é diagnosticado com Parkinson, e tem pouco tempo de vida. O filme vira uma despedida a ele, com direito a sessões de Jr. com seu psicanalista e várias DRs entre pai e filho. Uma pena. Dá vontade de passar em alta velocidade por todas as sequências melosas em que Sr. e Jr. discutem o passado, e ver apenas os trechos superinteressantes sobre a cena do cinema alternativo e da contracultura americana dos anos 60 e 70.
Um ótimo fim de semana a todos.
5 comentários em "Robert Downey Jr.: em nome do pai"
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Ele está menos canastrão que no filme “O juiz” com o Robert Duvall?
Abraço Barça, parabéns pelos ótimos textos!
Não vejo esse filme há um tempão, preciso rever.
Robert Downey Sr parecia ser um cara super legal. Já o Robert Downey Jr parece ser um baita mala do cacete.
Exato.
Nunca entendi a adoração ao “Jr.”, acho um ator limitadíssimo e que aparenta ser um cara cheio de si.
Vi o trailer, mas não me interessei em assisitr.
Abraço e bom final de semana, André.