Filmes celebram arte de Ronaldo e Zidane
A Copa do Mundo começa em poucos dias, e gostaria de recomendar dois documentários, feitos em estilos totalmente diferentes, mas que conseguem, cada qual a seu modo, abordar com talento as trajetórias e personalidades de dois monstros da bola: Ronaldo “Fenômeno” e Zinedine Zidane.
O primeiro doc chama “Ronaldo, o Fenômeno”, foi produzido pelo próprio ex-jogador, e está no Globoplay. É um filme de estrutura simples e sem invencionices: ótima pesquisa, um roteiro bem amarrado, entrevistas reveladoras e muitas cenas de arquivo.
O filme é centrado em duas Copas do Mundo importantes para Ronaldo: a de 1998, em que o Brasil perdeu a final sendo trucidado pela França, e a de 2002, que marcou a “ressurreição” do craque depois de quase dois anos praticamente parado devido a uma seríssima contusão no joelho.
Não deve ter sido uma decisão fácil concentrar o enredo nessas duas Copas (não há uma menção sequer ao que Ronaldo fez depois de 2002, quando participou daquele time “galáctico” do Real Madrid, com Zidane, Roberto Carlos, Figo, Beckham e outros superastros), mas a escolha provou-se correta: ao limitar a trama aos anos mais difíceis da carreira do jogador, o filme ganhou em emoção.
O ponto central do documentário é o esforço comovente de Ronaldo para recuperar-se da contusão que sofreu em 2000 e que ameaçou seriamente interromper sua carreira, aos 23 anos de idade. Depoimentos de amigos e colegas, como Vieri, Zidane e Roberto Carlos mostram como o mundo do futebol não acreditava numa recuperação total do craque.
Se o filme de Ronaldo usa uma estrutura narrativa bem convencional, “Zidane: Um Retrato do Século 21” (2006) é o extremo oposto: trata-se de uma obra única e experimental, uma espécie de filme-ensaio que não se preocupa em ser didático ou jornalístico, mas que tenta replicar, na tela, o que acontece com um jogador durante 90 minutos.
Dirigido pelo escocês Douglas Gordon e o francês Philippe Parreno, dois nomes ligados às artes plásticas e instalações, o filme acompanha Zinedine Zidane durante toda a duração de um jogo – no caso, Real Madrid vs. Villareal, pelo campeonato espanhol de 2005. Não há narração, apenas textos com frases de Zidane sobre o futebol, acompanhados de uma trilha minimalista da banda escocesa de post-rock Mogwai. O resultado é hipnotizante.
O filme foi rodado com 17 câmeras e tem fotografia do grande Darius Khondji, que já trabalhou com Woody Allen, David Ficher, Michael Haneke e Bong Joon-ho, entre muitos outros cineastas consagrados. É impressionante acompanhar o desenrolar do jogo vendo apenas Zidane e seu entorno, que incluem colegas de time como Ronaldo, Roberto Carlos, Beckham e Owen e rivais como os argentinos Riquelme e Sorín, o uruguaio Forlán e o brasileiro Marcos Senna.
“Zidane: Retrato do Século 21” é um filme diferente, mas não é exatamente inovador. Foi inspirado em um documentário de 1970, “Football Like Never Before”, sobre o craque britânico George Best (veja um trecho aqui):
E, por sua vez, inspirou “Kobe Doin’ Work” (2009), um filme de Spike Lee que acompanha o gênio do basquete Kobe Bryant em uma partida contra o San Antonio Spurs. Veja o filme de Kobe na íntegra:
O filme de Zidane não está em nenhum streaming, mas pode ser visto, na íntegra, no Youtube.
Uma ótima semana a todos. E não esqueçam que 2ª, dia 21, às 20h, temos um “Encontro” com Ritchie, aberto a todos os assinantes. Até lá!
7 comentários em "Filmes celebram arte de Ronaldo e Zidane"
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Zidane de um lado, Riquelme do outro. Acho que os dois últimos autênticos camisas 10 do futebol mundial. O doc do Ronaldo ainda não assisti, mas verei.
André, não vi o doc do Ronaldo no Globoplay com medo de ser um filme totalmente chapa-branca, até pq seria um caminho muito fácil para se seguir, a “santificação” do Ronaldo Fenômeno!!!
Mas é legal, bem feito.
E o Fluzão, expectativas para 2023, André?
In Diniz we trust!
Barça, sou completamente apaixonado por futebol. Quando cuidava de um idoso no hospital, assistimos juntos a final Cruzeiro x Atlético, em 2014.. Eu cruzeirense e ele atleticano. Ele não se movia nem falava devido a um forte AVE. Quando terminou o jogo, vibrei pra ele e quando olhei ele estava sorrindo! Nunca senti a perda desse título pro maior rival. Só consegui ficar feliz por ele, que faleceu dois anos depois.
Linda história. Futebol é o máximo. Pena que tá acabando.