Dez filmes que inspiraram a Nova Hollywood
Semana passada, no curso “Cassavetes, Fuller e Corman: Pioneiros da Nova Hollywood”, falamos de filmes e cineastas que prenunciaram a era de ouro do cinema americano dos anos 70, que revelou nomes como Coppola, Scorsese, Bogdanovich e tantos outros.
Prometi fazer uma lista de dez filmes anteriores à Nova Hollywood, mas que influenciaram o movimento. Eu já havia escolhido cinco numa coluna para o UOL, em 2020, e agora adicionei mais cinco. Privilegiei títulos encontráveis em streamings ou mesmo no Youtube. Em ordem cronológica:
The Man With the Golden Arm (O Homem do Braço de Ouro, 1955), de Otto Preminger: Em um de seus melhores papéis no cinema (para muitos, o melhor), Frank Sinatra faz um viciado que sai da cadeia e tenta manter-se longe de problemas – e das drogas. Disponível no Youtube, numa cópia meia boca, mas legendada.
Psicose (1960), de Alfred Hitchcock: É impossível ver Norman Bates e não pensar como o personagem de Anthony Perkins – insano, paranoico, maquiavélico – influenciou tantos filmes da Nova Hollywood. Hitchcock sempre foi um experimentalista e tentou novas maneiras de contar histórias, mas em “Psicose” ele atinge o auge de sua criatividade, seja na celebrada edição da cena do chuveiro, ou na vertiginosa cena da morte de Arbogast na escadaria. É difícil imaginar o que seria da carreira de Brian De Palma sem ter visto esse filme. Disponível: Globoplay, Star+, Apple TV, Claro Video
The Intruder (1962), de Roger Corman: Mais conhecido como produtor e por ter dados os primeiros empregos a vários dos diretores da Nova Hollywood, Corman dirigiu, em 1962, esse drama sensacional em que William Shatner faz um racista no sul dos Estados Unidos. É um dos filmes prediletos do próprio Corman, embora ele brinque que foi um dos únicos, entre as centenas de filmes que produziu, a perder dinheiro.
Shock Corridor (Paixões Que Alucinam, 1963), de Samuel Fuller: Um dos maiores rebeldes do cinema, Fuller foi um cineasta de histórias inusitadas e estética sensacionalista típica dos tabloides policiais sangrentos que tanto o fascinavam. Em “Shock Corridor”, Peter Breck faz um jornalista que, para investigar um assassinato cometido dentro de um sanatório, resolve se fingir de louco e é internado no local. Esse filme influenciou toda a Nova Hollywood, da paranoia de “A Conversação” (Coppola) e “A Trama” (Alan J. Pakula), chegando a produções mais recentes como “Ilha do Medo”, de Scorsese, que parece um tributo a Fuller.
To Kill a Mockingbird (O Sol é Para Todos, 1963), de Robert Mulligan: Grande filme de tribunal sobre um advogado (Gregory Peck) que defende um homem negro, acusado de estuprar uma jovem branca. Disponível para locação na Apple TV e Google Play.
Doctor Strangelove (Doutor Fantástico, 1964), de Stanley Kubrick: A comédia de Kubrick sobre a Guerra Fria trouxe a paranoia e um senso de humor bizarro que influenciariam demais a turma da Nova Hollywood. Disponível para locação no Youtube Filmes.
The Pawnbroker (O Homem do Prego, 1964), de Sidney Lumet: Rod Steiger faz Sol Nazerman, o solitário e taciturno dono de uma loja de penhores no Harlem, em Nova York. Sol é assombrado por lembranças de seus dias num campo de concentração nazista e trata seu funcionário, de origem latina, com desprezo. Na verdade, Sol odeia toda a raça humana e vê o mundo como um lugar escuro e sem esperança. Eu corto um braço se Paul Schrader não viu esse filme várias vezes enquanto escrevia “Taxi Driver”, de Martin Scorsese. Disponível no Youtube, com legendas em espanhol
Seconds (O Segundo Rosto, 1966), de John Frankenheimer: Último filme de uma série conhecida por “Trilogia da Paranoia” de Frankenheimer, depois de “The Manchurian Candidate” (1962) e “Seven Days in May” (1964), “Seconds” é um estranhíssimo e fascinante filme de mistério sobre um homem que aceita ganhar uma “nova vida” oferecida por uma empresa. O filme é tão impactante que, depois de assisti-lo, Brian Wilson, dos Beach Boys, teve um colapso nervoso, cancelou o lançamento do álbum “Smile”, sua obra-prima, e só voltou a entrar num cinema 16 anos depois, para ver “ET”. Não consegui achar o filme em nenhum streaming nacional. O jeito é baixá-lo, ou comprar a caixa “Clássicos Sci-Fi Vol. 6”, da Versátil.
The Shooting (1966), de Monte Hellman: No fim dos anos 60, vários diretores estavam experimentando com diferentes formas de fazer faroestes, tentando fugir dos clichês do gênero. Este filme mistura drama e ação, contando a história de um pistoleiro (o veterano Warren Oates) que é contratado para levar uma mulher misteriosa para uma cidade e é perseguido por um assassino sádico (Jack Nicholson). Disponível no Youtube.
Faces (1968), de John Cassavetes: O filme é de 1968 e estreou, portanto, quando a Nova Hollywood já era uma realidade. Mas a influência de Cassavetes nos jovens cineastas da Nova Hollywood começou com “Shadows” (1959), filme que não incluí por ser difícil de achar. “Faces” tem o mesmo estilo “cinema-verité”, filmado num estilo quase documental, e conta o drama da separação de um casal (Lynn Carlin e Jon Marley). Se conseguir achar “Shadows”, assista também, e entenderá por que Cassavettes é considerado o “pai” do cinema independente americano. “Shadows” está no box “Cassavetes e a Nova Hollywood”, lançada pela Versátil.
Uma ótima semana a todos.
12 comentários em "Dez filmes que inspiraram a Nova Hollywood"
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Vou correndo assistir “O Homem do Braço de Ouro”, ‘The Intruder” e “Paixões Que Alucinam”.
Barça, já viu “Um plano simples”, de Sam Raimi? Entrou no meu top 6 melhores filmes. Que preciosidade!
Maravilhoso. Billy Bob Thornton e Bridget Fonda sensacionais.
caramba, essa sinopse de The Pawnbroker me chamou a atenção demais. vou ver ontem!
Barça “Seconds” está na caixa da Versátil Clássicos Sci-Fi vol. 6.
Muito obrigado, vou adicionar ao texto.
André, o mais impressionante é que esses filmes estavam todos lá na época, mas grande parte do público e dos estúdios os ignorava, e como resultado disso, nasceu a Nova Hollywood!!!
Tem razão, maioria não foi bem de bilheteria.
Barça, vou fazer aqui um off-topic: vi na Netflix um documentário bem legal chamado “Luzes, Câmera, Kung Fu” sobre a história dos filmes de kung fu, tem histórias deliciosas sobre os filmes dos anos 70, abrange também o lado sócio cultural e não fica só nos grandes filmes, também fala das produções de baixíssimo orçamento e picaretagens. Vale muito a pena ver. Fica disponível na Netflix só até o dia 30.
Demais isso, não vi, obrigado pela dica.
André, sei que é um pouco inacessível, mas Shadows está no box “Cassavetes e a Nova Hollywood” da Versátil.
Bem lembrado, vou incluir no texto, muito obrigado.