set/2022

Um Top 10 de Woody Allen

Por André Barcinski

Um Top 10 de Woody Allen

Por André Barcinski

A semana começou agitada para fãs de Woody Allen: a revista “Variety” soltou uma matéria dizendo que o cineasta de 86 anos estaria se aposentando. No dia seguinte, o assessor de imprensa de Allen desmentiu a reportagem e disse que Allen apenas se queixou da crescente dificuldade que vem sentindo, nos últimos anos, para obter financiamento para seus filmes.

A dificuldade advém, claro, da longa e dolorosa crucificação pública a que o cineasta tem sido submetido nos últimos anos, devido às acusações de que teria molestado sexualmente uma filha. Mesmo que duas investigações policiais tenham inocentado Allen de qualquer crime, o massacre midiático e nas redes sociais prejudicou muito sua carreira. Escrevi sobre isso à ocasião do lançamento da magnífica autobiografia do cineasta, “Apropos of Nothing”. Leia aqui.

Aproveito a – esperamos, falsa – notícia da aposentadoria de Allen para republicar um Top 10 pessoal que fiz em 2011. Não sou grande fã da fase inicial de Allen, com aquelas comédias escrachadas tipo “Bananas”. Também não me agradam os delírios pirandellianos de “A Rosa Púrpura do Cairo” ou o saudosismo “kitsch” de “A Era do Rádio”. Sempre preferi o Allen urbano e satírico. Aqui vai a lista, em ordem crescente de preferência. Faça a sua e compare.

10 – O Dorminhoco (Sleeper, 1973) – Allen é congelado em 1973 e ressuscitado 200 anos depois.  Um filme do início da carreira de Allen e que não envelheceu mal. Sua visão sobre o futuro ainda é hilariante.

9 – Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway, 1994) – Farsa passada nos anos 20 sobre um dramaturgo (John Cusack, ótimo como sempre) que, para viabilizar uma peça, se mete com gângsteres. Chazz Palminteri no papel de um gângster e Jennifer Tilly como a namorada de um chefe mafioso, estão fantásticos.

8 – Poucas e Boas (Sweet and Lowdown, 1999) – Quase ninguém fala desse filme, que está entre os meus prediletos de Allen e é inspirado em “La Strada”, de Fellini. Sean Penn faz um genial e arrogante guitarrista de jazz, obcecado por Django Reinhardt.

7 – Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992) – Mais um dos dramas/comédias de Allen em que múltiplas histórias e romances se intercalam. O elenco desse filme é do outro mundo: Mia Farrow, Liam Neeson, Sidney Pollack, Juliette Lewis e a inigualável Judy Davis.

6 – Zelig (1983)- Na época, “Zelig” foi considerado um prodígio técnico em que Allen recriou a estética dos filmes-jornais dos anos 20 para fazer esse falso documentário sobre um homem que absorve as personalidades e aparência física de todos à sua volta.

5 – Broadway Danny Rose (1984) – Outro filme considerado menor na carreira de Allen, mas que está entre meus favoritos. Filmado em preto e branco, conta a história de um agente teatral (Allen) fracassado que se mete com a mulher de um gângster, interpretada por Mia Farrow. Um dos filmes mais tristes do diretor.

4 – Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors, 1989) – Comédia/drama de humor negro centrado na história de um médico respeitado (Martin Landau) que resolve matar a amante (Anjelica Huston).  Allen está ótimo no papel de um documentarista que disputa Mia Farrow com um arrogante e estúpido executivo de TV (Alan Alda).

3 – Manhattan (1979) – Outro filme-tributo a Nova York, com algumas das sequências mais icônicas dos filmes de Allen. Dessa vez, ele faz um divorciado quarentão que namora uma adolescente (Mariel Hemingway), mas que acaba de quatro pela mulher de um amigo, interpretada por Diane Keaton.

2 – Hannah e Suas Irmãs (Hannah and her Sisters, 1986) – Os romances e dramas de três irmãs – Mia Farrow, Dianne Wiest e Barbara Hershey – num dos filmes mais bem escritos e dirigidos de Allen. O elenco é de chorar: Allen, Max Von Sydow, Michael Caine, Carrie Fisher e Julie Kavner (que depois faria a voz de Marge Simpson).

1 – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977) – O filme mais marcante da carreira de Allen e que estabeleceu sua marca registrada: comédias sofisticadas sobre as neuroses e amores de nova-iorquinos sofisticados. Co-escrito pelo carioca Marshall Brickmann.

22 comentários em "Um Top 10 de Woody Allen"

  • Difícil fazer um top ten, até os filmes ditos “menores” são bons. Ótima lista, os seus quatro primeiros também são os meus. Dos 10, acho que colocaria Desconstruindo Harry. Também gostei muito de Roda Gigante.

  • Imagem de perfil do usuárioImagem de perfil do usuário
    Antoniosouzapegado

    Andrezão, você chegou a ver o último filme dele, Festival do Amor? Achei ruim demais. Um filme dele que gosto e que ninguém fala é Neblina e Sombras, rodado em preto e branco.

  • Alguém, acho que um crítico, certa vez escreveu que Woody Allen fez o melhor Almodovar com “Vicky, Christina, Barcelona”. Achei muito engraçado. E olha que tá longe de estar entre os melhores do Allen.
    Top 10 já é difícil

  • Me desculpe, Barça… Michael Jackson também foi “inocentado”, e na real, todo mundo no showbiz sabia que o cara era uma maluco. Allen casou com a enteada, e isso, não é pouca coisa. Não consigo dessassociar a pessoa ao artista… Clapton, Morrissey, Jon Voight e o Allen, entre outros, pra mim estão mortos e só falta enterrar.

        • Não são parentes. Soon-Yi é filha adotiva da namorada de Allen e era maior de idade quando eles começaram a se relacionar. Se você acha isso “um absurdo”, ok, mas é um julgamento moral seu.

        • Exatamente, meu caro André.. um julgamento moral meu. Se você não acha um absurdo o cara sentir tesão na FILHA DA NAMORADA, ok.

        • Mas Sandro, do jeito que você fala, parece que o Allen forçou a mulher a ficar com ele. Um relacionamento é uma via de mão dupla. Ela também se apaixonou por ele, tanto que estão juntos há três décadas. Ele é 30 e tantos anos mais velho que ela? Sim, mas Frank Sinatra também era 30 anos mais velho que Mia Farrow, que foi sua namorada, e acho injusto julgar alguém por sua paixão. Abraço!

        • André, ele era muito mais velho e me espanta, que um cara bem mais velho olhe pra uma menina/adolescente assim, ainda mais sendo filha da namorada!!! Ela era uma menina, e eu, Sandro, acho nojento que ele sequer sinta atração pela menina que ela deveria ver como filha. imagina eu, com 43 anos, sentindo atração pela filha de 15 anos de um amigo… seria um absurdo.

          Só quero salientar que respeito tua opinião, e te admiro muito por motivos como esTe (debater com um fã).
          Abração.

  • Gosto também muito de “Memórias” (se não me engano de 1980) e do ótimo (e diferente para a filmografia dele dele) “Match Point” – com Scarlett Johansson fazendo um de seus primeiros filmes de destaque. Ah e Blue Jasmine tb.

  • Muito boa a lista. Depois de 2011, eu destacaria o Homem irracional e Blue Jasmine, sendo que parei de acompanhar seus filmes desde 2016. Já não gostei muito dos filmes de Roma, Paris e Barcelona e os últimos que vi me pareceram bem sem inspiração.

    Na lista até 2011, eu acrescentaria Match Point, de 2005, que mescla a comédia sofisticada com suspense, fórmula que ele tentou algumas vezes, mas acho que acertou nesse. E também os Trapaceiros, de 2000, mais por ele ter sido inspirado no clássico Eternos Desconhecidos do Monicelli, um dos meus filmes favoritos, e, muito por isso, ter rendido boas cenas.

    Abs

    Rodrigo Ramiro

  • Imagem de perfil do usuárioImagem de perfil do usuário
    Joao Gilberto Monteiro

    André, gostei da sua lista, o meu Top 3 é o mesmo que o seu e na mesma ordem, mas arrumaria um lugarzinho para Interiores e Meia-Noite em Paris no Top 10, no lugar talvez de Broadway Danny Rose e d´O Dorminhoco, aos quais eu nunca assisti….

  • Imagem de perfil do usuárioImagem de perfil do usuário
    Carlos Thomaz Pl Albornoz

    Não é muito diferente da minha… mas eu incluiria ‘Desconstruindo Harry’, comédia com piadas bem mais grossas que o habitual, ‘resposta’ dele a Mia Farrow quando parecia que ele tinha se livrado das acusações, em uma posição bem alta… e jogaria ‘Tiros na Broadway’ bem mais para cima. O que eu tiraria pra incluir ‘Desconstruindo…’? Provavelmente jogaria ‘Crimes e Pecados’ mais pra cima, pra décima primeira posição. E, na minha lista, ‘Manhattan’ seria o primeiro.

Deixe seu comentário

Ir para o topo