ago/2022

“Uprising”: a tragédia que escancarou o racismo britânico

Por André Barcinski

“Uprising”: a tragédia que escancarou o racismo britânico

Por André Barcinski

Excelente dica do leitor Rodrigo Ramiro: até dia 17 de agosto, o site do festival EcoFalante exibe, gratuitamente e com legendas em português, o documentário “Uprising”, produzido pela BBC e dirigido pelo talentosíssimo Steve McQueen.

“Uprising” é dividido em três episódios de 60 minutos e conta a trágica história de um incêndio em uma festa em Londres, ocorrido em 1981, que matou 13 jovens britânicos negros de famílias caribenhas.

O incêndio provocou protestos da comunidade negra britânica, que suspeitava que o fogo tivesse disso provocado por uma bomba incendiária. Naquele período, vários atentados ocorreram em bairros negros da periferia de Londres e em outras regiões do país, provocados pelo aumento da tensão racial com a então crescente popularidade do National Front (Frente Nacional), um grupo racista que defendia a expulsão de imigrantes do Reino Unido.

“Uprising” começa dando um panorama da Inglaterra no fim dos anos 70, quando a onda conservadora de Thatcher dominou o país e imigrantes passaram a ser cada vez mais perseguidos por uma polícia violenta e claramente racista.

Os depoimentos, tanto atuais quanto os de arquivo, são impressionantes: pessoas falam da perseguição que sofriam, com batidas policiais em festas e eventos da comunidade negra, e da desconfiança que negros, indianos, paquistaneses e outros imigrantes nutriam pelo governo e pela polícia.

Somos apresentados a mais de uma dúzia de grandes personagens, de um DJ que costumava tocar reggae e ska em “house parties” da comunidade caribenha a uma octogenária que perdeu o filho no incêndio, de uma ativista da comunidade negra a um poeta que escreveu sobre a tristeza de viver num país que não o acolhia como cidadão.

As entrevistas e as imagens de arquivo são tão bem amarradas e tão fortes que o espectador vai se envolvendo com os personagens. Quando o incêndio finalmente ocorre, no fim do primeiro episódio, é impossível não se comover.

Steve McQueen é o que há. O cara ganhou o Oscar de melhor filme por “12 Anos de Escravidão”, mas seu trabalho mais impressionante, para mim, é a série “Small Axe”, cinco filmes ambientados numa comunidade caribenha na periferia de Londres, na virada dos anos 60 para os 70.

Os episódios podem ser vistos separadamente, mas, na íntegra, formam um panorama rico e emocionante da vida de imigrantes. Já escrevi e repito: o segundo episódio, “Lover’s Rock”, passado quase que totalmente dentro de uma “house party” jamaicana, foi o melhor filme que vi em 2021.

“Small Axe” continua no Globoplay. E “Uprising” só pode ser visto até 17 de agosto, AQUI. Não perca.

Um ótimo dia a todas e todos.

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