Como Ronaldo Barcellos criou um clássico da discoteca
Ronaldo Barcellos é uma grande figura. Cantor, compositor, trompetista, começou na cena de bailes dos subúrbios do Rio na virada dos anos 60 para os 70 e fez grande sucesso na década de 90 com a banda Ronaldo e os Barcellos, que formou com os filhos.
Entrevistei Ronaldo recentemente para um projeto (ainda não posso revelar o que é), mas decidi dividir com vocês uma história muito legal que ele me contou sobre uma música que sempre me fascinou: “Black Coco”.
Assim como milhões de brasileiros, vi o clipe de “Black Coco” na TV em 1978. Eu tinha dez anos. Na época, a discoteca imperava, e foi demais ver aquela versão brasileira da disco, com o pessoal dançando numa praia e cortando cocos com peixeiras que desciam no ritmo das batidas. A música fez muito sucesso e acabou na trilha da novela “Te Contei?”
Quando teve a ideia de compor “Black Coco”, Ronaldo Barcellos vivia entre o Rio e São Paulo, trabalhando como músico de estúdio. Na capital paulista, recebia muitos trabalhos do amigo Lincoln Olivetti, tecladista e arranjador.
Ronaldo e Lincoln se conheceram ainda adolescentes, em 1967. O primeiro morava em Irajá e Lincoln em Olinda, bairro de Nilópolis. Lincoln tinha 13 anos, mas já comandava um dos conjuntos de baile mais famosos da região. Ronaldo era um ano mais velho e tocava trompete e cantava na banda Seven Sound Music. Lincoln gostou da voz “black” de Ronaldo e o convidou para cantar em seu conjunto.
A parceria se tornou uma grande amizade. Em meados dos anos 70, Lincoln estava em São Paulo, para onde tinha ido em 73, a convite do músico paraguaio Papi, para trabalhar em um disco de Antônio Marcos (é de Lincoln o violão na abertura de “O Homem de Nazareth”, grande sucesso de Antônio Marcos). Lincoln passou a chamar Ronaldo para tocar e cantar em discos de Vanusa, Antônio Marcos e Wilson Simonal.
Um dia, Ronaldo foi ao Rio visitar os filhos. Na volta, no ônibus, começou a pensar numa batida que juntasse a discoteca a um gênero tradicional nordestino, o coco. E pensou numa letra que, à primeira vista, parecia não fazer sentido algum, ms que acabou se tornando um ícone da disco nacional: “Black coco / Black cocota!”
Ronaldo chegou a São Paulo e mostrou a ideia para Lincoln, que se empolgou: “Puta que pariu, isso é um sucesso mundial!” Lincoln sentou no piano, fez o arranjo (muito inspirado em “Rock Your Baby”, sucesso na voz de George McRae) e, no dia seguinte, gravou a música num estúdio no Largo de Santa Cecilia com a banda Painel de Controle (da qual Papi fazia parte).
“Black Coco” estourou. “Foi o meu primeiro sucesso, foi o primeiro sucesso do Lincoln, foi meu primeiro carro, foi meu primeiro tudo”, lembra Ronaldo. “Lincoln sempre dizia que foi graças a ‘Black Coco’ que ele teve grana pra montar o Guerenguê (primeiro estúdio de Lincoln, em Jacarepaguá, onde ele gravaria discos icônicos de Tim Maia, Roberto Carlos, Sandra de Sá e tantos outros)”.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
7 comentários em "Como Ronaldo Barcellos criou um clássico da discoteca"
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Arranjo muuuuuiiitooooo inspirado em Rock Your Baby.
André, já tinha ouvido a música alguma outra vez na vida, mas não imaginava que o Ronaldo Barcellos tivesse envolvido nela e nem que ela possibilitaria ao Lincoln Olivetti fazer história dentro da nossa Música Popular!!!
Aliás, interessante ela trajetória dele em diferentes searas da nossa música, depois ele foi formar um grupo de pagode com os filhos e fez um relativo sucesso, principalmente no Rio de Janeiro…
Muito obrigado por mais essa história André, e ansioso de saber qual será esse seu próximo “Pojéto”!!!
Verdade, muita gente não sabe!
Que história foda… Que época maravilhosa da música! Grande abraço, André.
A propósito, sei que tu não curte o Rod Stweart (nem com o Faces?), mas acabei de ler a biografia dele e me diverti muito, acho que tu iria gostar.
Tenho ela aqui, tá na fila. Rod the Mod deve ter muita história…
Mudou sua opinião sobre ele? Curte os Faces?
Gosto da fase Faces, mas não dá carreira solo.