jun/2022

Fontaines D.C.: salvadores do rock?

Por André Barcinski

Fontaines D.C.: salvadores do rock?

Por André Barcinski

Se o rock está morto, como dizem por aí, por que eu não consigo parar de ouvir “Skinty Fia”, terceiro LP da banda irlandesa Fontaines D.C.?

Há muito tempo não encontrava um disco “de rock” tão inspirado e experimental. Menos pesado e mais melódico que os anteriores – “Dogrel” (2019) e “A Hero’s Death” (2020) – mas ainda com a pegada pós-punk de bandas como Gang of Four, The Cure (dos primórdios) e Joy Division, “Skinty Fia” é um desses discos que marcam uma banda para sempre.

O Fontaines D.C. é um quinteto formado em Dublin, em 2015. Originalmente batizado em homenagem ao personagem Johnny Fontane (o cantor ligado à Máfia, inspirado em Frank Sinatra, de “O Poderoso Chefão”), a banda ganhou um “D.C.” (“Dublin City”) depois que uma banda norte-americana reivindicou o nome The Fontaines.

Os integrantes da banda são cultos, leitores ávidos e costumam espalhar referências literárias em suas letras. Em “Skinty Fia” há duas bem óbvias: a faixa “Bloomsday” refere-se ao 16 de junho, dia em que irlandeses homenageiam Leopold Bloom, personagem de “Ulysses”, de James Joyce. E em “Nabokov”, a banda celebra o autor de “Lolita” com uma sonoridade pesada e que remete às baladas góticas do Cure circa “Pornography”.

“Skinty Fia” mistura canções mais pop e radiofônicas, como o “single” “Jackie Down the Line”, com outras bem mais experimentais e estranhas. Veja o clipe de “Jackie Down the Line”:

Já “I Love You” é uma balada pós-punk que orgulharia Siouxsie Sioux ou Robert Smith:

E para quem quiser conhecer mais sobre as influências da banda, aqui vão dez (sim, dez!) mixtapes que eles fizeram para a BBC.

Uma ótima semana a todas e todos.

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