maio/2022

1972: o ano de Marc Bolan

Por André Barcinski

1972: o ano de Marc Bolan

Por André Barcinski

Mil novecentos e setenta e dois foi um ano cinza: guerra no Vietnã, terrorismo nas Olimpíadas de Munique, desemprego em massa na Europa, ditaduras violentas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Para piorar, os Beatles haviam acabado.

Não é à toa que, nesse período, um movimento musical escapista e lúdico teve seu apogeu: o “glam rock”.

Colorido, debochado e sexualmente ambíguo, o “glam” ajudou a tornar menos careta o início da década de 1970. Em 1972, saíram álbuns fabulosos de David Bowie (“The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”), Lou Reed (“Transformer”), Mott the Hoople (“All the Young Dudes”) e o disco de estreia do Roxy Music.

Mas o grande astro “glam” daquele ano foi Marc Bolan, líder do grupo T-Rex. Quando o ano começou, Bolan ainda tinha o álbum mais vendido da Inglaterra, “Electric Warrior”, lançado no ano anterior. Em 1972, ele lançaria outro disco de sucesso, “The Slider”, e gravaria “Tanx”, que sairia no início do ano seguinte.

Foi um período de estrelato para Bolan. Em 1972, ele faria shows importantes na Wembley Empire Pool (dois no mesmo dia!) e seria objeto de um filme-concerto, “Born to Boogie”, dirigido por um grande fã, Ringo Starr (que tirou também a foto de capa de “The Slider”).

Em tributo ao maior ano da carreira de Marc Bolan e T-Rex, acaba de sair uma caixa com cinco CDs chamada, simplesmente, “1972”. A caixa traz o álbum “The Slider”, a íntegra do primeiro show em Wembley, a trilha sonora de “Born to Boogie”, uma coletânea de sessões de rádio gravadas nos Estados Unidos (“Marc Bolan’s US Radio Sessions”) e outra gravada na BBC (“T-Rex on the BBC”).

No Youtube há a versão completa do primeiro show em Wembley:

E a íntegra do documentário “Born to Boogie”, dirigido por Ringo Starr:

Sou grande fã de Bolan e, em especial, dos discos “Electric Warrior” e “The Slider”. Ali ele criou um som que unia a força do rockabilly primal de seus ídolos, como Eddie Cochran, a um futurismo sonhador.

Bolan começara como um cantor hippie, falando de dragões e lendas, mas logo viu que a era da paz e do amor já não fazia sentido. Suas letras ganharam tons de escapismo e alienação, que influenciaram David Bowie e, logo depois, o movimento punk. Não dá nem para imaginar a euforia da juventude inglesa (especialmente das garotas, que formavam a maior parte do público de Bolan) ouvindo suas letras sobre liberdade sexual e viagens espaciais. Como se dissesse: escapem, crianças!

Marc Bolan morreu num acidente de carro em 1977, às vésperas de completar 30 anos.

Um ótimo fim de semana a todos.

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