Filme revela um gênio do “showbiz”
A HBO Max exibe “Mr. Saturday Night”, um excelente documentário sobre um dos personagens mais fascinantes da história do showbiz: Robert Stigwood.
O público pode não conhecer o nome de Stigwood, mas certamente conhece os artistas que ele empresariou e filmes que produziu. Começando no início dos anos 1960, esse australiano, que se mudou para a Inglaterra aos vinte e poucos anos, trabalhou com bandas como The Who, Cream e Bee Gees, bancou peças musicais como “Jesus Christ Superstar” e as versões britânicas de “Hair” e “Oh! Calcutta!”, e explodiu nos anos 1970, quando produziu os filmes musicais “Tommy”, “Jesus Chris Superstar”, “Grease” e “Os Embalos de Sábado à Noite”. Entre 1973 e 1980, Robert Stigwood foi um dos magnatas mais importantes e poderosos do showbiz no planeta.
O título do filme remete a “Os Embalos de Sábado à Noite”, o maior triunfo comercial da carreira de Stigwood. Lançado em 1977, o filme obteve a terceira maior bilheteria daquele ano, atrás apenas de “Guerra nas Estrelas” e “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” e faturando mais de 30 vezes seu custo de 3,5 milhões de dólares.
A trilha sonora, um disco duplo com canções de Bee Gees, Kool and the Gang, Tavares, KC and the Sunshine Band, The Trammps e Yvonne Elliman, entre outros, vendeu mais de 40 milhões de cópias e é a segunda trilha mais vendida da história, atrás apenas de “O Guarda-Costas” (1992).
O filme e a trilha sonora ajudaram a definir o fim dos 1970 como a “era da discoteca”, alçando artistas que nada tinham a ver com o gênero, como o ator John Travolta e a banda Bee Gees, a ícones da disco music. Foi Stigwood que persuadiu os Bee Gees, então em decadência de popularidade, a dar uma guinada dançante ao seu som. Foi ele também que viu em Travolta, então um ator de TV, enorme potencial para fazer sucesso no cinema, numa época em que essa transição não era comum.
No filme, vários entrevistados falam do senso de oportunidade de Stigwood. Ele é descrito como um homem tímido e calado, um gay extremamente reservado sobre sua vida privada, mas que possuía uma antevisão quase sobrenatural do que poderia se tornar um sucesso comercial.
Stigwood teve a ideia de produzir o filme “Os Embalos de Sábado à Noite” depois de ler uma reportagem do jornalista irlandês Nik Cohn na revista “New York” sobre grupos de jovens italianos que lotavam discotecas do Brooklyn. Foi ele que escolheu o ator principal (Travolta), o roteirista (Norman Wexler), a trilha sonora, o diretor (John Badham, depois de despedir John Avildsen quando este sugeriu tirar as músicas dos Bee Gees) e até o coreógrafo. Depois convenceu a Paramount, estúdio produtor do filme, a lhe ceder os direitos da trilha sonora (“Discos de filmes não vendem”, disse um executivo, numa decisão que custaria à empresa uns 200 milhões de dólares).
A Paramount não acreditava no sucesso do filme e relutou em lançá-lo num grande número de salas. Stigwood, numa manobra até então inédita, lançou a trilha sonora antes do filme e conseguiu da Paramount a promessa de adicionar 250 salas cada vez que uma música da trilha sonora chegasse a número um das paradas. Os executivos riram com a sugestão, que, de tão absurda, foi imediatamente aceita. No fim, nada menos de quatro canções da trilha sonora chegaram a número 1 na parada da “Billboard”: três dos Bee Gees, “How Deep Is Your Love,” “Night Fever,” e “Stayin’ Alive,” e “If I Can’t Have You”, composta pelos Bee Gees e interpretada por Yvonne Elliman.
Robert Stigwood morreu em janeiro de 2016, aos 81 anos.
Um ótimo fim-de-semana a todos.
Atenção: até dia 20, estarei fora e em local com pouco acesso à Internet. Caso eu demore a responder a algum comentário ou e-mail, peço desculpas antecipadas.
7 comentários em "Filme revela um gênio do “showbiz”"
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Vi e gostei.
André,
Eu tinha feito um comentário no twitter sobre esse documentário dizendo que ele complementa o documentário dos Bee Gees porque fornece outras informações sobre o filme, a trilha sonora e etc. Você concorda comigo? Faço a pergunta porque sei que você viu o documentário dos Bee Gees.
Sim, acho fundamental ver os dois. O dos Bee Gees fala do Stigwood, mas o foco é a banda mesmo. Ambos são muito bons.
André, a transformação dos Bee Gees de banda veterana e até um pouco decadente no símbolo máximo da disco music é uma das histórias mais interessantes do pop, vc não acha?
Certeza. Foi uma reformulação completa.
Maravilha!
Correndo pra ver!
Abraço.
Depois diz o que achou!