nov/2021

“O que aprendi trabalhando com Marilia Mendonça”, por Alexandre Rossi

Por André Barcinski

“O que aprendi trabalhando com Marilia Mendonça”, por Alexandre Rossi

Por André Barcinski

Meu amigo Alexandre Rossi trabalhou de perto com Marilia Mendonça no roteiro da série documental “Todos os Cantos”, em cartaz no Globoplay. Pedi a ele que escrevesse um texto sobre essa experiência. Aqui está:

Quando me convidaram para roteirizar um doc sobre a turnê “Todos os Cantos” da Marília Mendonça, pensei “Eita, mas eu sou de um mundo completamente diferente, não conheço nada de sertanejo”.   

Só fiquei tranquilo quando percebi que a intenção era exatamente essa: apresentar a Marília para pessoas que só conheciam a cantora sertaneja e não o que ela realmente representa para milhões de pessoas. 

Apesar de não gostar de sertanejo, já tinha uma tremenda simpatia pela figura dela: era muito divertida e gostava de tomar uma cervejinha com os amigos. Mas quando fiz uma imersão em todo o material, virei fã.

Os números impressionavam. Ainda mais nessa turnê, em que ela chegava de surpresa em uma cidade, no meio da semana, soltava um tuíte de manhã dizendo que gravaria uma música nova durante um show naquele mesmo dia e, na hora do show, apareciam cem mil pessoas para vê-la.

Marilia tinha a combinação de um apurado senso pop com uma arrojada visão empresarial que, indo contra todos os prognósticos, simplesmente revolucionou o bilionário ecossistema da música sertaneja. Também teve a coragem de promover a visão feminina dentro de um ambiente ultramachista e misógino, dominado por uns caras que eu mesmo não peitaria. Isso sempre foi amplamente comentado. O que realmente me chamou a atenção foi o que ela não fez.

Qualquer pessoa que tivesse atingido esse nível estratosférico de sucesso, defendendo ideias que quase ninguém acreditava e com tão pouca idade, já teria se desestruturado. Já vimos esse filme várias vezes, muitas delas com consequências nefastas. Mas a menina tinha um caráter sólido. 

Com o alcance e influência a um clique de distância, muita gente já teria sucumbido àquela inebriante sensação de absolutismo que o poder proporciona e teria cometido alguma insanidade épica. Mas, desde que começou a despontar, ela percebeu como cada ação ou palavra sua repercutia e usou isso não só a seu favor, mas a favor de toda uma geração. 

Marília e sua equipe me fizeram companhia por grande parte da pandemia. Enquanto estava editando remotamente a segunda parte do documentário, fiquei por meses mergulhado em takes e entrevistas, convivendo com as angústias e alegrias dessa menina e de todos os envolvidos nessa louca empreitada. Entre eles seu tio Silveira, o “Boiola”, grande companheiro de copo de Marília e o dedicadíssimo produtor Henrique “Bahia”, que estavam com ela no avião que caiu. 

Durante meses fiquei imerso nos dramas que envolviam essa turnê: a proporção que os shows tomaram, causando transtornos monumentais, a gravidez inesperada, o nascimento de seu filho e, por fim, a paralisação dos eventos. No final, deixamos uma grande incógnita: E agora? 

Claro que era uma pergunta retórica. Quem conhecia Marília sabia que ela ia voltar maior do que nunca, com aquele coração enorme bombeando sangue nos olhos! Com a maioria da população vacinada, a terceira parte do “Todos os Cantos” tinha tudo para ser absolutamente épica.  

Mesmo sendo tão empoderada e destemida, a lembrança que fica era a de uma menina – pasmem – tímida, que, sem óculos, muitas vezes precisava do amparo da equipe para se locomover e com quem aprendi a não confiar em quem não bebe. Que mesmo lidando com questões tão monumentais, sabia endurecer sem perder a ternura. 

Vai fazer uma imensa falta.

ALEXANDRE ROSSI, quando não está trabalhando como programador do Circo Voador, escreve roteiros para TV.

Devido à tragédia do acidente de Marilia Mendonça, adiantei o texto de segunda-feira. O blog volta com um texto inédito na quarta, dia 10.

12 comentários em "“O que aprendi trabalhando com Marilia Mendonça”, por Alexandre Rossi"

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    É fácil ser esnobe e dizer que não gosta desse ou daquele estilo musical, o difícil é não reconhecer um talento que extrapola estilos e conquista fãs de todas as idades, como é o caso de Marília Mendonça. Sou roqueiro mas escuto qualquer música boa, bem interpretada, bem escrita. Ficar preso em estilos é deixar de apreciar o que é bom e Marília era das melhores. Uma grande perda para a música.

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      O lance é que a quantidade de música antiga é muito maior do que a capacidade que você tem para ouvir em uma vida inteira. Na hora de escolher entre ouvir um disco do Milton Nascimento que nunca dei atenção ou uma música sertaneja, escolho ouvir o Milton. Experiência própria.

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    Marília Mendonça é uma menina incrível com apenas 26 anos, com uma baita voz, carisma e sinceridade nos olhos! Coisa rara hoje no mundo dos artistas.
    Eu sou do rock, e mesmo assim quando ouvia as músicas dela (as vezes sem querer pelo som alto do vizinho) eu gostava porque era uma letra com sentido! A palavra que encontrei é essa pra ela além de todas as qualidades vistas e citadas, era compositora incrível e na minha opinião a melhor compositora de todas as épocas… porque era letra com sentimentos….e não tinha aquele refrão chiclete que os sertanejos fazem…ela é incrível!!!! Uma menina mulher madura e alegria… Acho que alegria era o conde nome dela! Meu sincero respeito admiração e amor por quem nunca vi pessoalmente…mas meu coração sentiu muito!
    Fica em paz e vá em paz!

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    André, sincera e honestamente, nunca fui fã da Marília Mendonça, não gostava das músicas e ao contrário da maioria, não a achava uma grande cantora e nem uma boa compositora e sim, ela mesma admitia que tinha problemas com a balança, mas ela parecia ser uma pessoa legal, dessas em que poderíamos conversar por horas numa mesa de boteco sobre qualquer coisa e era inegável o traquejo que tinha para o bom gerenciamento da própria carreira e o poder de boa comunicação que tinha com o seu enorme público…
    Apesar de tudo isso, fiquei bem triste e abalado pela morte dela, ela teria uma vida muito produtiva e poderia ver o seu filho crescer e quem sabe, seguir seus passos, e toda a vida merece respeito, coisa que aliás, falta muito no Brasil de hoje!!!

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    Eu sou nascida, criada e vivida em Goiânia rs, mas mais da ala rocker. Não gostava da música mas é incrível o carisma, visão e inteligência que ela tinha. Conhecendo o meio em que estamos inseridas, tem minha admiração eterna.

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    A Rainha Vive, e viverá para sempre no coração e no meu copo, e no copo de muitos que cantavam e bebiam com ela. Eu a chamo de amiga, ela nem imaginava a minha existência , ainda assim é assim que sofro com sua partida, como a perda de uma amiga, querida, linda, empodeirada, parceira na vida e no copo!! Sem falar no grande ser humano que era, e na grande empresaria, mulher e menina. Vai brihar no céu, como a estrelinha da casinha que ela cantou

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    Tbém ñ morro de amores pelo sertanejo como um todo; mas ela…

    Desde a primeira vez q ouvi sua musica, suas entrevistas e apresentações…

    Marcou.

    Vlw. Marília!

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    Ela não perdeu suas raízes e mesmo tendo apenas 26 anos, não permitiu que o sucesso lhe subisse a cabeça.
    Muitos teriam sucumbido.
    Um ser humano Incrível.
    Que Deus a receba com toda glória e que Ele conforte o coração de todos que a amavam.

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    Mesmo não sendo fã do gênero é impossível não reconhecer o talento e carisma dessa menina..Deixará saudades para uma legião de admiradores, amigos e familiares

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