out/2021

Frodo dá força pro Zé do Caixão

Por André Barcinski

Frodo dá força pro Zé do Caixão

Por André Barcinski

Fiquei muito feliz com a notícia que a SpectreVision, produtora fundada pelo ator Elijah Wood (o Frodo de “Senhor dos Anéis”) vai filmar, para o mercado norte-americano, um novo filme com o personagem Zé do Caixão.

Além do filme em inglês, está sendo produzido um filme em espanhol, escrito pelos mexicanos Lex Ortega e Adrian Garcia Bogliano. E mais: a distribuidora Arrow Films fará novas cópias de filmes clássicos do personagem. Leia aqui, em inglês, uma matéria da “Screen Daily”.

Toda essa valorização do nosso amado Zé é obra de Betina Goldman, a incansável agente e produtora que há muito anos representa a obra de Mojica.

Betina, que mora em Londres, fez muito bem em procurar grana e apoio no exterior. Tenho certeza que seria muito mais difícil – para não dizer impossível – obter financiamento aqui no Brasil.

É triste que o trabalho de Mojica seja mais valorizado no exterior do que no Brasil. Mas não será a primeira vez: no início dos anos 1990, ele estava praticamente esquecido por aqui quando Mike Vraney, dono da distribuidora de vídeo norte-americana Something Weird, lançou uma dúzia de filmes de Zé do Caixão no mercado norte-americano. Foi só aí que o Brasil acordou para a relevância do trabalho de Mojica (acompanhei esse processo de perto: em 1992, levei os filmes de Mojica para Mike assistir, despertando o interesse dele pelos filmes).

Mojica com Mike Vraney, que lançou os filmes de Zé do Caixão na América

Depois que os filmes saíram pela Something Weird, o nome de José Mojica Marins se espalhou rapidamente entre fãs de cinema de horror, e “Coffin Joe” (o nome foi escolhido em 1991, numa conversa entre Mike e eu, da qual lembro em detalhes) começou a ser falado. Cineastas como Tim Burton, Joe Dante, Darren Aronofsky, Gaspar Noé e Paul Schrader, músicos como Poison Ivy e Lux Interior (The Cramps), Rob Zombie, Johnny Ramone, Kirk Hammett, atores como Paul Giammatti e Viggo Mortensen começaram a elogiar os filmes de Mojica.

Espero que Elijah Wood tenha, na década de 2020, a mesma importância na divulgação internacional do trabalho de Mojica que Mike Vraney teve nos anos 1990. Mojica merece. Zé do Caixão nasceu no Brasil, mas Coffin Joe é do mundo.

E não posso terminar sem sugestões: que tal Steve Buscemi, Willem Dafoe ou Rami Malek fazendo Coffin Joe?

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